segunda-feira, 13 de setembro de 2010

De regresso às aulas... com escolas fechadas!

À direita, a escola onde a minha mãe estudou (Chorense, Terras de Bouro), encerrada há um ano.

O presente ano letivo inicia-se sob o signo do encerramento de centenas de escolas. Na verdade, as escolas de aldeia que todos nós conhecemos já fazem parte do mundo da nostalgia, saudosista e poético.
Criadas pelo Estado Novo, estas escolas foram, no seu tempo, uma extraordinária resposta republicana à ignorância e ao obscurantismo reinantes, pois a monarquia pouco ou nada se importou com a alfabetização e a escolarização do povo.
Porém, face às exigências atuais, jamais seria possível insistir na "escolinha da terra", frequentada por um número muito reduzido de alunos, cuja socialização era nula, se não seriamente atrofiadora das suas personalidades. A escola de hoje deverá ser capaz de dar respostas pluridisciplinares, abrangentes e globalizantes, preparando as crianças para as exigências do presente e do futuro.
Eu próprio, quer na qualidade de autarca quer como membro do conselho pedagógico, visitava anualmente diversas escolas primárias e o que via era algo, confesso, confrangedor: escolas com um, dois, três ou meia dúzia alunos, que não tinham sequer a hipótese de saltar à corda, organizar uma "macaca" ou disputar uma bola!... E alguns professores (há que dizê-lo sem meias tintas) que se entregavam a um laxismo e a um absentismo francamente vergonhosos!
Hoje, o que está errado não é o encerramento dessas escolas e a consequente concentração em centros escolares; o que está errado é a insistência num “modelo” de desenvolvimento do território que tudo investe nos grandes centros urbanos e despreza por completo o mundo rural e a valorização da organização sócio-económica tradicional, ligada ao setor primário (agricultura, pecuária, gestão florestal, caça, pesca, mineração…), levando milhares e milhares de famílias a abandonarem as suas aldeias.

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