sábado, 16 de outubro de 2010

Quem foi o Dr. Paulo Marcelino?

Foto retirada de: José Araújo, Terras de Bouro - cem anos de adversidades, Edição CMTB, 2010.
De uma primeira e breve consulta que decidi fazer "via Net" sobre o Dr. Paulo Marcelino, foi possível recolher as informações que passo a apresentar:

Paulo Marcelino Dias de Freitas nasceu em Paredes, Carvalheira, concelho de Terras de Bouro, a 21 de Outubro de 1850, e está sepultado no cemitério de Agramonte, Porto (não me foi ainda possível apurar a data da morte). É filho de António Manuel Dias de Freitas, magistrado do ministério público do julgado local, foi médico no Porto e viveu em Vila Nova de Gaia (cidade que tem uma rua com o seu nome).

"Fez distintamente o curso preparatório no liceu de Braga, em 1870 entrou para a Academia Politécnica do Porto e em 1871 para a Escola Médico Cirúrgica da mesma cidade. Fez rapidamente o curso, tirando em 1876 o diploma de médico com as mais honrosas referências. Começou então a exercer clínica, tornando-se muito afamado, dando consultas no consultório do Dr. Arnaldo Braga, e no do Dr. Corte Real. Mais tarde dedicou-se à política e saiu deputado pelo círculo de Póvoa de Lanhoso, em 1879, sendo depois nomeado vogal da Junta Geral do Distrito do Porto, e eleito pelos colegas presidente do mesmo corpo administrativo. Aborrecendo-se da política, abandonou-a completamente. Em 1887, foi provido no lugar de lente da 6.ª cadeira, cuja disciplina é Tecnologia Geral, História do Progresso das Industrias, Higiene Geral e Colonial, tendo assumindo, no ano de 1899, o cargo de director do Instituto Industrial e Comercial do Porto. Foi depois nomeado provedor da Misericórdia, cargo que exerceu até 1901, e que sempre desempenhou com o maior zelo."
Fonte: Dicionário Histórico de Portugal

Dr. Paulo Marcelino e as Termas do Gerês (com o famoso Dr. Ricardo Jorge)

“A 7 de Dezembro de 1888, o governo adjudicou por contrato provisório as águas medicinais do Gerês a uma empresa formada por Ricardo de Almeida Jorge e Paulo Marcelino Dias de Freitas, “distintíssimos médicos e eminentes professores”, pelo prazo de 50 anos. Esse contrato necessitava da aprovação das Cortes para se efectivar, e foi apresentado a 30 de Janeiro de 1889. Esteve em discussão nas sessões de 2 e 22 de Junho e 5 de Julho desse ano, e depois de agitados debates foi aprovado o texto inicial do contrato com algumas emendas.
O contrato definitivo foi publicado no Diário do Governo a 25 de Julho de 1889, e assinado a 16 de Setembro. A 10 de Março do ano seguinte por escritura lavrada no Porto, esta concessão foi vendida a uma sociedade anónima, a Companhia das Caldas do Gerez, de que foram sócios fundadores Ricardo Jorge e o capitalista bracarense Manuel Joaquim Gomes, afastando-se assim Paulo Marcelino do processo de exploração hidromedicinal das Caldas do Gerês.”
Fonte: “Das termas aos "spas": reconfigurações de uma prática terapêutica” - Projecto POCTI/ ANT/47274/2002 - Centro de Estudos de Antropologia Social e Instituto de Ciências Sociais

"Ricardo Jorge procurou obter a concessão oficial do Gerês e «organizar uma sociedade que dispusesse de capitais para transformar a pobre Estância de 1735, numa «hidrópole moderna e grandiosa». Associa-se a Sousa Reis (químico), Manuel Joaquim Gomes (capitalista) e ao médico Paulo Marcelino Dias de Freitas (político, amigo do então presidente do Conselho de Ministros, José Luciano de Castro).
Em 20 de Junho de 1887, apresentaram o requerimento para concessão de exploração das águas do Gerês, nos seguintes termos: - «SENHOR: Os signatários Paulo Marcelino Dias de Freitas, médico e professor, Adolfo de Sousa Reis, químico, Manuel Joaqquim Gomes, proprietário e capitalista, Ricardo de Almeida Jorge, médico e professor, vêm perante Vossa Majestade, rogar que haja por bem conferir-lhes a concessão das águas medicinais das Caldas do Gerês e autorizar-lhes a criação de instalações termais adequadas, onde as preciosas águas sejam utilizadas, como merecem, a bem da saúde e da ciência, realizando assim um melhoramento de alto alcance económico e médico, de há muito instantemente reclamado por todos quantos têm transitado pelas Caldas e reconhecido."
Fonte: site “vidas lusófonas.pt/rjorge”

Dr. Paulo Marcelino e a fundação do Hospital Maria Pia

"O Hospital Maria Pia foi inaugurado a 1 de Janeiro de 1883.
Os fundadores foram:
-Conde de Samudães, Francisco José de Araújo
-Henrique Carlos de Meirelles Kendall
-Rodrigo António Machado Guimarães
-D. Joaquim de Carvalho Azevedo Mello e Faro
-Eduardo da Costa Correia Leite
-António Bernardino Pires
-Conde da Silva Monteiro, Fulgêncio José Pereira
-José António Barbosa
-Alberto Borges de Castro
-Conselheiro Arnaldo Anselmo Ferreira Braga
-António Augusto de Mello
-Paulo Marcelino Dias de Freitas
-José Luciano Alves Quintella
-Augusto Carlos Chaves de Oliveira
-Augusto Sebastião Guerra"
Fonte: J.P. de Almeida Brandão, pp 98/99, in Guia do Forasteiro no Porto e Província do Minho, Editado F. Lopes, Porto.

“Voltando agora ao Hospital Maria Pia, ele foi fundado em 1881 sob patrocínio régio por um grupo de cidadãos entre os quais avultava o influente médico e político Conselheiro Arnaldo Braga, o Dr. Paulo Marcelino Dias de Freitas que depois foi provedor da Misericórdia de 1896 a 1901”
Fonte: António Coimbra, A Modernização Da Medicina Portuense Na Primeira Metade Do Século XX

Dr. Paulo Marcelino e o Instituto Industrial e Comercial do Porto

Também A. Álvaro Dória, filho do ilustre Professor Raúl Dória, escreve na obra “O Professor Raúl Dória e a sua Escola”, Porto, 1968:
“… desde muito novo sentiu meu Pai decidida vocação pelos assuntos ligados ao comércio, o que o levou à matrícula no antigo Curso Superior de Comércio do Instituto Industrial e Comercial, onde teve por mestre, entre outros, o Dr. Paulo Marcelino Dias de Freitas, mais tarde Director daquele estabelecimento, e por quem meu Pai nutriu sempre grande admiração e estima. Por diversas vezes me recordo eu de ter visto o ilustre Professor, com o seu porte elevado, a sua ampla testa e o seu sorriso cativante, a presidir às sessões solenes comemorativas do aniversário da Escola Raúl Dória.”

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