terça-feira, 30 de novembro de 2010

Joaquim dos Santos Martins: o "Organista"

Joaquim dos Santos Martins nasceu na freguesia de Semelhe, Braga, em 22 de novembro de 1919, e faleceu em Moimenta, Terras de Bouro, no dia 03 de julho de 1993.

Sem pretender fazer biografia, e muito menos história, estes “post” são apenas o testemunho do meu apreço por aqueles que, fazendo parte da memória de várias gerações, são referências coletivas da comunidade terrabourense.
aqui foi referido o Dr. Paulo Marcelino como figura proeminente de um período específico da história de Terras de Bouro. Mais proximamente, porém, entre os homens dignos de relevo por terem intervindo na cultura ou na arte, no associativismo ou no voluntariado, na etnografia ou no autarcismo da minha “aldeia”, estão, segundo critério pessoal, o maestro e compositor Joaquim Martins Viana (que já aqui postei) e Joaquim dos Santos Martins, também músico, letrista e compositor.
Conhecido entre nós como o “Organista”, Joaquim dos Santos Martins é credor do nosso reconhecimento pela sua vida de serviço a Santa Cecília (nome que deu a uma das filhas), padroeira dos músicos, não só pela autoria de letras e músicas de marchas e temas do folclore e pelas diversas instrumentações que fez, mas também por toda uma vida de dedicação aos grupos corais juvenis e aos cânticos religiosos.
De facto, é absolutamente impossível à minha geração (e a muitas outras) reviver quaisquer manifestações religiosas em Covas, Terras de Bouro, sem se ouvir o harmónio do Sr. Martins!...

Há dias, tive acesso a alguns dos seus “papéis”, gentilmente facultados pela filha Lurdes, que revelam a sua componente artística musical e poética:

 Marcha de Terras de Bouro


“Somos de Terras de Bouro
Uma Vila pequenina
Onde produz um bom milho
De espiga amarelinha!

Nós louvamos o Senhor
Por este lindo cantinho
Salve, oh Terras de Bouro!
És terra de pão e vinho.”

Outra composição:
Coro:

Ribeira do rio Homem
És rainha das ribeiras!
Tu és bela e formosa
Por baixo das laranjeiras

                                  I                                              II
                     À tua margem direita             Vêm pescadores de fora
                     Fica Cibões, Gondoriz.          Em busca da bela truta
                     Tu possuis a bela truta           Respirar os nosos ares
                     Fazes o homem feliz!             Saborear nossa fruta

                                 III                                           IV
                   Margem esquerda Vilar,           Abaixo fica Pesqueiras
                   Senhora do Livramento.            Donde sai a pescaria
                   Oh! Ribeira, rio Homem,           Ribeira do Rio Homem
                   Não me sais do pensamento.     A todos dás alegria.

                               V                                              VI
                   No extremo fica Campo,           Oh! Ribeira, o teu rio
                   Covide e Carvalheira;                Nasce junto do Gerês
                   Dando dois passos em frente     Este vira tão bonito
                   Atravessamos fronteira.             É o vira português
                                                                    (ou: Dancemo-lo outra vez)

Entre papéis do meu avô, encontrei estes que referem:
“Instrumentado / Instrumentação pelo organista Joaquim dos Santos Martins”


Algumas fotos:
Tocando harmónio na Capela de S. Brás

Numa Visita Pascal: Manuel Correia (da Patrocínia), José Oliveira (Chasco, falecido), Manuel Brito (genro, falecido), Padre Faria (pároco de Moimenta, falecido), Joaquim dos Santos Martins - Mordomo, Evaristo Martins (filho), José Vieira Martins (filho), Domingos (Cabenco, falecido) e Ilídio (de Pesqueiras, falecido). 

O Sr. Martins "Organista" e esposa, com o genro Sebastião (também já falecido), alguns filhos e netos

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