quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Canção que me fica no ouvido: "Cavaleiro Monge" (um poema de Fernando Pessoa), por Mariza


Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por casas, por prados,
Por quinta e por fonte,
Caminhais aliados.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por penhascos pretos,
Atrás e defronte,
Caminhais secretos.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por plainos desertos
Sem ter horizontes,
Caminhais libertos.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por ínvios caminhos,
Por rios sem ponte,
Caminhais sozinhos.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por quanto é sem fim,
Sem ninguém que o conte,
Caminhais em mim.

Fernando Pessoa, Cancioneiro - 24/17/1932

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Aqui, há português (in)correto...(25)


O que verdadeiramente importa é que a chama da solidariedade e da amizade nunca se apague e que, de facto, ilumine a vida de todos!...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Sítios com história(s): o fojo do lobo de Vilarinho da Furna*

Os fojos são armadilhas para a captura de lobos, formadas por dois paredões em pedra, com comprimento que, nalguns casos, chega a atingir várias centenas de metros e cerca de 2 metros de altura, que convergem para um fosso, configurando uma planta em V.
Estas construções, dadas as suas dimensões, terão exigido um enorme esforço e envolvido um grande número de pessoas das comunidades agro-pastoris.
As fotos que aqui apresento foram obtidas ontem e são do fojo de Vilarinho da Furna, nas encostas mais altas da antiga aldeia, perto das casarotas da Serra Amarela:

As paredes do fojo nas encostas ainda com alguma neve
Vilarinho ao fundo
O fosso do fojo - praticamente destruído
O fosso e o alinhamento de uma das paredes
* - noutra oportunidade, mostrarei fotos do fojo de Brufe e do fojo de Freitas (Covide) ou de outros que, eventualmente, venha a conhecer.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Hoje, proponho este poema: "Kyrie", de José Carlos Ary dos Santos*

                                                  Em nome dos que choram,
                                                  Dos que sofrem,
                                                  Dos que acendem na noite o facho da revolta
                                                  E que de noite morrem,
                                                  Com esperança nos olhos e arames em volta.
Em nome dos que sonham com palavras
De amor e paz que nunca foram ditas,
Em nome dos que rezam em silêncio
E falam em silêncio
E estendem em silêncio as duas mãos aflitas.
Em nome dos que pedem em segredo
A esmola que os humilha e os destrói
E devoram as lágrimas e o medo
Quando a fome lhes dói.
Em nome dos que dormem ao relento
Numa cama de chuva com lençóis de vento
O sono da miséria, terrível e profundo.
Em nome dos teus filhos que esqueceste,
Filho de Deus que nunca mais nasceste,
Volta outra vez ao mundo!

                                                                  José Carlos Ary dos Santos, Kyrie

* - por sugestão da minha irmã Zi.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Sítios com história(s): a Casa de Latim

A Casa de Latim está situada na freguesia de Covide, Terras de Bouro, e foi o local onde o Padre Martins Capela ensinou a muitos conterrâneos as primeiras letras e a língua latina que seria a base para os candidatos aos estudos eclesiásticos e assimilação da cultura clássica.



A Casa de Latim foi recentemente objeto de obras de reformulação, tendo a autarquia ponderado colocar lá em funcionamento um centro de restauro e recuperação dos marcos miliários, um dos vestígios mais significativos da passagem dos romanos por esta região. Com esse projeto, preservar-se-iam um património histórico coletivo e a memória do grande mestre, "filósofo, pedagogo e historiador padre Martins Capela, ilustre terrabourense, que desenvolveu um trabalho notável e determinante para a descoberta da Via Romana (Geira) e sua futura preservação, deixando-nos valiosos estudos sobre aquele importante património."
http://www.imprensaregional.com.pt/terrasdohomem/


Atualmente, no piso superior, está em funcionamento um "Escritório de Desenvolvimento de Software"

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Canção que me fica no ouvido: "Traz outro amigo também", de José Afonso

Pelo grupo "acapella", com António Ataíde e Vitorino


Am                                   D
Amigo maior que o pensamento
C                                 Am
Por essa estrada amigo vem
C                                 Am
Por essa estrada amigo vem
D                                    Am
Não percas tempo que o vento
C           E           Am
É meu amigo também

Em terras em todas as fronteiras
Seja bem vindo quem vier por bem
Seja bem vindo quem vier por bem
Se houver alguém que não queira
Trá-lo contigo também

E aqueles, aqueles que ficaram
Em toda a parte todo o mundo tem
Em toda a parte todo o mundo tem
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Elucubrações... pretensamente poéticas: cais


                                       barco veleiro
                                       de granítico casco,
                                       navego para além da costa,
                                       na deriva constante das marés,
                                       com ventos de futuros desejados.                                    
                                       e, ancorado no perigo,
                                       solto gritos abafados                                               
                                       nas conchas dos búzios.
                                       
                                       o meu destino é de águas vivas
                                       - não me sou em cais de abrigo!

                                               macviana
                                                              20.12.2010

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Sítios com história(s): o Monte Crasto

O Monte Crasto é, aos olhos de um leigo, um amontoado de penedos, cheio de labirintos. No entanto, numa prospeção mais atenta, poderemos descortinar vários vestígios da presença humana, como alinhamentos de pedras, cerâmica (terracota) e a dita "casa da moura", indícios claros de que aquele monte foi um povoado castrejo. A testemunhá-lo estão também, na Chã do Návia, as várias mamoas*.

Algumas fotografias captadas em "incursões" primaveris:
A caminho da Chã do Návia e do Monte Crasto
Um grupo de "Exploradores", com o Monte Crasto ao fundo
Penetrando nas entranhas...
... mesmo que isso implique destreza.
A Casa da Moura
O mundo visto das "entranhas"
Apontando as "alminhas"
De regresso...
* - Uma mamoa ou tumulus (plural tumuli) é um montículo artificial que cobre uma câmara dolménica. Pode ser de terra, revestida por uma couraça de pequenas pedras imbricadas, ou ser apenas constituída por pedras." (wikipedia.org)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Aqui, há português (in)correto... (24)


Já vi escrito "Benvindo", "Bem Vindo", "Bem-Vindo" e, agora, "Benvido" (embora se perceba que, nesta última, a grafia é a galega).
Afinal, como é?
"Benvindo" é nome de pessoa: o Sr. Benvindo ou a D.ª Benvinda - não é, portanto, nenhuma saudação.

Para esclarecimento sobre as formas "Bem Vindo" e "Bem-Vindo", remeto para o texto do acordo ortográfico, Base XV, 4º:

"Emprega-se o hífen nos compostos com os advérbios bem e mal, quando estes formam com o elemento que se lhes segue uma unidade sintagmática e semântica e tal elemento começa por vogal ou h. No entanto, o advérbio bem, ao contrário de mal, pode não se aglutinar com palavras começadas por consoante.
Eis alguns exemplos das várias situações: bem-aventurado, bem-estar, bem-humorado; mal-afortunado, mal-estar, mal-humorado; bem-criado (cf. malcriado), bem-ditoso (cf. malditoso), bem-falante (cf malfalante), bem-mandado (cf. malmandado). bem-nascido (cf. malnascido) , bem-soante (cf. malsoante), bem-visto (cf. malvisto)."

Assim se deve escrever:

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Terras de Bouro no rolo das memórias: alguns aspetos da Vila

Chafariz - num dia de neve (nevão de 1969)
O "Cimo da Feira" - Largo da Câmara, Chafariz e Igreja (Capela de S. Brás)
Capela de S. Brás - à direita vê-se parte da "Casa do Povo"
Descida para o Grémio
Posto da Guarda (GNR)
(Conheço bem aquele Toyota 1200: MS-82-05)
Casa do Aires (Corredoura)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Canção que me fica no ouvido: "Arranja-me um emprego", de Sérgio Godinho


Tu precisas tanto de amor e de sossego,
- Eu preciso dum emprego.
Se mo arranjares, eu dou-te o que é preciso,
- Por exemplo, o Paraíso.
Ando ao Deus-dará, perdido nestas ruas,
Vou ser mais sincero, sinto que ando às arrecuas.
Preciso de galgar as escadas do sucesso
E por isso é que eu te peço:

Arranja-me um emprego!
Arranja-me um emprego, pode ser na tua empresa, com certeza,
Que eu dava conta do recado e pra ti era um sossego.

Se meto os pés para dentro, a partir de agora
Eu meto-os para fora.
Se dizia o que penso, eu posso estar atento
E pensar para dentro.
Se queres que seja duro, muito bem eu serei duro.
Se queres que seja doce, serei doce, ai isso juro.
Eu quero é ser o tal
E como o tal reconhecido.
Assim, digo-te ao ouvido:

Arranja-me um emprego!
Arranja-me um emprego, pode ser na tua empresa, com certeza,
Que eu dava conta do recado e pra ti era um sossego.

Sabendo que as minhas intenções são das mais sérias,
Partamos para férias.
Mas para ter férias é preciso ter emprego,
- Espera aí que eu já lá chego.
Agora penso numa casa com o mar ali ao pé
E nós os dois a brindarmos com rosé.
Esqueço-me de tudo com um por-do-sol assim,
- Chega aqui ao pé de mim:

Arranja-me um emprego!
Arranja-me um emprego, pode ser na tua empresa, com certeza,
Que eu dava conta do recado e pra ti era um sossego.

Se eu mandasse neles, os teus trabalhadores
Seriam uns amores.
Greves era só das seis e meia às sete
Em frente ao cacetete.
Primeiro de Maio só de quinze em quinze anos,
Feriado em Abril só no dia dos enganos.
Reivindicações quanto baste mas non tropo.
- Anda beber mais um copo.

Arranja-me um emprego!
Arranja-me um emprego, pode ser na tua empresa, com certeza,
Que eu dava conta do recado e pra ti era um sossego.

Tu precisas tanto de amor e de sossego,
- Eu preciso de um emprego...
Arranja-me um emprego!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Hoje, proponho este poema: "Poema do Futuro", de António Gedeão

Conscientemente escrevo e, consciente,
medito o meu destino.

No declive do tempo os anos correm,
deslizam como a água, até que um dia
um possível leitor pega num livro
e lê,
lê displicentemente,
por mero acaso, sem saber porquê.
Lê, e sorri.
Sorri da construção do verso que destoa
no seu diferente ouvido;
sorri dos termos que o poeta usou
onde os fungos do tempo deixaram cheiro a mofo;
e sorri, quase ri, do íntimo sentido,
do latejar antigo
daquele corpo imóvel, exumado
da vala do poema.

Na História Natural dos sentimentos
tudo se transformou.
O amor tem outras falas,
a dor outras arestas,
a esperança outros disfarces,
a raiva outros esgares.
Estendido sobre a página, exposto e descoberto,
exemplar curioso de um mundo ultrapassado,
é tudo quanto fica,
é tudo quanto resta
de um ser que entre outros seres
vagueou sobre a Terra.

António Gedeão, in 'Poemas Póstumos'

sábado, 11 de dezembro de 2010

102 anos é obra, Manoel, PARABÉNS!...

Manoel de Oliveira perfaz, hoje, 102 anos! E o que é ainda mais espantoso é a lucidez e o sentido que ele dá à vida... sempre a rodar!
 

"O realizador português Manoel de Oliveira celebra hoje no Porto 102 anos, em família e a descansar, porque o relógio não pára e no domingo estará em Santa Maria da Feira a propósito de... cinema. Fonte da família explicou à agência Lusa que Manoel de Oliveira passará um dia "recatado", com um jantar em família e com filhos, netos e bisnetos a celebrarem a longevidade do mais velho realizador do mundo ainda a trabalhar.
No domingo, Manoel de Oliveira estará em Santa Maria da Feira a convite do Festival de Cinema Luso-Brasileiro, que o homenageia, para mostrar o mais recente filme que rodou, "O estranho caso de Angélica".
Sílvia Borges da Silva (LUSA)

Revendo um pouco da sua primeira longa-metragem, de 1942,
Aniki-Bóbó

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Aqui, há português (in)correto... (23)


Rúbrica ou Rubrica?

Escreve-se sempre rubrica, sem qualquer acento gráfico, quer se trate de um nome quer de um verbo. E pronuncia-se sempre como palavra grave.
«Rúbrica», escrito ou dito assim, é erro.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O Acordo Ortográfico será adotado nas escolas já no próximo ano letivo, em setembro de 2011

"O governo aprovou uma resolução que determina a aplicação do acordo ortográfico no sistema educativo no ano letivo de 2011/2012 e na administração pública a partir de 1 janeiro de 2012."
Lusa - Quinta feira, 9 de Dezembro de 2010

Pela nossa parte, quer neste blogue quer no quotidiano, já vamos praticando a escrita segundo as normas do novo acordo ortográfico...

O que muda com o Novo Acordo Ortográfico

O Novo Acordo Ortográfico altera 2200 palavras da língua portuguesa, num universo de 110 mil.

Conheça algumas das alterações do português pós-acordo:

O hífen desaparece nos seguintes casos:

Fusão dos elementos em que se perdeu a noção de composição
Exemplo: manda-chuva passa a mandachuva

Locuções
Exemplos: fim-de-semana passa a fim de semana; cão-de-guarda passa a cão de guarda

Formas monossilábicas do verbo haver
Exemplos: hei-de passa a hei de; hás-de passa a hás de; há-de passa a há de; hão-de passa a hão de

Fusão do prefixo ou falso prefixo que termina em vogal com o segundo elemento que começa por r ou s, que se duplicam
Exemplos: anti-religioso passa a antirreligioso; micro-sistema passa a microssistema...

Fusão do primeiro elemento quando este termina em vogal e o segundo começa com vogal diferente
Exemplos: extra-escolar passa a extraescolar; auto-estrada passa a autoestrada; auto-avaliação passa a autoavaliação

Fusão do prefixo co mesmo que o segundo elemento comece com o
Exemplos: co-opositor passa a coopositor; co-obrigação passa a coobrigação

As terminações em êem deixam de ser acentuadas
Exemplos: crêem passa a creem; relêem passa a releem; vêem passa a veem

Eliminação das consoantes mudas
Exemplos: acção passa a ação; baptizar passa a batizar; colecção passa a coleção; Egipto passa a Egito
Obs: Conservam-se nos casos em que são invariavelmente proferidas nas pronúncias cultas da língua: compacto, convicção, convicto, facto, ficção, friccionar, pacto, pictural; adepto, apto, díptico, erupção, eucalipto, inepto, núpcias, rapto.

Algumas palavras deixam de ter acento
Exemplos: pára passa a para (forma verbal); pêlo passa a pelo; pólo passa a polo

Os dias da semana, as estações e os meses do ano passam a ser escritos com minúscula
Exemplos: Domingo passa a domingo; Outono passa a outono; Janeiro passa a janeiro

Canção que me fica no ouvido: "Queixa das Almas Jovens Censuradas", José Mário Branco


C
Dão-nos um lírio e um canivete
C/B
e uma alma para ir à escola
Am
mais um letreiro que promete
Am/G Dm
raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
Dm/C
que tem a forma de uma cidade
G7/B
mais um relógio e um calendário
G
onde não vem a nossa idade

Am
Dão-nos a honra de manequim
Am/G
para dar corda à nossa ausência.
Am/F#
Dão-nos um prémio de ser assim
Amsus Am
sem pecado e sem inocência

Dm
Dão-nos um barco e um chapéu
Dm/C
para tirarmos o retrato
Dm
Dão-nos bilhetes para o céu
Gsus G
levado à cena num teatro

Am
Penteiam-nos os crâneos ermos
Am/G
com as cabeleiras dos avós
Am/F#
para jamais nos parecermos
Dm
connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
Dm/C
da nossa história sem enredo
G7/B
e não nos soa na memória
E Am
outra palavra para o medo

C
Temos fantasmas tão educados
C/B
que adormecemos no seu ombro
Am
sonos vazios despovoados
Am/G Dm
de personagens do assombro

Dão-nos a capa do evangelho
Dm/C
e um pacote de tabaco
G7/B
dão-nos um pente e um espelho
G
pra pentearmos um macaco

Am
Dão-nos um cravo preso à cabeça
Am/G
e uma cabeça presa à cintura
Am/F#
para que o corpo não pareça
Amsus Am
a forma da alma que o procura

Dm
Dão-nos um esquife feito de ferro
Dm/C
com embutidos de diamante
Dm
para organizar já o enterro
Gsus G
do nosso corpo mais adiante

Am
Dão-nos um nome e um jornal
Am/G
um avião e um violino
Am/F#
mas não nos dão o animal
Dm
que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
Dm/C
com carimbo no passaporte
E
por isso a nossa dimensão
E Am
não é a vida, nem é a morte

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Hoje, proponho este poema: "Demissão", de José Saramago

Demissão

Este mundo não presta, venha outro.
Já por tempo de mais aqui andamos
A fingir de razões suficientes.
Sejamos cães do cão: sabemos tudo
De morder os mais fracos, se mandamos,
E de lamber as mãos, se dependentes.

José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Terras de Bouro no rolo das memórias: a eira




Ao fundo, a eira com a rampa de "escorrega".
Não posso jurar, mas algo me diz que este garoto perturbado pelo sol... sou eu!
Nesta foto, consigo identificar o Sr. Aires Nicolau, sapateiro e músico trompetista na Banda de Covas.
No início do desaterro para construção dos prédios onde estão atualmente instalados: Registo Civil, Finanças, Tesouraria...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Sítios com história(s): a Pala da Moura

O Monte Crasto, nos limites de Santa Isabel do Monte, foi ocupado, como o nome "castro" indica, por povos pré-romanos e conserva ainda vários testemunhos dessa ocupação, como, por exemplo, as Mamoas, que se distribuem pela Chã do Návia, e a Pala da Moura, entre outros.
Hoje, chamo a atenção para:
A Pala da Moura

 
A entrada da Pala da Moura e uma pedra de moer, já partida.

A Pala da Moura, “Casa ou Gruta da Moura”, é o nome popular atribuído a uma espécie de caverna rochosa, na qual são evidentes vestígios da presença humana. Segundo versão popular, essa presença remonta "apenas" à época da ocupação mourisca, daí o nome; mas como os nossos antepassados Búrios não permitiram que os sarracenos dominassem esta região de Entre Homem e Cávado, deduzo que a ocupação daquele monte será muito mais remota.
Considero, por isso, que a Pala da Moura merece um estudo criterioso de técnicos especializados; à atenção, por exemplo, do gabinete municipal de arqueologia.

     
Uma foto com três pedaços de terracota encontrados no Monte Crasto e outra com "olhares" sobre a paisagem

sábado, 4 de dezembro de 2010

Evocando Francisco Sá Carneiro

"Desisti de procurar quem me compreenda; sei que é totalmente impossível!" - Sá Carneiro
Na noite de 4 de Dezembro de 1980, no momento da queda da aeronave que vitimou Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, estava eu no início da minha carreira docente, na Escola da Veiga, em Guimarães, colocado em mini-concurso, no ensino noturno, como professor-estudante (frequentando, durante o dia, o 5º ano do meu curso universitário), quando, no intervalo das aulas, ao entrar na sala de professores, uma colega se abeirou de mim e, com um ar que denunciava satisfação, disse: “o Sá Carneiro morreu. “
Fiquei chocado!...
Eu era um jovem que despertara para a vida política, como qualquer jovem da minha geração, devido ao 25 de Abril, e, por influência familiar, nomeadamente do meu tio Manuel Cracel, fui consolidando uma perspetiva social-democrata de sociedade, notoriamente entusiasmado pela figura de Sá Carneiro, tendo inclusivamente participado em comícios em que ele estivera presente, e do qual conseguira (vejam só) um autógrafo num boné laranjinha (que, entretanto, levou sumiço)!
Estranhamente, ou talvez não, nunca fui militante de qualquer partido ou organização política, embora a minha orientação político-partidária tenha recebido forte influência dos valores doutrinários que Francisco Sá Carneiro propunha, e que se tornaram nos princípios programáticos do PSD.
Hoje, porém, a política também já não é o que era!... As práticas de alguns dirigentes, ao longo destes 30 anos após Sá Carneiro, têm renegado, por vezes despudoradamente, aqueles valores e princípios!

Lição nº 2 / Sumário: A Cacofonia

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Aqui, há português (in)correto... (22)

Sumário: as palavras homófonas
Já assisti a muitos e variados concertos!... Desde bandas filarmónicas, orquestras sinfónicas, bandas de rock, grupos de música tradicional, fado, música pimba, enfim, uma vasta gama de géneros musicais... até já vi tocar "violino" num serrote! Agora com sapatos, ai isso não, nunca!
É verdade que este conserto é para afinar os sapatos, mas...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Elucubrações... pretensamente poéticas: dança

batem as macetas nos tambores
e meneiam-se os corpos
em círculos de pele
ao ritmo do baile mandado
corridinho
vira ou malhão...
assim a vida balança
(dança e contradança)
com volteios rituais
de recusa
e sedução

macviana
02.12.2010

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Canção que me fica no ouvido: "Bairro do Amor", Jorge Palma


G Am7/F Am7/E Cadd/D

G            F#            Bm          C#
No bairro do amor a vida é um carrocel
            F#m            B                     E
Onde há sempre lugar para mais alguém
      G              F#                Bm         E
O bairro do amor foi feito a lápis de cor
          D        A                  Bm         D
Por gente que sofreu por não ter ninguém
      G             F#                   Bm          C#
No bairro do amor o tempo morre devagar
       F#m                B                 E
Num cachimbo a rodar de mão em mão
       G               F#                  Bm             E
No bairro do amor há quem pergunte a sorrir
                D                 A                   Bm          Bb  Eb  D
Será que ainda cá estamos no fim do verão?

     G                     Em
Eh pá, deixa-me abrir contigo
            Eb
Desabafar contigo
     Bb           Eb           G
Falar-te da minha solidão
G                     Em
Ah, e é bom sorrir um pouco
              Eb
Descontrair-me um pouco
    Bb              Eb              G
Eu sei que tu compreendes bem

G Am7/F Am7/E Cadd/D
     G               F#              Bm                C#
No bairro do amor a vida corre sempre igual
       F#m            B                E
De café em café, de bar em bar
      G            F#             Bm            E
No bairro do amor o sol parece maior
               D                              Bm
E há ondas de ternura em cada olhar
    G              F#           Bm            C#
O bairro do amor é uma zona marginal
       F#m            B                E
Onde não há prisões nem hospitais
      G              F#m          Bm              E
No bairro do amor cada um tem que tratar
            D                  A              Bm        Bb   Eb   D
Das suas nódoas negras sentimentais

    G                         Em
Eh pá, deixa-me abrir contigo
            Eb
Desabafar contigo
   Bb          Eb            G
Falar-te da minha solidão
G                    Em
Ah, e é bom sorrir um pouco
               Eb
Descontrair-me um pouco
    Bb              Eb               G
Eu sei que tu compreendes bem