quarta-feira, 7 de março de 2012

Ursos no Gerês?!...


No post http://carris-geres.blogspot.com/2012/03/um-urso-na-albergaria.html, do blogue "Carris", são publicadas algumas fotos de um urso pardo no Gerês.
São, garante Rui Barbosa, autor do blogue, fotos fidedignas. Tratou-se, segundo informação ali veiculada, de um urso domesticado usado nas filmagens de um spot publicitário.
Há, no entanto, vozes que vêm defendendo a (re)introdução daquele plantígrado no Gerês. Coincidência ou não, ultimamente, tenho ouvido e lido alguns testemunhos de avistamentos de ursos pardos por estas bandas... Até que ponto é verdade, não sei!...

Sei que, hoje, é socialmente, politicamente, ambientalmente e, até, snobemente correto regozijarmo-nos com a recuperação de "certos" animais e com a biodiversidade, mas URSOS ?!... VALHA-NOS DEUS!...

Para mim, que não sou hipocritamente correto, a introdução do urso no Gerês é um absurdo e uma afronta, e, a aventar-se tal hipótese, tudo farei para estar na trincheira de uma reação enérgica (para usar um eufemismo) a tão estrambólica intenção…

23 comentários:

  1. Para sua informação o Urso pardo já foi um animal que habitou a serra do Gerês, penso que foi extinto no sec. xix.
    Da mesma forma que a Víbora, réptil que existe com fartura na serra da Peneda-Gerês, ninguém acha uma afronta tal animal.
    Um Abraço
    Quito Arantes

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  2. Bom dia, Quito Arantes!

    No “Thesouro de Braga descuberto no Campo do Gerez, 1728” - Edição fac-similada da Câmara Municipal de Terras de Bouro, 1994 - diz José Matos Ferreira referindo-se ao urso: “Hoje se não acha no Gerês tal casta de animal (…). O último que se matou, conforme referem os velhos da terra, foy pouco mais ou menos no ano de 1650, na Quelha da Ursa, que fica para a Chã da Fonte, junto à Casa da Neve”.

    Não lhe posso, portanto, agradecer a “informação” já que é sobejamente sabido que os ursos não só habitaram o Gerês como todas as serras de Portugal. E uns largos milhões de anos antes deles, até dinossauros por cá houve… e homens, não.
    Se o critério passasse a ser a reposição de animais que já habitaram na serra, não haveria limites…
    Ora, o PNPG é um parque com GENTE, e os ursos, não tendo comida bastante, recorrem aos povoados…
    Imagine-se o que aconteceria num parque que não tem recursos para dar de comer a um melro, quanto mais a ursos!...
    Abraço

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  3. Mais uma vez, quem não vive no PNPG acha-se capaz de lhes ditar os destinos e orientações.
    É sempre tão fácil quando se vê de fora.

    ACP

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  4. Viva,

    poderia dizer qual a fidelidade de quem diz ter avistado ursos-pardo no PNPG? Apenas acho estranho quem anda frequentemente no terreno, nunca se ter deparado nem com um animal desse porte, muito menos com indícios da sua presença (excrementos, pegadas, restos alimentares, marcações...)

    E não, o PNPG não tem condições para albergar uma população de ursos. nem em termos de habitat, nem em termos de aceitação social. Imagine os conflitos que existem com o lobo, quanto mais com ursos!

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  5. Viva!
    Não tenho quaisquer dados fiáveis relativamente à presença do urso.
    Também percorro trilhos pela serra e nunca vi o mais leve indício da sua presença. Apenas li, nas redes sociais, o testemunho de um pai e respetiva filha que (convictamente o afirmavam) teriam avistado um urso pardo nos montes de S. João da Balança, em Terras de Bouro. Próximo, portanto, dos limites do PNPG.

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  6. Poderá tb ler o que se vai dizendo por aqui: http://ambio.blogspot.pt/2009/12/o-urso-e-conservacao.html

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  7. Aqui vai a minha humilde opinião:

    Como diria alguém, do Gerês, querem-se é pessoas, não animais. É mais importante a conservação dos interesses dos visitantes, do que da fauna local. O reaparecimento da cabra selvagem ( ainda que de subespécie diferente) ajudou um bocado a aumentar o interesse em proteger a tranquilidade das falésias e plataformas rochosas, porque senão e com a águia real, como nidificante já extinta, a escalada radical teria certamente menos razões para ser proibida. No fundo, há 15-20 anos atrás, o Gerês era um recreio de crianças, mas dominado por adultos. E hoje, ainda que tenha melhorado um pouco, ainda está longe de como deveria ser ( já há décadas).
    Quando estive num parque nacional de França, ali era o contrário, os animais eram donos dos seus domínios e os humanos só tinham era que dar-lhes prioridade.
    Isto porque já existe tanto espaço para as pessoas, não é?
    Claro que o Gerês, não deveria perder as suas gentes, por causa de alguns ambientalistas, que querem pôr lá ursos; ainda que eventualmente a convivência entre as gentes antigas do Gerês e o urso da região, fossem se calhar mais pacíficas e complexas, do que muita gente (que se diz da terra) quer fazer ver.
    Mas pensar no Gerês, contando apenas com o que existe no lado português da fronteira ( ainda que em vários aspetos até esteja melhor conservado que no lado espanhol)é um erro bastante grave, pois a natureza não conhece as fronteiras humanas e o Gerês é na verdade um espaço natural contínuo muito maior, do que muita gente pensa.
    Deviam também começar a pensar numa forma de resolver a questão da águia-real e de um possível centro de reprodução do tetraz, que até hoje não se compreende, nem se aceita, como é que ainda não começou. Parece que é mais importante, sustentar os visitantes e os pseudo locais ( tudo espécies raras a proteger no nosso único parque nacional), com o nosso dinheiro.

    Se o urso, começar a aparecer no Gerês de forma espontânea, é sem dúvida interessante e se calhar é também uma bofetada de luva branca em muita gente.

    Contudo acho que a zona do P. N. de Montesinho/Sanabria/Culebra tem mais hipóteses de albergar alguns ( poucos ursos), porque existem provas científicas de já andarem a deambular em zonas próximas da fronteira e o isolamento da região ser ainda maior do que no Gerês ( além de estarmos a falar de uma zona com grande densidade lobeira, um excelente sinal de saúde ambiental).
    É uma questão de (pouco) tempo, até começarem a aparecer de novo por cá. Penso que não deve ser feita reintrodução de ursos na zona de Sanabria/Montesinho/Culebra ( pelo menos para já), porque desde que sejam tomadas algumas medidas básicas de conservação, os ursos recolonizarão esta vasta região natural, pelo próprio pé.
    Claro que nem tudo são rosas e mesmo esta zona, tem os seus problemas, mas não são comparáveis aos da maior parte do Gerês.

    Abraço,

    G.

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    1. Concordo absolutamente com este comentário, que revela uma suprema maturidade e inteligência em relação a todos os outros. Mais nada tenho a acrescentar e só desejo um futuro risonho para urso-pardo-ibérico.

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    2. "E quem fala assim, não é gago..!" Muito bem.

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  8. E dizer que o último urso do Gerês morreu no século XVII, é um sinal claro de desatenção.
    Existe um caso de um urso morto por autoridades, já no século XX e mesmo junto à fronteira portuguesa.
    Se quiserem mais detalhes basta googlar sobre o sucedido:
    http://www.google.pt/#hl=pt-PT&gs_nf=1&cp=21&gs_id=2e&xhr=t&q=urso+pardo+ger%C3%AAs+1946&pf=p&sclient=psy-ab&oq=urso+pardo+ger%C3%AAs+1946&aq=f&aqi=&aql=&gs_l=&pbx=1&bav=on.2,or.r_gc.r_pw.r_qf.,cf.osb&fp=6cd81accdff54bd5&biw=1024&bih=587

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  9. Estou estupefacto com o que aqui li. O macviana tudo fará para impedir Ursos no PNPG? Quando aparecerem (e acredite que vão aparecer mais tarde ou mais cedo) o senhor vai pegar na caçadeira e dar cabo deles?

    Com essa conversa de 1650 demonstra como está afastado do que realmente aconteceu e está a acontecer com esta espécie no norte da península. Existem várias observações directas e indirectas (vestígios) de ursos na Galiza, algumas das quais bem perto da nossa fronteira. Por isso é uma questão de tempo até que algum se estabeleça na nossa parte do território. Possivelmente acontecerá primeiro no Montesinho, mas o Gerês claramente é uma possibilidade.

    Se já andou por lá algum, não faço ideia, mas quando finalmente aparecer uma foto de um urso no Gerês ou Montesinho, não irá ser surpresa nenhuma.

    É engraçado que parece que está a fazer de um dinossauro ou extra terrestre e não de um animal que sempre andou por estes lados. Ainda por cima quando uma população de urso "arranja" menos problemas que os lobos. Basta ver o que acontece nas serras espanholas e de outros países europeus.

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    1. Claro que tudo farei, na medida do que me for civicamente possível, para impedir a introdução de ursos.
      O que eu gostaria, efetivamente, era de ver os dirigentes do PNPG preocupados com o bicho Homem que por aqui sobrevive...
      Decisões de política ambiental séria terão de ter em conta esta realidade: o PNPG não é uma área selvagem. Aliás, cerca de 90% do território integrado no parque é propriedade privada.
      Cmpts

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    2. Haja civismo macviana.
      Parece-me é que o seu sentido cívico está um pouco distorcido.
      Existe uma diferença entre a hipótese e a obrigação de se contribuir para o futuro colectivo, não apenas da nossa espécie, mas de todas as espécies de vida que habitam no nosso planeta. Talvez ainda não tenha percebido, mas este é o NOSSO planeta. Não é o seu, nem da sua (NOSSA) espécie.
      Sem querer entrar em áreas mais académicas, lembro-lhe que o sistema natural da terra é o que sustenta os sistemas artificiais criados por nós. Logo, e traduzindo, se não se respeitar a natureza, ter-se-ão graves consequências futuras a um nível planetário.
      Não é re-introduzindo o urso ibérico no PNPG, que se vão reverter todos os males feitos, mas pelo menos ajuda e é algo positivo para os sistemas naturais das regiões envolvidas.
      Os ursos têm de ser protegidos e existem pessoas cujo dever cívico (e não só) é protegê-los. Atenção ao que diz e principalmente ao que faz.
      Cumps.

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  10. O bicho Homem já tem a maior parte do país para ocupar e estragar. Conheco muito bem o Gerês e os vários tipos de fauna humana que por lá pululam. Se alguns apenas usam o parque para passar as férias e um ou outro fim de semana, outros que se dizem "históricamente" com direitos a ocupar o lugar apenas estão interessados basicamente em ir buscar subsídios ao estado seja porque vivem em zonas desfavorecidas, seja porque criam raças autoctones (em que declaram que têm 50 garranos e se calhar nem 5 têm); Claro que o Gerês não é uma área selvagem, existem muitos interesses envolvidos para que ele não seja, mas não se esqueçam é o nosso dinheiro que mantém isso tudo.

    Mike

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  11. Humildemente apenas gostava de referir que quando a natureza entender que chegou novamente o tempo do Urso Pardo voltar a estabelecer-se nos seus territórios ancestrais em Portugal, penso então que este acontecimento passará nos primeiros tempos ocmpletamente despercebido ao Homo Sapiens sapiens, e quando o homem der finalmente pela presença deste magnifico plantígrado, que primeiro que tudo nunca devia ter sido extinto em Portugal, a situação já será irreversível. Acho que neste momento a nossa maior preocupação devia ser por qual das soluções o homem vai optar: acolher novamente o urso no norte de portugal, ou voltar a extingui-lo pela segunda vez?

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  12. Será só para lhe informar de que não estando a a sua presença para já confirmada, confirmada está a presença a 20 km da fronteira portuguesa. Como a fauna e a flora não teem fronteiras, o mais natural será a sua entrada natural ( não reintroduzida pelo homem) para território português. A não ser que o sr esteja de sentinela na fronteira mais os seus amigos, munidos de uma caçadeira para os abater, eles irão naturalmente instalar-se no norte do país.

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  13. Eles já andam a rondar a Sanabria por isso é uma questão de tempo para chegarem a Montesinho, e quem não gosta não come e que se cale(gente com a mania que manda no território). Este animal é Iberico por isso tem que regressar a Portugal.

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    1. Esta “gente com a mania que manda no território” não se considera tão mandona que se permita dizer aos outros que “quem não gosta não come e que se cale”.
      Democracia avançada e profundidade argumentativa, sim senhor!...

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    2. a terra antes de ser apoderada pelo homem nao era de ninguem era selvagem e quanto a mim assim deveria continuar mas o homem embuido pela ganancia do dominio e pelo prazer da masturbaçao verbal e terrorismo ambiental leva a humilhaçao das outras especies em prol das suas aventuras industriais

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    3. os lobos ,linces e ursos fazem parte do nosso imaginario e no meu caso sinto me feliz em saber que vivo num pais que os tem e que tem orgulho em defende los pena e que a estrutura politica ou social esteja aquem da realidade e por isso algumas pessoas manifestam a sua insatisfaçao porque nao teem beneficios quandos deviam ter no entanto nao podemos obrigar pessoas a gostarem de animais porque simplesmente nunca foram povoados pelo imaginario atras referido por mim desde que as populaçoes sejam enaltecidas protegidas e sobretudo merecidamente ressarcidas por algum estrago todos os animais selvagens serao por mim recebidos na terra onde tambem eu nasci.

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    4. e bonito percorrer as ruas de puebla de sanabria e ver as corças passarem por entre o transito ao entardecer nao percebo a razao porque e tao dificil acontecer ca,seremos assim tao distintos e superiores

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    5. “nao podemos obrigar pessoas a gostarem de animais porque simplesmente nunca foram povoados pelo imaginario...”

      Excelentíssimo(a) Unknown, não devemos confundir a discordância pela introdução de animais em certas áreas com o “gostar de animais”. Por mim, não só o meu imaginário foi povoado (tem piada o termo “povoado”) por lindas histórias de animais, como a minha vida foi partilhada com muitos deles - cães, gatos, galinhas, coelhos, porcos, cabras, vacas, cavalos… e algumas vezes me cruzei com lobos, raposas, fuinhas, ginetos, corços, cobras e lagartos…
      O problema está muitas vezes no facto de se considerar estas questões como "contos de fadas"!...
      Cmpts

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    6. cumprimentos retribuidos meu caro Viana mas sinceramente nao vejo em nada disto conto de fadas e a haver tambem nao vejo razao para ser so do outro lado da fronteira nao decedidamente a nossa diferença esta sem duvida no ponto de vista sobre uma so realidade as opinioes nao teem que ser tao luminosas nem obscuras depende do efeito sombra que o tal dito povoado que tanto tem piada nos proporciona....cumprimentos

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