terça-feira, 17 de dezembro de 2013

"Não passarão" - de Miguel Torga

Não desesperes, Mãe!
O último triunfo é interdito
Aos heróis que o não são.
Lembra-te do teu grito:
Não passarão!

Não passarão!
Só mesmo se parasse o coração
Que te bate no peito.
Só mesmo se pudesse haver sentido
Entre o sonho vertido
E o sonho desfeito.

Só mesmo se a raiz bebesse em lodo
De traição e de crime.
Só mesmo se não fosse o mundo todo
Que na sua tragédia se redime.

Não passarão!
Arde a seara, mas dum simples grão
Nasce o trigal de novo.
Morrem filhos e filhas da nação,
Não morre um povo!

Não passarão!
Seja qual for a fúria da agressão,
As forças que te querem jugular
Não poderão passar
Sobre a dor infinita desse não
Que a terra inteira ouviu
E repetiu:
Não passarão!

In Poemas Ibéricos

sábado, 30 de novembro de 2013

Aqui, há português (in)correto... (39)



Se Antônio Domingo Rufatto, um Prefeito perfeito, lá em Paranaíta, no Mato Grosso, declarou... está declarado.

domingo, 20 de outubro de 2013

Aqui, há português (in)correto... (38)

Legendista da TVI 24 e jornalista da Lusa destacam a mesma circunstância: há muito tempo que Juncker está no poder!...

domingo, 15 de setembro de 2013

Há títulos que são uma vergonha para o jornalismo!


A Lei determina que todos os candidatos às autárquicas tenham direito a participar nas suas campanhas; logo, é perfeitamente natural que os professores que são candidatos também possam usufruir desse direito... Ou deveriam ser impedidos?...
Se uma boa parte dos candidatos são professores, isso só comprova aquilo que eu há já muito tempo tenho como adquirido: são os professores quem mais se envolve nos movimentos sócio-culturais das comunidades. Quase sempre encontro professores como mentores e dinamizadores de campanhas de solidariedade, de movimentos ambientalistas, em grupos de teatro, corpos de bombeiros, grupos corais, folclore, arte, desporto, artesanato, enfim, na esmagadora maioria das ações de voluntariado há professores envolvidos.
Por que razão não se poderão envolver numa campanha política para as suas comunidades locais?...
Que pretende um título tão sensacionalista e acintoso para uma classe profissional como este?...  Ou é apenas mau jornalismo?...

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Ao Poço Azul...

Há dias, fiz uma curta caminhada até ao Poço Azul, uma lagoa paradisíaca do Gerês mais íntimo!...
A qualidade das fotos pode não justificar a perda de três minutos; a música, porém, vale um tesouro!...


Caminhada à Meda da Rocalva


terça-feira, 2 de julho de 2013

"A queda de um governo": ópera bufa à portuguesa.


Não resta a Passos Coelho outra atitude que não seja sair de cena!... Por que razão insiste em se manter no palco?...
Para mim, que nunca fui militante de qualquer partido político, embora tenha participado na vida autárquica sob a bandeira da social-democracia, é confrangedor ver o papel de cómico que o primeiro-ministro desempenha nesta infindável ópera bufa à portuguesa!...

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Nelson Mandela: Pai de nós!...

                                   aproxima-se o termo da viagem,
                            mas continuará a tua Humanidade, Madiba!


Há dias, vi num cartaz algo como isto: 
"Se a Humanidade tivesse que ter um Pai, esse seria Nelson Mandela"

segunda-feira, 24 de junho de 2013

À Meda da Rocalva... em oração.

                                              
                                                garrano tresmalhado,
                                                subi ao grande prado,
                                                a saciar-me de paz e liberdade!...


terça-feira, 18 de junho de 2013

segunda-feira, 10 de junho de 2013

No "Dia de Camões"...

Ao desconcerto do Mundo

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.

                  Luís de Camões

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Greve às reuniões de avaliação?!...

Duvido muito que a falta às reuniões de avaliação seja a forma de luta mais pertinente e lúcida!...
Uma greve às reuniões penaliza, sobretudo, os próprios professores... que terão de as realizar, mais tarde ou mais cedo, num qualquer outro dia, e a desoras, por certo.
Uma greve às reuniões não é mais do que o adiamento dessas mesmas reuniões...
Ora, como até à data ninguém foi capaz de me explicar a dimensão de luta e alcance reivindicativo que o adiamento de uma reunião possa ter…


domingo, 2 de junho de 2013

“Heróis do Homem e Cávado” - de António da Mota Gonçalves


Este blogue,

(clicar na imagem)

que já venho a seguir há cerca de um ano, e que, segundo o seu autor, António da Mota Gonçalves, de Amares,”tem como intuito partilhar informações relativas ao povoamento das freguesias dos concelhos de Amares, Braga, Póvoa de Lanhoso, Terras de Bouro, Vieira do Minho e Vila Verde”, tem vindo a publicar muita informação sobre os Heróis do Homem e do Cávado, nossos vetustos avós…
Relativamente a Terras de Bouro, por exemplo, há elementos bastantes para quem tenha curiosidade ou interesse na pesquisa. É só “vasculhar” e correr as páginas...

Ora, ontem, 1 de junho, foram publicados vários registos biográficos de pessoas naturais de “Chorence”, freguesia de que é originária a minha linha parental materna. 
Numa breve consulta, encontrei dados, que oportunamente hei de organizar, sobre a minha avó, Alzira Maria, e sobre a tia Delfina (irmã da minha avó).




O António Mota (que ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente) teve a gentileza de me enviar o seguinte mail:

"Prezado Manoel C. Viana
Apesar de hoje divulgar - Chorence G.900 - o que lhe deve interessar é o que vai ser divulgado lá para 3ª Feira em - Chorence 1ª parte - . 
Bom Fim de Semana"

Estou expectante!...

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Recordando o Ademar...


Improviso para cota e violoncelo…


Guarda-me por uma vez na estante
dos teus segredos
que eu seja somente
uma dedicatória
ou nem isso
um livro mais
entre tantos
oferecido
ao tempo furioso das tuas mãos
e tão breve
e lê-me apenas
quando tiveres saudades
dos olhos com que me adormeces
encaderna-me se quiseres
para que eu dure ainda mais
e abre-me devagar
folheia-me lentamente
página a página
na íntima desordem
dos teus pensamentos. 

Ademar
27.02.2010




terça-feira, 12 de março de 2013

"MILIÁRIO" - o novo jornal da minha Escola

Há já muitos anos que a minha Escola não tinha um jornal!... Houve tempos em que era editado trimestralmente "O Sinal de Terras de Bouro". O meu caríssimo e saudoso colega Prof. Ademar Santos, colaborador do "Expresso", era o grande impulsionador desse projeto de informação, e eu um colaborador empenhado e disposto a aprender um pouco de jornalismo. Com a saída do Ademar, o "Sinal" deixou, nos moldes em que era produzido, de ser viável.
Sucedeu-lhe o jornal "GEIRA", mais modesto, do qual foram publicados apenas três ou quatro números, pois alguns rotineiros agentes do ensino, não sendo capazes de criar quaisquer projetos inovadores e pedagogicamente mobilizadores, tudo fizeram para obstaculizar o que, por ser dinâmico, os pudesse reduzir à sua tacanhez...
Cerca de quinze anos esteve, então, a minha Escola sem jornal!...
Este ano letivo, criadas novamente as condições para o envolvimento de um grupo de professores e de alunos no projeto "GEIRA - Grupo de Estudo, Informação, Recreio e Artes", foi possível recuperar a publicação de um novo jornal escolar. E, inspirado nos marcos graníticos que registam os feitos do passado, eis o "MILIÁRIO":

(Hoje, edito online o primeiro número, no dia em que está para impressão o segundo)

sexta-feira, 8 de março de 2013

No Dia Internacional da Mulher...


Perdoem-me "as mulheres da minha vida", mas, hoje, a minha homenagem vai para esta mulher, "a primeira a pegar em mim ao colo", como gostava de lembrar sempre que se cruzava comigo.
A "Se Maria da Formiga", a mulher que ajudou minha mãe a trazer-me à vida, morreu!... Hoje.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Património e sítios com história(s): a Via Sacra de Souto

A Via Sacra de Souto, em Terras de Bouro, é um núcleo de património religioso único, que urge referenciar, classificar e proteger. Todas as estações são de construção tipicamente naïf, em pedra "talhada" com esculturas em alto relevo que nos remetem para os passos da Paixão de Jesus Cristo (apenas uma, talvez a nº 11, não apresenta qualquer figura).
Dos catorze quadros que compõem a Paixão, não consegui localizar dois deles, o doze e o treze...
Regressarei a Souto e, com tempo e informações mais precisas, talvez possa atualizar este post com as estações em falta.

Aqui ficam algumas das fotografias que hoje fiz:




domingo, 1 de julho de 2012

1º Domingo de Julho: Festa da Senhora do Livramento

No dia da Festa da Senhora do Livramento, em Vilar, Terras de Bouro, recordo estes dois lindos fados: um, cantado por Amália, aí pelos anos 60, faz referência subtil à guerra colonial; o outro é interpretado por Camané e Maria da Fé.



Senhora do Livramento,
Livrai o meu namorado
Que me vai deixar sozinha,
Ai, meu Jesus!
Ai, meu Jesus!
Pela vida de soldado!
Pela vida de soldado!
As vossas tranças, Senhora,
São loiras como as espigas!
Senhora do Livramento,
Ai, meu Jesus!
Ai, meu Jesus!
Ajudai as raparigas!
Ajudai as raparigas

Senhora do Livramento 
Livrai-me deste tormento 
De a não ver há tantos dias 
Partiu zangada comigo 
Deixou-me um retrato antigo 
Que me aquece as noites frias
Senhora que o pensamento 
Corre veloz como o vento 
Rumando estradas ao céu 
Fazei crescer os meus dedos 
P´ra desvendar os segredos 
Num céu que não é só meu
Senhora do céu das dores 
Infernos, prantos, amores 
A castigar tanto norte 
Porque é que partiste um dia 
Sofrendo a minha agonia 
E não me roubaste a morte

domingo, 10 de junho de 2012

Sampaio da Nóvoa: "...ou nos salvamos a nós ou ninguém nos salva"...

Eis como é possível, mesmo em momentos de circunstância, dizer muito mais do que apenas palavras de circunstância...


António Sampaio da Nóvoa, Reitor da Universidade de Lisboa, na qualidade de Presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal, proferiu um discurso notável, clarividente, programador...
Portugal precisa de cidadãos assim...

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Canção que trago no ouvido: "No teu poema", de José Luís Tinoco

Não podendo estar presente, na biblioteca da minha escola, numa sessão de leitura de "Poesia ao entardecer..." promovida por um grupo de colegas, deixo aqui este lindo poema de José Luís Tinoco, que também o musicou, num tempo bastante criativo para a música portuguesa, interpretado por Carlos do Carmo:


No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida

No teu poema
Existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E aberta uma varanda para o mundo

Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da Senhora d'Agonia e o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria

Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco a raiva e a luta
De quem cai ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte

No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inquietos de quem fala

No teu poema
Existe um cantochão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano

 Existe um rio
O canto em vozes juntas, vezes certas
Canção de uma só letra e um só destino a embarcar
No cais da nova nau das descobertas

Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco a raiva e a luta
De quem cai ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte

No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do mundo
Existe tudo mais que ainda me escapa
É um verso em branco à espera
Do futuro

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Pergunta: em que é que esta gente que “observa” torna o País melhor ???


Recebi, na caixa de email, esta:

A quantidade imensa de gente que afirma andar a observar...

São só 111 observatórios... 


Observatório do medicamentos e dos produtos da saúde
Observatório nacional de saúde
Observatório português dos sistemas de saúde (...só para a saúde são 3 !!!)
Observatório vida
Observatório do ordenamento do território
Observatório do comércio
Observatório da imigração
Observatório para os assuntos da família
Observatório permanente da juventude
Observatório nacional da droga e toxicodependência
Observatório europeu da droga e toxicodependência
Observatório geopolítico das drogas (...mais 3 !!!)
Observatório do ambiente
Observatório das ciências e tecnologias
Observatório do turismo
Observatório para a igualdade de oportunidades
Observatório da imprensa
Observatório das ciências e do ensino superior
Observatório dos estudantes do ensino superior
Observatório da comunicação
Observatório das actividades culturais
Observatório local da Guarda
Observatório de inserção profissional
Observatório do emprego e formação profissional (...???)
Observatório nacional dos recursos humanos
Observatório regional de Leiria (...o que é que esta gente fará ??)
Observatório permanente do ensino secundário
Observatório permanente da justiça
Observatório estatístico de Oeiras (...deve ser para observar o SATU !!!)
Observatório da criação de empresas
Observatório Mcom
Observatório têxtil
Observatório da neologia do português
Observatório de segurança
Observatório do desenvolvimento do Alentejo
Observatório de cheias  (...lol...lol...)
Observatório da sociedade de informação
Observatório da inovação e conhecimento
Observatório da qualidade em serviços de informação e conhecimento (...mais 3 !!!)
Observatório das regiões em reestruturação
Observatório das artes e tradições
Observatório de festas e património
Observatório dos apoios educativos
Observatório da globalização
Observatório do endividamento dos consumidores (...serão da DECO ??)
Observatório do sul Europeu
Observatório europeu das relações profissionais
Observatório transfronteiriço Espanha-Portugal  (...o que é estes fazem ???)
Observatório europeu do racismo e xenofobia
Observatório dos territórios rurais
Observatório dos mercados agrícolas
Observatório virtual da astrofísica
Observatório nacional dos sistemas multimunicipais e municipais (...valha-nos a virgem !!!)
Observatório da segurança rodoviária
Observatório das prisões portuguesas
Observatório nacional dos diabetes
Observatório de políticas de educação e de contextos educativos
Observatório ibérico do acompanhamento do problema da degradação dos povoamentos de sobreiro e azinheira (lol...lol...)
Observatório estatístico
Observatório dos tarifários e das telecomunicações (...este não existe !!! é mesmo tacho !!!)
Observatório da natureza
Observatório qualidade
Observatório da literatura e da literacia
Observatório da inteligência económica (hé! hé!! hé!!!)
Observatório para a integração de pessoas com deficiência
Observatório da competitividade e qualidade de vida
Observatório nacional das profissões de desporto
Observatório das ciências do 1º ciclo
Observatório nacional da dança
Observatório da língua portuguesa
Observatório de entradas na vida activa
Observatório europeu do sul
Observatório de biologia e sociedade
Observatório sobre o racismo e intolerância
Observatório permanente das organizações escolares
Observatório médico
Observatório solar e heliosférico
Observatório do sistema de aviação civil (...o que é este gente fará ??)
Observatório da cidadania
Observatório da segurança nas profissões
Observatório da comunicação local (...e estes ???)
Observatório jornalismo electrónico e multimédia
Observatório urbano do eixo atlântico (...minha nossa senhora !!!)
Observatório robótico
Observatório permanente da segurança do Porto (...e se cada cidade fosse criado um !!!)
Observatório do fogo (...que raio de observação !!)
Observatório da comunicação (Obercom)
Observatório da qualidade do ar (...o Instituto de Meteo e Geofisica não faz já isto ???)
Observatório do centro de pensamento de política internacional
Observatório ambiental de teledetecção atmosférica e comunicações aeroespaciais (...este á bom !!! com o nosso desenvolvimento aero-espacial !!!)
Observatório europeu das PME
Observatório da restauração
Observatório de Timor Leste
Observatório de reumatologia
Observatório da censura
Observatório do design
Observatório da economia mundial
Observatório do mercado de arroz
Observatório da DGV
Observatório de neologismos do português europeu
Observatório para a educação sexual
Observatório para a reabilitação urbana
Observatório para a gestão de áreas protegidas
Observatório europeu da sismologia (...o Instituto de Meteo e Geofisica não faz isto também ???)
Observatório nacional das doenças reumáticas
Observatório da caça
Observatório da habitação
Observatório do emprego em portugal  (...este é mesmo brincadeira !!!)
Observatório Alzheimer
Observatório magnético de Coimbra

Sem comentários...

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Mas está tudo doido ou quê?!...

Expliquem-me isto, que eu não entendo:

- um dirigente dá ("alegadamente", como é de bom tom) dinheiro a um árbitro, sem este o saber, para, com isso, beneficiar o seu clube, fazendo com que o dito árbitro, afinal, seja, por denúncia daquele, impedido de arbitrar...
E reassume as funções... Que funções?


- um clube perde e é recebido em festa!...
- um clube ganha e é recebido com apupos!...


Como é que se diz, Scolari?...


quarta-feira, 28 de março de 2012

Pedro Barroso: o último dos trovadores...

Ontem, tive um sarau futebolístico. Dos quatro "onzes" em confronto na liga dos campeões, só não tinha portugueses... o português! E perdeu!
Hoje, deu-me p'ra ouvir "Cantos da Paixão e da Revolta", o último álbum de Pedro Barroso.
Gosto muito, sobretudo de "In nominae", cuja letra-poema é do meu conterrâneo e amigo, poeta da montanha, João Luís Dias (que já AQUI anunciara), e "Dá-me uma gota de ti":


Dei comigo
ao vidro baço e lento da janela
no palpebrar
cadente e moreno
dos teus olhos
a noite é apenas noite
e o silêncio
mudo
e apenas se ouve o sussurro
dos versos que te chamam…
em nome de tudo e de todos
os que ainda
amam


E o sorriso
foi dormir antes de mim
querendo-me a cama
morna
Se ausente te sei
mesmo que só um pouco
todo eu parto de mim
p’ra regressar-te
aos meus braços
louco
até que acorde
de tudo o que sonhei
nos beijos esquivos
que me chamam
e me sinta poeta do sentir
eu que nada sei
em nome de tudo e todos
os que ainda
amam


Dá-me uma gota de ti
Uma palavra que seja
Despida de todos os sinais
Vestida noutro lugar
Onde apitem vendavais
E gaivotas a cantar

Dá-me uma flor desfolhada
Com seiva de água na boca
E lonjuras de moinhos
Como alquimias de vento
A rasgar céus em pedaços
Como estilhaços do tempo

Dá-me um chá preto das cinco
E o Bolero de Ravel
Com a pauta sussurrada
Entre beijos no meu peito
Lábios carnudos que eu sinto
E o sabor da tua pele

Dá-me um trago de ti mesma
Em copo de ouro e cristal
P'ra que escondidos na noite
Celebremos o teu corpo
Com excessos soletrados
Num desrespeito total

quarta-feira, 7 de março de 2012

Ursos no Gerês?!...


No post http://carris-geres.blogspot.com/2012/03/um-urso-na-albergaria.html, do blogue "Carris", são publicadas algumas fotos de um urso pardo no Gerês.
São, garante Rui Barbosa, autor do blogue, fotos fidedignas. Tratou-se, segundo informação ali veiculada, de um urso domesticado usado nas filmagens de um spot publicitário.
Há, no entanto, vozes que vêm defendendo a (re)introdução daquele plantígrado no Gerês. Coincidência ou não, ultimamente, tenho ouvido e lido alguns testemunhos de avistamentos de ursos pardos por estas bandas... Até que ponto é verdade, não sei!...

Sei que, hoje, é socialmente, politicamente, ambientalmente e, até, snobemente correto regozijarmo-nos com a recuperação de "certos" animais e com a biodiversidade, mas URSOS ?!... VALHA-NOS DEUS!...

Para mim, que não sou hipocritamente correto, a introdução do urso no Gerês é um absurdo e uma afronta, e, a aventar-se tal hipótese, tudo farei para estar na trincheira de uma reação enérgica (para usar um eufemismo) a tão estrambólica intenção…

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Zeca Afonso... 25 anos depois!

Zeca Afonso morreu a 23 de fevereiro de 1987. Perfez ontem, portanto, 25 anos.
A Escola Básica e Secundária de Terras de Bouro, por proposta minha, aprovou em conselho pedagógico a promoção de um espetáculo que mostrasse aos alunos quem foi Zeca Afonso, personalidade marcante da luta pela liberdade, cantautor influente para muitas gerações.
Incentivei alguns alunos, músicos da Banda Musical de Carvalheira, convidei para tocar viola e "coordenação artística" o Luís Pinho, técnico superior de educação que temos o privilégio de ter na escola, e formamos uma banda especificamente para este "Tributo a Zeca Afonso... 25 anos depois": a "malta da escola".
Eis os vídeos da atuação (gravados e gentilmente cedidos pela prof.ª Sónia Coura):







terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Algures no PNPG: vida selvagem

Uma câmara de gravação noturna captou estas imagens reveladoras de um facto curioso da natureza: predadores e presas partilham (em momentos distintos, bem entendido) um espaço comum.

(vídeos tirados DAQUI - vernatureza.org)



 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Isto é que é AMOR A PORTUGAL!

                               "O mundo roda
                               e tudo muda sem parar,
                               mas uma coisa permanece igual
                               (...)
                               ...de janeiro a janeiro."

Para pagar impostos... “tamos” cá nós!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Todos os dias morrem 21.000 crianças com menos de cinco anos!... Como é possível?!...


Todos os dias morrem no mundo 21.000 crianças menores de cinco anos, de causas que são facilmente evitáveis, causas com as quais raramente nos preocupamos no nosso país – malária, subnutrição, água imprópria para beber, falta de uma simples vacina…
Se mais de 20.000 crianças morressem hoje num desastre de qualquer natureza, seria com certeza notícia de destaque em todo o mundo. Mas, quando o mesmo número de crianças não resiste à picada de um mosquito ou a um micróbio, poucas pessoas falam delas.
A UNICEF trabalha para pôr fim a estas mortes inaceitáveis!..."
(in folheto da UNICEF)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Tô vendo tudo, tô vendo tudo... mas, bico calado, faz de conta que sou mudo


C
                   F                      C
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
                      F7                                        C
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo
                 F                      C
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
                     F7                                         C
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

         F7
Um país que crianças elimina
Que não ouve o clamor dos esquecidos
                                                G7
Onde nunca os humildes são ouvidos
                                                  C
E uma elite sem Deus é quem domina
              C7                                      F
Que permite um estupro em cada esquina
                                       C
E a certeza da dúvida infeliz
                                                    F
Onde quem tem razão baixa a cerviz
                                                Am
E massacram-se o negro e a mulher
          C                                F
Pode ser o país de quem quiser
              G                                 C
Mas não é, com certeza, o meu país

       F7
Um país onde as leis são descartáveis
Por ausência de códigos corretos
                                                G7
Com quarenta milhões de analfabetos
                                       C
E maior multidão de miseráveis
        C7                                  F
Um país onde os homens confiáveis
                                                       C
Não têm voz, não têm vez, nem diretriz
                                                F
Mas corruptos têm voz e vez e bis
                                                Am
E o respaldo de estímulo em comum
          C                               F
Pode ser o país de qualquer um
              G                                 C
Mas não é, com certeza, o meu país

F       C      F7    Am     F      C       F7     C 
uh uh uh  /  uh uh uh   /  uh uh uh   / uh uh uh

        F7
Um país que perdeu a identidade
Sepultou o idioma português
                                       G7
Aprendeu a falar pornofonês
                                       C
Aderindo à global vulgaridade
        C7                               F
Um país que não tem capacidade
                                               C
De saber o que pensa e o que diz
                                               F
Que não pode esconder a cicatriz
                                             Am
De um povo de bem que vive mal
          C                          F
Pode ser o país do carnaval
              G                                 C
Mas não é, com certeza, o meu país

        F7
Um país que seus índios discrimina
E as ciências e as artes não respeita
                                                G7
Um país que ainda morre de maleita
                                     C
Por atraso geral da medicina
       C7                                  F
Um país onde a escola não ensina
                                              C
E hospital não dispõe de raios-x
                                             F
Onde a gente dos morros é feliz
                                               Am
Se tem água de chuva e luz do sol
          C                        F
Pode ser o país do futebol
              G                                 C
Mas não é, com certeza, o meu país

F        C   F7    Am   F      C     F7    C
uh uh uh / uh uh uh /  uh uh uh / uh uh uh

                  F                     C
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
                     F7                                         C
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo
                  F                      C
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
                     F7                                         C
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

        F7
Um país que é doente e não se cura
Quer ficar sempre no terceiro mundo
                                             G7
Que do poço fatal chegou ao fundo
                                              C
Sem saber emergir da noite escura
       C7                                   F
Um país que engoliu a compostura
                                     C
Atendendo a políticos sutis
                                                 F
Que dividem o Brasil em mil brasis
                                               Am
Prá melhor assaltar de ponta a ponta
                                          F
Pode ser o país do faz-de-conta
              G                                 C
Mas não é, com certeza, o meu país.

F       C    F7    Am   F       C    F7     C
uh uh uh / uh uh uh  /  uh uh uh / uh uh uh

                  F                     C
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
                     F7                                         C
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo
                  F                     C
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
                     F7                                         C
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo
                      F7                                           C
(Mas, bico calado... calado, mas tô vendo tudo)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

João Aguiar Campos - Diretor do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja


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João Aguiar Campos é natural de S. João do Campo, Terras de Bouro.
Foi jornalista e diretor do Diário do Minho e, mais recentemente, presidente do conselho de gerência do Grupo Renascença - Comunicação Multimédia.
Nos tempos da minha adolescência e juventude, tive o privilégio de ter o P.e João Aguiar como prefeito e professor, nos seminários diocesanos de Braga. Estudioso, competente e homem de grande liberdade de pensamento, foi ele quem me despertou para o estudo d' "Os Lusíadas", nunca se limitando a dividir e classificar orações, mas dando desta obra camoniana uma perspetiva reflexiva do modo de ser português, do caráter da sua universalidade no amor e na coragem, e nas "traições", que "também as houve, algumas vezes"...

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

No meio do caminho... tinha uma pedra!

katiakiss.wordpress.com/2011/02/24/a-pedra-no-meio-do-caminho/

No meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

In Alguma Poesia
Ed. Pindorama, 1930

domingo, 25 de setembro de 2011

Hoje, proponho este poema: "As pessoas sensíveis", de Sophia de Mello Breyner Andresen

As pessoas sensíveis

As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas

O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra

"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão.

"Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito

Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.

Sophia de Mello Breyner Andresen (Livro sexto)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Fojos do Lobo da Serra Amarela: Vilarinho da Furna e Brufe

Ontem, estiquei um pouco as pernas pelas encostas de Brufe e, caçador desenganado, cintei algumas fotos do fojo do lobo, na encosta da Amarela, sobranceira ao Rio Homem.
Como, em Dezembro próximo passado, capturara também imagens do fojo de Vilarinho da Furna, achei ter argumento para me estrear como "realizador" e fazer este pequeno filme, cuja temática já AQUI abordara:

domingo, 11 de setembro de 2011

Pico da Nevosa: o topo da Serra do Gerês

Com uma altitude de 1548 metros, o Pico da Nevosa é o ponto mais alto da Serra do Gerês e, consequentemente, o segundo mais alto de Portugal Continental.
Há dias, acompanhado por três amigos (António Cunha, Víctor Cunha e Pedro Arantes) que ainda não precisam do pau de apoio, calcorreei a serra pelo lado espanhol, desde a Ermida de Nossa Señora do Xurês, pelas Minas das Sombras, até aos Carris e Pico da Nevosa, estes já em serra portuguesa.
O António Cunha, companheiro desta e de outras caminhadas, produziu este lindíssimo slideshow:

sábado, 3 de setembro de 2011

Elucubrações... pretensamente poéticas: sombras






superadas as sombras
rompemos o muro dos limites
e guiados por mariolas de vontades incrustadas
seguimos a rota
envolta em horizontes de névoas
até à conquista
marco a marco
do destino

e no pico mais alto
de granítica nudez
entranhamos o mais íntimo
desta nossa condição
de humana pequenez

macviana
03.09.2011