PEREGRINAÇÃO*
a Santiago de Compostela,
com partida da cidade de Guimarães
levada a cabo nos dias 1, 2, 3
e 4 de maio,
do ano da graça de 2014
* Nota Prévia: Por respeito aos peregrinos que, a pé, às
centenas, palmilharam o Caminho Jacobeu Português, devo deixar claro que os
termos “Peregrinação” e “Peregrino” serão, neste meu arrazoado, incorretamente
utilizados. Ainda pensei nos neologismos “Cicligrinação” e “Cicligrino”, “Bicigrinação”
e “Bicigrino”, mas pareceram-me termos vazios do sentido interior que, apesar de
tudo, esta viagem também me permitiu vivenciar.
Como no fantástico diário de viagem de Fernão
Mendes Pinto, hei de eu também nesta “PEREGRINAÇÃO” deixar
para memória futura relatos das terras, agrados e desagrados por que passei,
embora de todos não possa dar registo, “porque se
me houver de pôr a contar por extenso todas as particularidades desta Peregrinação,
além de não ter eu cabedal para tanto, me será necessário fazer um processo
muito mais largo e uma história muito mais comprida que esta; porém, como minha
tenção é somente tocar estas coisas como de corrida, trabalharei sempre quanto
puder para ser breve.”
Afastado
de toda a fantasia e do aforismo de que quem conta um conto lhe acrescenta um
ponto, vos alerto de que deveis crer em todo este mal-amanhado arrazoado, pois é funda
verdade tudo o que nele vai dito.
PREÂMBULO
DO QUE PASSEI NA PREPARAÇÃO DA DITA VIAGEM E DAS RAZÕES QUE
NOS LEVARAM A PARTIR DE GUIMARÃES
“Quando às vezes ponho diante dos olhos
os muitos e grandes trabalhos” desta minha viagem desde a cidade lusa
de Guimarães até ao Sepulcro do Santo Apóstolo na galega Compostela, “acho que com muita razão me posso dar por
contente”, que, fruto do acertamento da rota e das informações que houve
mester, muito se me abriu a curiosidade e o entendimento sobre este Caminho
Português de Santiago, de "peregrinos e crentes, hereges e profanos", como
adiante se saberá, chegados que formos a uma terra de nome Ponte de Lima.
Decidido
embora a meter-me ao caminho como romeiro solitário, o gozo desta aventura,
para segurança minha e sossego de outrem, foi partilhado na aprazível companhia
do Óscar Manuel Rodrigues, companheiro desta e de outras ditas e desditas.
Sobre
as coisas do apetrechamento dos alforges assaz me bastou a máxima: "Peregrino,
deja lo que puedas; toma lo que necesites", de modo que, assim pensando, assim agi, e me racionei com o
mínimo da sobrevivência: uma esteira, um saco-cama, uns trapos e o bornal.
Não eram dadas ainda as primeiras pedaladas, e já
de encontro ao meu pensamento acorriam as palavras de Miguel Torga:
“Em
qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar”.Esta nossa “Viagem” não é, pois, apenas a aventura serôdia de um cinquentão que, literalmente, ainda pensa ter pedalada para percorrer mais de duas centenas de quilómetros desde Guimarães até Santiago de Compostela, e de alguém que decidiu aceitar o duro desafio de quebrar com a rotina do quotidiano. É bem mais do que isso. É um reencontro. Com a loucura, com aquela loucura pessoana que liberta o homem da “besta sadia, cadáver adiado que procria”; com a interioridade, num tempo de tanta fachada; com a juventude, com a amizade; com a história, o património, a paisagem, as pessoas, os falares, a solidariedade, o sacrifício, a fé. É um reencontro com o meu próprio caminho.
Aqui
vão dois principiantes nas romagens a Santiago fielmente cumpridores dos
preceitos compostelanos!... Só o peregrino que percorra a pé ou a cavalo mais
de 15 léguas (100 kms), em dias consecutivos, apenas esses, à chegada a
Santiago serão reconhecidos pela Compostela, uma espécie de carta
probatória carimbada e assinada pelo "Deán de La S.A.M.I. Catedral de Santiago".
Se
de bicicleta for, haverá que percorrer, sempre em dias consecutivos, uma
distância superior a 30 léguas (200 kms). Ora, como de Braga a Santiago não há
distância com lonjura bastante, escolhemos Guimarães, cidade iniciática de
outras conquistas, que dista da Tumba do Santo Apóstolo cerca de 32 léguas e
meia (215 kms).
Pelas 9:30 horas, do dia 01 de maio, do ano da graça de 2014, partimos de
Guimarães.
O céu está com nuvens altas e sol brilhante, que muito nos aquece, os
auspícios são promissores para quatro dias de castigo ao corpo e alento à alma.
“Ultreia
et suseia, (“Mais longe e mais acima,)
Deus
adjuva nos!”
(Que Deus nos ajude!”)
“Bom Caminho!”
PARTE I
CAPÍTULO I
DE VIMARANES
E DO CAMINHO QUE FIZEMOS ATÉ À CIDADE DE BRACARA AUGUSTA, E DO QUE NELA VIMOS
Simbolicamente, o sinal da partida foi dado no Castelo de Guimarães.
Aqui mesmo ao lado, na Escola da Veiga, iniciei a minha carreira
profissional, a um longínquo 26 de Outubro de 1982, salvo erro. A Escola já não
existe, especulação imobiliária oblige.
Este Castelo de Guimarães povoa
o meu imaginário infantil. Minha mãe, que sempre juntava a prole à sua volta
contando histórias, fazia-me imaginar as lutas independentistas
nos campos de S. Mamede, as batalhas gloriosas do nosso
D. Afonso Henriques e os gestos nobres e honrados de Egas Moniz e de outros
fundadores.
Junto ao Castelo, integrados num conjunto patrimonial único, estão a
ícone estátua de D. Afonso Henriques
e o Paço dos Duques de Bragança,
palácio com características arquitetónicas de casa fortificada, exemplar único
na Península Ibérica.
Baixamos, obrigatoriamente, pelo Largo das Laranjeiras, à Praça de Santiago, praça bastante
antiga que conserva ainda a traça medieval.
Segundo a tradição, uma imagem da Virgem Santa Maria fora trazida para Guimarães
pelo apóstolo S. Tiago e colocada num Templo pagão num largo que passou a
designar-se com o nome do Santo.
Contíguo ao Largo está a Igreja de
Nossa Senhora da Oliveira. “Da Oliveira” porque na praça fronteira está uma
oliveira que, segundo os crentes, há mais de mil anos ali reverdeja.
E foi aqui, no Secretariado da Real Colegiada de Nossa
Senhora da Oliveira, Primaz das Colegiadas
de Portugal, gérmen da histórica
rivalidade com Braga, que iniciamos a
peregrinação propriamente dita ao recebermos a primeira chancela na Credencial
de Peregrino a certificar o início desta nossa romagem. A Credencial
habilita-nos ao estatuto de peregrino e a gozar de apoios nos albergues, além
de comprovar a nossa passagem pelos diversos pontos do itinerário compostelano.
Depois de uma Avé Maria a pedir a graça a Nossa Senhora, apreciamos o
padrão que relembra a vitória de D. Afonso IV sobre os mouros, em 1340, na
batalha do Salado; saímos pela Porta da Nossa Senhora da Guia, que nos guie, em
direção ao Toural, e abandonamos Guimarães pela estrada que ordinariamente leva
a Braga.
Em Fermentões, a pouco mais de dois quilómetros da partida, saímos da
Estrada Nacional e pedalamos por um pequeno troço da antiga via que ligava
Guimarães a Braga, transpondo o rio Selho por uma ponte românica de dois arcos,
de tabuleiro ligeiramente arqueado, muito bonita: a Ponte de Roldes.
Adiante, em S. João de Ponte, outra escapatória: guinamos à esquerda para
atravessarmos o rio Ave pela ponte velha, de tabuleiro raso, também
classificada como monumento nacional, em direção às Caldas das Taipas, outrora
conhecida por Caldelas de Guimarães.
Era nosso propósito evitar tudo quanto fosse estrada nacional, sabendo,
no entanto, de antemão, que, não nos querendo meter em trabalhos, havia que
evitar alguns atalhos.
Chegados ao Alto da Morreira, foi (quase) só rolar até Braga.
CAPÍTULO II
DA CIDADE DE BRAGA E DO MAIS QUE NELA PASSAMOS
Não eram 11:30 horas e tínhamos já à vista a Augusta Cidade de Braga,
palco de muitas peripécias da minha vida. Aqui estudei, aqui joguei à bola,
aqui tive os meus amores e desamores, aqui urdi as traquinices da juventude,
aqui me fiz.
Já em plena urbe, para evitarmos a confusão do trânsito, pedalamos pela
recente via pedociclável marginal ao rio Este até Maximinos.
Subimos à colina, circundamos o Campo de Santiago - fronteiro ao
Seminário onde estudei - e transpusemos a porta no sentido da Sé, pelo largo de
S. Paulo, ladeando a estátua do Arcebispo D. João Peculiar, cujo báculo, eu vo-lo
digo, simboliza a sua função firme e hirta nos atos de que nasceu Portugal,
seduzindo o Papa Inocêncio II a reconhecer o título de rei a D. Afonso
Henriques, o que só viria a acontecer pelo Papa Alexandre III, em 1179, através da Bula Manifestis Probatum.
Na Sé de Braga, que mais velha não há em Portugal, nesta Sacrossanta Basílica Primacial da Península
Ibérica, cujo Arcebispo é Senhor de Braga e Primaz das Espanhas, imbuídos
já do espírito jacobeu, carimbamos a Credencial e pedimos a bênção ao Apóstolo,
na Capela de São Tiago.
Sob as majestosas colunas da ala central da Sé, vêm-me à memória a Semana
Santa, a fuga à procissão, eu e o meu primo Zé Manel, mais tarde chamados a
capítulo pelo reitor. Ouço o eco de “O Messias”, de Haendel, interpretado pelo
maior coro que jamais ouvi, creio que de Viena de Áustria; ouço o canto
gregoriano do Cabido da Sé. Gosto do tom monástico, do som do órgão de tubos.
É o regresso a um passado que muito moldou o meu presente.
CAPÍTULO III
DE COMO ABANDONAMOS A CIDADE DE BRAGA E DO CAMINHO
QUE FIZEMOS ATÉ PONTE DE LIMA
Saímos da "Bracara Augusta Fidelis et Antiqua" (Braga Augusta Fiel e Antiga) pelo Arco da Porta Nova e alinhamos na direção de Frossos, S. Paio de Merelim e Prado.
Ao transpormos a Ponte Medieval de Prado, sobre o rio Cávado, tenho a
sensação de que estou a cortar o cordão umbilical e a entregar-me nos braços do
destino.
E leio as palavras de Friedrich Nietzsche: "Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás
passar, para atravessar o rio da vida. Ninguém, exceto tu, só tu. Existem, por
certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para
levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te
hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu
podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o!” - “Assim falava
Zaratustra.”
De Guimarães a Braga corria no sentido do habitat, da terra abrigo;
agora, de costas voltadas, cada pedalada acrescenta mais distância e incerteza.
Pela quelha lateral à Igreja de Vila, abandonamos a EN para Barcelos e
penetramos no verdejar dos campos do Minho até Oleiros, ao encontro da Via
Romana XIX, do Itinerário de Antonino, que, tal como a geresina estrada romana
da Geira, a Via Nova XVIII, também partia de Bracara Augusta para Asturica
Augusta (Astorga), seguindo, esta por Terras de Bouro, e aquela por Ponte de
Lima.
Sempre a pisar chão das legiões romanas, as setas pirogravadas da Via XIX
guiaram-nos por Freiriz, Marrancos, Portela das Cabras até Goães, onde fizemos
um pequeno desvio para conhecermos o albergue local de peregrinos, uma
interessante proposta de revitalização das antigas escolas primárias.
A ponte românica sobre o Rio Neiva, cujo tabuleiro assenta em três arcos
de volta perfeita, conhecida por Ponte Pedrinha, não passa despercebida ao
olhar dos transeuntes.
Ainda pensei em esticar por aqui um pouco as pernas, que um homem não é
de ferro, mas remetemos ao Ângulo 40, subimos a Rio Mau, Anais, Queijada, Fornelos
e Feitosa, até desembocarmos, batiam as 16:30, na Vila que nunca quis ser
cidade.
Descemos até ao Largo de Camões e, sem receio de que se nos apagasse da
memória tudo o que nos acontecera em vida, transpusemos, qual Decius Junius Brutus, o rio Lethes, e preparámo-nos para o descanso no excelente Albergue de
Peregrinos de Ponte de Lima, onde, segundo um poema do séc. XIII:
“La puerta se abre a todos, enfermos y sanos,
No solo a católicos, sino aún a paganos,
A judíos, herejes, ociosos e vanos
Y más brevemente, a buenos y profanos.”
O Mito:
“Os Romanos acreditavam que
entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos havia uma fronteira. Essa
fronteira era o rio Lethes, também chamado rio do esquecimento porque as suas
águas tinham como efeito apagar a memória, fazer esquecer tudo o que acontecera
em vida.
No ano de 136 a.C., os
soldados romanos, comandados por Decius
Junius Brutus, atravessaram o Tejo perto da ilha de Almorol, depois atravessaram o
Zêzere, o Mondego, o Vouga, o Douro sem problema nenhum.
Chegados aqui, em 138 a.C., convenceram-se de que este
era o tal rio Lethes, o rio do esquecimento que conduzia ao mundo dos mortos.
Junius Brutus não conseguia convencê-los do contrário, o que dificultava seriamente a progressão da sua campanha
militar na região.
Então, para dar o exemplo, o dito general atravessou sozinho o rio e, da outra
margem, pôde acenar e gritar que estava vivo e não se tinha esquecido de
nada, chamando os seus soldados, um por um,
pelos seus nomes. Os soldados, espantados pelo facto de o seu general manter a
memória, atravessaram então o rio, sem medo.”
PARTE II
CAPÍTULO IV
DO QUE FOI A NOSSA PARTIDA DE PONTE DE LIMA E DO
QUE PENAMOS NA SERRA DA LABRUJA, PASSANDO PELO SÍTIO DA CRUZ DOS FRANCESES
A noite foi tranquila e as forças recuperadas, embora o corpo me diga que
há resquícios da jornada anterior. Falta de calo!...
São 7:45 da manhã e estamos a montar as bicicletas para a etapa mais exigente
de todo o caminho. Os cerca de três quilómetros da Serra da Labruja que nos
esperam são, conforme há dias testemunhei numa trilha preparatória, uma escalada
íngreme, feita a pé, empurrando a bicicleta, e o trânsito pesado na zona
industrial de Porriño, segundo depoimentos de quem antes por ali peregrinou,
assusta qualquer destemido amador dos pedais.
Vamos lá ver, então, o que nos espera… que não nos desespere.
- “Bom Caminho!”
Uns metros à esquerda da saída do albergue, entre a Igreja de Santo
António da Torre Velha e o padrão românico-gótico que serve de Capela ao Anjo,
que nos guarde, viramos as costas ao burgo e penetramos pelos campos e regadios
marginais ao Lima; a fartura de água, no entanto, havia galgado as margens e
inundado o caminho, transformando-o num trilho lamacento quase intransponível,
mas nada nos demovia, a nós e a quantos connosco peregrinavam.
Batiam as oito badaladas quando passávamos à igreja de Arcozelo e
daqui seguimos, marginando e transpondo, no Arco de Geia, o rio Labruja, até à
aldeia do mesmo nome.
Após restabelecimento obrigatório dos índices hídricos
na Fonte das Três Bicas, enfrentamos a Labruja!
A partir da capela de Nossa Senhora das Neves, sempre com o som do rio
como “música suave em nossas orelhas”,
vislumbramos o trilho do nosso suplício. Imagino o cortejo dos penitentes por este
rio acima, de Fausto Bordalo Dias, onde “vão
culpados pecadores da gula, vão culpados da sensualidade, vão os tíbios e
frouxos no amor, vão culpados por abstinência, vão culpados das suas carências…
e cantam louvores ao Deus”, até à Cruz dos Franceses ou Cruz dos Mortos,
como de seguida se verá:
"Após a 1ª invasão francesa, perante a situação caótica em que
se encontrava o exército português desmantelado por Junot, a Regência
entretanto constituída para governar o País
“solicitou ajuda ao Reino Unido no sentido de indicar um oficial que levasse a cabo a
tarefa de reorganização do nosso exército, sem a qual não estaríamos em
condições de enfrentar qualquer nova ameaça. Foi nomeado para essa tarefa o
major-general William Beresford que, ao chegar a Portugal, recebeu o título de Marechal do
Exército Português.”
Aquando da 2ª invasão, em 1809, as forças britânicas que
tinham ficado em Portugal para nos auxiliar receberam reforços e um novo
comandante, o tenente-general Wellesley,
que veio a libertar, entre outras, a “Invicta e Sempre Leal” cidade do Porto.
O general francês Soult levara então uma grande sova nesses combates,
onde as suas tropas terão sofrido cerca de 4.000 baixas, e retirou em debandada em direção à Galiza. “Era sua intenção seguir para Braga, mas foi informado de que
as forças de Wellesley já ali tinham chegado. Resolveu então seguir por Chaves,
mas esta praça tinha sido ocupada pelas unidades de William Beresford. As
principais estradas estavam portanto cortadas para a sua retirada e, desta
forma, tinha de continuar a marcha pelos itinerários mais difíceis. Atravessou
o rio Cávado em Ponte Nova e daí iniciou a subida da Serra do Gerês em direção a Ourense, em Espanha.” (in pt.wikipedia.org)
Muitos dos soldados retardatários do exército de Soult, doentes e
famintos, esfarrapados e mutilados, fugiram pela serra da Labruja, e, aqui onde
está esta Cruz dos Mortos, foram
vítimas de uma emboscada da população local."
Que Deus Nosso, Senhor de infinda Misericórdia, feito homem para vencer o
mal e nos resgatar da morte, me perdoe, a mim, persistente pecador, que,
incapaz de seguir os passos de Quem nos abriu os caminhos do Bem, sempre me
meto “por maus caminhos”!...
A Jesus Cristo, sem mácula de pecado, obrigaram-no a levar às costas,
subindo o Gólgota, o pesado madeiro no qual havia de ser crucificado,
tropeçando amiúde e caindo três vezes; a mim, contados os meus pecados, assaz
leves me são, afinal, a bicicleta e os alforges que carrego até à Casa da
Guarda, calvário desta minha peregrinação!...
Nesta Cruz nos detivemos uns cinco minutos e ao cabo deles partimos e fomos ter a uma casa da Guarda Florestal, em cujo eido brota uma
bica de água fresca, reabastecedora das carências do corpo e retemperadora da
força do ânimo.
- Uff!... Que alívio!... E que gozo esta Labruja!...
CAPÍTULO V
DO QUE PASSAMOS DEPOIS QUE DOBRAMOS A LABRUJA E
DOS CAMINHOS QUE FIZEMOS ATÉ VALENÇA, ANTES DE ATRAVESSARMOS O RIO MINHO
Dobrada a encosta da Labruja, enfrentamos novo tormento. Agora era uma
descida íngreme, com ela à mão, agarrada pelos travões, para não irmos nós e
bicicleta em rapa cu até Lamalonga. Daqui rolamos por chão quase raso, obra de
meia légua, até Rubiães, na qual terra entramos ladeando a igreja românica.
Logo abaixo e no mesmo correr, a menos de cem pedaladas,
está o albergue de peregrinos, onde a chancela está à disposição para se carimbar a Credencial.
E
tornando-nos a “embarcar”, continuamos a
descer até à ponte romano-medieval de três arcos, sendo que os dois laterais
apenas servem para escoar as águas do leito das cheias, no Rio Coura.
Atravessado o Coura, em cujas águas ainda é possível ver alguns
exemplares de truta fário ou truta comum, peregrinamos em direção a Cossourado,
freguesia de Paredes de Coura, com pausa no Santuário de S. Bento da Porta Aberta, homónimo do santo milagreiro da minha
terra, às portas do Gerês, embora este santo courense não goze da reputação de
atrair mais de dois milhões de peregrinos por ano.
(Num certo maio de 1986 - recordo o ano porque a matrícula era NN-19-86
-, vim aqui na companhia de meu saudoso tio Nel do Paço recuperar o Datsun
1200, vermelho ferrari, jantes especiais, volante de competição, rádio Sharp,
que me havia sido roubado dias antes, em Lisboa. Fora informado pela G.N.R. de
que um carro com as características do meu tinha sido abandonado em S. Bento da
Porta Aberta. Inicialmente, jurei tratar-se de um milagre, que os ladrões,
pesada a consciência, mo haviam trazido a casa, e rumei até Rio Caldo. Porém, o
S. Bento a que o guarda se referia não era aquele, ali mesmo ao lado, mas este,
em Coura. Cá chegados, nem o santo se revelou tão milagreiro como jurei, nem o
carro era da cor do meu: vermelho, sim; ferrari, não!...
Desiludidos, voltamos para Terras de Bouro. O carro viria a aparecer dias
depois em Queluz, sem Sharp, mas impecável. Talvez tenha sido mesmo o São
Bentinho que, perante tão crente devoto, me tenha dado a graça de ter aberta a
porta da sorte!
Não sei se prometi cá voltar, mas se o fiz, só hoje cumpri tal promessa,
a este, que, ao da minha terra, todas as semanas o visito.)
Seguindo o
caminho deste Santuário para diante, num trilho fabuloso entre barrancos e matos, fomos por Fontoura e Cerdal até às muralhas da cidadela de Valença, na qual entramos pelas Portas do Sol (ou Portas de Santiago), selamos a Credencial na belíssima Pousada de S. Teotónio, e saímos pelas Portas da Gaviarra, em direção a Tui.
Valença é a última povoação portuguesa antes de feita a travessia do Minho, província e
rio.
CAPÍTULO VI
DO ATRAVESSAMENTO QUE FIZEMOS DO RIO MINHO, DO QUE
VIMOS EM TUY E NAS TERRAS GALEGAS QUE SE SEGUIRAM, ATÉ PORRIÑO
“A Galiza mais o Minho
São como dois namorados
Que o rio traz separados.”
Com estes versos no pensamento, os únicos que fixei do poeta monçanense João Verde, daqui vizinho, atravessamos
o rio Minho pela faixa lateral da ponte rodo-ferroviária internacional de Valença-Tui, e entramos em terras de
Espanha.
“Buen Camiño!”
Não
teríamos daqui andado nem meia légua adiante e já éramos chegados ao casco velho da monumental cidade de Tui.
São imensos
os factos da história comum de Tuy com Portucale. Não tem aqui cabimento
enumerá-los, mas recordo que foi nesta cidade que o nosso primeiro Rei, D.
Afonso Henriques, assinou tréguas com o rei de Leão e Castela, pelo Tratado de
Paz de Tui, no qual prometeu obediência ao primo, Afonso VII.
Claro que
não cumpriu!... Enfim, coisa de português… de primeira!...
A Diocese
de Tui, hoje Tui-Vigo, estendia-se, pelo menos até meados do séc. XIV, desde o
limite sul da Arquidiocese de Santiago de Compostela até ao rio Lima, dominando
todas as terras por que hoje passamos, provando que os limites religiosos estão
distantes das fronteiras políticas. Seria curioso o comportamento da igreja de
então junto a este território, submetida politicamente ao rei de Portugal e
religiosamente ao bispado galego!
O centro
histórico de Tui está repleto de construções que demonstram a forte
religiosidade do povo galego. São capelas, igrejas, conventos, cruzeiros,
estátuas de santos, enfim, a omnipresença de elementos religiosos, exemplo
clássico de uma urbanização medieval.
Na parte mais alta da cidade, na coroa do antigo Castellum Tyde, está a Catedral de Santa
Maria de Tui, cujo Pórtico gótico exibe duas representações
católicas clássicas: a adoração dos Reis Magos, na parte superior, e o
nascimento do Menino Jesus, na parte inferior. Além disso, nas colunas laterais
existem oito esculturas: as da esquerda mostram Moisés, Isaías, São Pedro e São
João Batista; as da direita, Salomão, a Rainha de Sabá, Jeremias e Daniel.
Outro monumento de referência obrigatória é a Igreja de São Telmo, santo
dominicano que desta diocese foi Bispo, hoje padroeiro da cidade e dos
navegantes, que aqui perto morreu de peste, no regresso de uma peregrinação a
Santiago, como adiante se saberá, chegados que formos à Ponte das Febres.
E
continuando nossa viagem, depois de cerca de uma hora aqui nos termos deixado ficar, bem providos de mantimento, furamos pelo Túnel do Convento das Clarissas em direção a Porriño.
Vários peregrinos, genuínos peregrinos, que, a pé, partiram
de Braga ou do Porto, um até de Lisboa, impressionam-me pela firmeza do passo, pela
curiosidade da descoberta, pela alegria da partilha, pela glória do esforço!...
Nós
temos de avançar, não posso parar muitas vezes para recolher informações ou
fazer fotografias....
"Buen Camiño!..."
Um pouco mais adiante, retomamos a estrada romana, a Via XIX, que desde Prado nos havia guiado até Ponte de Lima, e que nos haverá de acompanhar em muitos troços, doravante.
Daqui, sem seguirmos a dita, ladeamos a ponte pela esquerda e penetramos num frondoso bosque , até à Ponte de S. Telmo ou Ponte das Febres.
Adiante pouco mais de meia légua daqui, onde é recordado ao “CAMINANTE” que “Aqui
enfermó de muerte San Telmo, en Abril de 1251. Pídele que hable com Dios a
favor tuyo”, encontramos a histórica ponte de Orbenlle, que, cruzada, nos leva a um antigo caminho de terra que sai à esquerda depois das primeiras casas.
Entramos assim no novo “Itinerário de
Peregrinos Orbenlle-O Porriño, polo Espazo Natural das Gândaras de Biduiño e
Rio Louro”, aprovada pelo “Xacobeo da Xunta de Galicia”, uma fantástica
alternativa ao temido e famigerado traçado pelo Polígono Industrial de Porrinho.
Conforme informação do blogue do Caminho Central (Português) a Santiago, “o traçado histórico do caminho Tui-Porriño, correspondia ao actualmente sinalizado no vale do
Louriña, seguindo a margem esquerdo do Louro. Ocorre, porém, que o dito traçado
se encontra sepultado pelo maior polígono industrial da Galiza, uma grande
auto-estrada e a estrada N-550 que, por Atios, leva a rota até Porriño. O que
acontece quando a “história” fica reduzida a uma zona industrial, um pântano,
uma auto-estrada, uma concentração parcelária, ou a uma rede de comboio de alta
velocidade? Que Caminho, que itinerário se pode oferecer aos peregrinos do séc.
XXI? Ora, cada época teve o seu Caminho, e, no Séc. XXI, os peregrinos têm
direito, como os seus antepassados, a ter os seus próprios Caminhos de
Peregrinação.”
As nossas
“muchas gracias”, portanto, às organizações “Xacobeas” que estudaram e
implementaram a nova “ruta”, absolvendo-nos da penitência que a travessia do
Polígono Industrial constituía, sujeitos que estávamos a serpentear por entre
um trânsito intenso de ligeiros e, sobretudo, de pesados camiões.
Por esta nova senda alternativa, cruzámo-nos com um conjunto patrimonial deveras
importante. Pontes, capelas e cruzeiros, muitos cruzeiros, testemunhos
da passagem de peregrinos ao longo de séculos, até Porriño, e, sabendo de
antemão que o albergue de Redondela e seguintes estavam super-lotados,
decidimos pernoitar no muito agradável albergue , onde, não eram dez
horas, já eu me acolhera nos braços de Morfeu.
PARTE III
CAPÍTULO VII
DESTA TERRA DE PORRIÑO E DO MAIS QUE NOUTRAS
TERRAS VIMOS, PASSANDO POR REDONDELA ATÉ PONTEVEDRA
Como peregrinos vigilantes e sempre despertos, mal raia o dia e já estamos aprontados para
dar ao pedal, não sem antes focarmos a câmara nesta escultura do jardim fronteiro ao albergue, na margem direita do Rio Louro.
O caminho leva-nos pelo Pazo de Mos para testar as nossas forças, enfrentando a íngreme Rua dos Cavaleiros.
- Óscar, espera!... É só mais esta foto!...
E lá está ele a desmontar, a meio da subida, para que o momento fique gravado...
E trepamos, trepamos, sem o tirar do selim, até Chan de Pipas!...
Não há subida que, depois, não nos regale com uma descida. E a que se aproxima é não só reconfortante para as pernas, como também para os olhos. Assim recuperamos energias com a idílica panorâmica sobre a Ria de Vigo.
Entro pelo caminho das memórias e oiço o meu grande
mestre P.re Arlindo Cunha, “Ó Senhor ?!...”, e aquele seu timbre tão
característico a dizer-nos as cantigas de amigo galego-portuguesas, esta de Mendinho:
“Sedia-m'eu na ermida de Sam
Simion
e cercaram-me as ondas, que
grandes som!
Eu atendendo meu amigo, eu
atendendo meu amigo!”
E estoutra de Martim
Codax:
“Ondas do mar de Vigo,
se vistes meu amigo?
e ai Deus, se verrá cedo?”
Estamos já muito perto de Redondela onde chegaremos a meio da manhã. Dirigímo-nos ao albergue para carimbar. Não está ninguém, carimbamos no bar ao sabor de um cafezinho "à português".
Daqui nos partimos atravessando campos e pequenos bosques ao som do arrulho dos pombos torcazes, que são aos bandos por estas bandas, até Arcade.
Atravessamos o Rio Verdugo, em Pontesampaio, testemunha de um dos mais sangrentos confrontos ocorridos quando as tropas francesas se dirigiam para Portugal, comandadas pelo Marechal Ney. Foi tal a ferocidade, que
ainda hoje a população local põe aos cães os nomes dos generais Franceses.
Já vai longa e estimulante para mim esta aventura, fastidiosa para vós esta mal amanhada crónica!...
Ali vão seis sexagenários austríacos, três homens e outras tantas mulheres, a pedalarem a bom ritmo.
Não. Eu, afinal, não sou louco!...
"Bom Caminho!..."
"Buen Camiño!..."
Até Pontevedra cruzámo-nos com centenas de peregrinos a pé ou, como nós, em bicicleta, e, à face do caminho contemplamos cruzeiros, capelas, fontenários... e mais cruzeiros.
Foram os romanos que deram a Pontevedra o seu actual
nome: Pontis Veteris (ponte velha), mas uma lenda conta que a cidade é
várias centenas de anos mais antiga. O herói grego Teukros tinha fundado esta
cidade 1200 anos antes de Cristo, daí o seu nome ter sido atribuído à praça principal desta cidade capital de província galega, a par de Lugo, Ourense e Corunha.
Em frente ao Santuário de La Peregrina, refrescámo-nos um pouco e seguimos as vieiras que por esta cidade nos indicam, de vinte em vinte metros, o Caminho Português.
A Virgem Maria está
representada dentro da igreja como uma peregrina. É ela a patrona da cidade.
CAPÍTULO VIII
DESTA TERRA DE PONTEVEDRA E DO MAIS QUE NOUTRAS TERRAS VIMOS, ATÉ PADRON
Caldas de Reyes está próxima e mais próximo ficará Padron, destino desta tão longa jornada.
Duas simpáticas peregrinas portuguesa saúdam-nos quando passávamos pela Capela de Santa Lucia.
Em Caldas de Reyes entramos ladeando a Igreja de Santa Maria e dirigímo-nos ao albergue local para selarmos a Credencial.
Antes de lá chegarmos, transpusemos mais uma ponte medieval de grande beleza: a Ponte do Rio Bermaña.
Esticamos um pouco por aqui as pernas, em tempo não mais que quinze minutos, e... “ala, que se faz tarde!...”
Arribamos por entre campos de cultivo, ao som de melros e pombos, pegas, muitas pegas, e corvos, para Padron.
Passamos junto
à Igreja de Santa Maria de Carracedo e, já com cerca de setenta quilómetros nas pernas só no dia de hoje, ainda pensamos pernoitar no albergue de Valga, um excelente albergue, uma autêntica pousada, mas em local bastante isolado e, como um homem não é só espírito, há também que alimentar o corpo... e o meu que precisa bastante!...
Despedímo-nos da Maria Teresa, a alberguista mais simpática de todo o Caminho, cujo nome, por razões minhas, não esqueci, e rolamos tranquilamente até Pontecesures, para passarmos o Rio Ulla, sabendo que, não havendo qualquer inesperado, chegaríamos a horas e com a energia bastante para degustarmos uns mejillones, um pulpo e, claro está, os famosos pimentos de Padron.
Terá sido por este rio que subiu a barca com o corpo de
Santiago, aportando em Padrón. E Padrón
fica, de facto, em frente de Pontecesures, na margem oposta do rio Ulla.
PARTE IV
CAPÍTULO XIX
DO QUE VIMOS EM PADRON E TERRAS QUE SE SEGUIRAM, E
DAQUELES QUE A NÓS SE JUNTARAM ATÉ COMPOSTELA
Aqui, vimos a Igreja de Santiago de Padron, onde, segundo a lenda, os seus discípulos Atanásio e Teodoro amarraram
a barca que trazia o corpo do Santo Apóstolo desde Jaffa, na Palestina, a uma coluna de pedra,
que se diz ser a mesma que está hoje sob o altar desta Igreja.
E subimos à Igreja do Carmo, cujas vistas sobre Padron nos oferecem uma panorâmica geral da cidade.
De Padron nos partimos, eram
7:30.
"Buen Camino!..."
E lá vou eu cantarolando esta cantiga interpretada por Adriano Correia de Oliveira com poema de Rosalia de Castro, inscrito no monumento que a foto ilustra:
Este parte, aquele parte
e todos, todos se vão
Galiza ficas sem homens
que possam cortar teu pão
Tens em troca
órfãos e órfãs
tens campos de solidão
tens mães que não têm
filhos
filhos que não têm pai
Coração
que tens e sofre
longas ausências mortais
viúvas de vivos mortos
que ninguém consolará
Deixamos a cidade dirigindo-nos até à Colegiade de Santa Maria de Iria Flavia, sede episcopal antes da sua transferência para Santiago de Compostela.
Curiosamente, são associados a este local os dois
maiores expoentes das letras galegas - a poetisa Rosália de Castro, aqui
sepultada, e o Nobel Camillo José Cela, aqui nascido junto à basílica. As duas imagens anteriores representam um e outro.
Passada Iria Flavia, percorremos um pitoresco enfiamento de aldeias - Romaris,
Rueiro, Cambelas, Anteportas, Tarrío e Vilar - até chegarmos ao magnífico "Santuário de La Esclavitud".
Batiam as oito badaladas quando por aqui passávamos, o que nos quer dizer que eram sete horas da manhã em Portugal...
Um simpático sacristão recebeu-nos e carimbou, pela penúltima vez, a nossa Credencial de Peregrinos.
Muitos vão a pé. Um, que não tem uma mão, sexagenário, cuja nação não tive oportunidade de saber, vinha, não sei há quantos dias, desde Lisboa!... Ainda o vi em Santiago!... Que louco!... Que extraordinário!...
CAPÍTULO X
DA NOSSA CHEGADA A SANTIAGO E DO QUE FIZEMOS PARA RECEBERMOS A COMPOSTELA, COROLÁRIO DESTA NOSSA PEREGRINAÇÃO
Com muita calma, já num processo de interiorização, lá vamos pedalando, pedalando...
Do Milladoiro, avistamos, vencendo a leve neblina, as Torres da Catedral.
Chegamos à periferia da cidade, e não será a árdua subida da Choupana que nos fará esmorecer. Aliás, não há obstáculo maior que a nossa vontade!...
9:30 horas.
Estamos a entrar no espaço Jacobeu, pelo Toural (que curioso!), dirigíndo-nos para a Alameda da
Ferradura, onde fica a porta Faxeira, entrada tradicional do Caminho Português
na cidade velha. E, pelo apertado labirinto de
uma malha medieval, chegamos, confesso que com uma no canto do olho, à praça do Obradoiro, em frente à Catedral.
Com um acumulado de 228.510 quilómetros nas pernas (contando as voltas para recebermos o carimbo).
Ocorre-me a primeira vez que vim a Santiago. A foto que se segue, quebrada já pelo tempo, regista os participantes numa excursão a Santiago de Compostela, organizada pelo Padre Faria, pároco de Moimenta, Terras de Bouro, teria eu aí uns 6 anos. Ainda recordo algumas peripécias dessa viagem. Fica aqui a saudosa memória daqueles que já cá não estão, principalmente do meu tio Manuel Cracel.
Em frente do mesmo hotel onde, há cinquenta anos, estive...
Hei de cá voltar, nem que seja daqui a outros cinquenta!...
Depois de nos termos dirigido à "Oficina de Acogida al Peregrino" para certificarmos a Credencial com a última chancela e recebermos a Compostela, circundamos o Altar Mor, sobreposto ao Túmulo do Santo Apóstolo, e rezamos a ORAÇÃO DO PEREGRINO:
Apóstolo Santiago,
escolhido entre os melhores,
Tu foste o primeiro a beber o cálice do Senhor,
e és um grande protetor dos peregrinos.
Faz-nos fortes na Fé
e alegres na Esperança,
neste nosso caminhar de peregrinos
seguindo o caminho da vida cristã,
e alenta-nos para que, no final,
alcancemos a Glória de Deus Pai.
Amén
OBS: A próxima, se Deus quiser, será a pé pelo troço final do "Caminho Francês", entre Sarria e Santiago.
Começarei brevemente os preparativos...
“Ultreia et suseia,





































