terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Canção que me fica no ouvido: "Arranja-me um emprego", de Sérgio Godinho


Tu precisas tanto de amor e de sossego,
- Eu preciso dum emprego.
Se mo arranjares, eu dou-te o que é preciso,
- Por exemplo, o Paraíso.
Ando ao Deus-dará, perdido nestas ruas,
Vou ser mais sincero, sinto que ando às arrecuas.
Preciso de galgar as escadas do sucesso
E por isso é que eu te peço:

Arranja-me um emprego!
Arranja-me um emprego, pode ser na tua empresa, com certeza,
Que eu dava conta do recado e pra ti era um sossego.

Se meto os pés para dentro, a partir de agora
Eu meto-os para fora.
Se dizia o que penso, eu posso estar atento
E pensar para dentro.
Se queres que seja duro, muito bem eu serei duro.
Se queres que seja doce, serei doce, ai isso juro.
Eu quero é ser o tal
E como o tal reconhecido.
Assim, digo-te ao ouvido:

Arranja-me um emprego!
Arranja-me um emprego, pode ser na tua empresa, com certeza,
Que eu dava conta do recado e pra ti era um sossego.

Sabendo que as minhas intenções são das mais sérias,
Partamos para férias.
Mas para ter férias é preciso ter emprego,
- Espera aí que eu já lá chego.
Agora penso numa casa com o mar ali ao pé
E nós os dois a brindarmos com rosé.
Esqueço-me de tudo com um por-do-sol assim,
- Chega aqui ao pé de mim:

Arranja-me um emprego!
Arranja-me um emprego, pode ser na tua empresa, com certeza,
Que eu dava conta do recado e pra ti era um sossego.

Se eu mandasse neles, os teus trabalhadores
Seriam uns amores.
Greves era só das seis e meia às sete
Em frente ao cacetete.
Primeiro de Maio só de quinze em quinze anos,
Feriado em Abril só no dia dos enganos.
Reivindicações quanto baste mas non tropo.
- Anda beber mais um copo.

Arranja-me um emprego!
Arranja-me um emprego, pode ser na tua empresa, com certeza,
Que eu dava conta do recado e pra ti era um sossego.

Tu precisas tanto de amor e de sossego,
- Eu preciso de um emprego...
Arranja-me um emprego!

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