domingo, 27 de fevereiro de 2011

Flor da Liberdade, de Miguel Torga

Sombra dos mortos, maldição dos vivos.
Também nós... Também nós... E o sol recua.
Apenas o teu rosto continua
A sorrir como dantes,
Liberdade!
Liberdade do homem sobre a terra,
Ou debaixo da terra.
Liberdade!
O não inconformado que se diz
A Deus, à tirania, à eternidade.

Sepultos, insepultos,
Vivos amortalhados,
Passados e presentes cidadãos:
Temos nas nossas mãos
O terrível poder de recusar!
E é essa flor que nunca desespera
No jardim da perpétua primavera.

Miguel Torga, in "Orfeu Rebelde", 1958

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Só eu seeeiiii porque não fiiiico em casa!...

Apesar do fervor clubístico deste adepto, a situação é mesmo trágica: a mulher foi a enterrar, agora é o clube que está moribundo!...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Recordando António Aleixo

António Fernandes Aleixo
(Vila Real de Santo António, 18 de Fevereiro de 1899 - Loulé, 16 de Novembro de 1949)


O poeta António Aleixo, cauteleiro e pastor de rebanhos, cantor popular de feira em feira, pelas redondezas de Loulé (Algarve - Portugal) é um caso singular, bem digno de atenção de quantos se interessam pela poesia.
Não sendo totalmente analfabeto, sabe ler e leu meia dúzia de bons livros - não é porém capaz de escrever com correcção e a sua preparação intelectual não lhe deu qualificação para poder ser considerado um poeta culto. Mas ficou sendo conhecido por o maior poeta popular, o poeta do povo. Todavia, há nos versos que fazem parte do seu livro "Este livro que vos deixo", uma correcção de linguagem e sobretudo, uma expressão concisa e original de uma amarga filosofia, aprendida na escola impiedosa da vida, que não deixa de impressionar.
António Aleixo compõe e improvisa nas mais diversas situações e oportunidades. Umas vezes cantando numa feira ou festa de aldeia, outras, a pedido de amigos que lhe beliscam a veia; ora aproveitando traços caricaturais de pessoas conhecidas, ora sugestionado por uma conversa de tom mais elevado e a cuja altura sobe facilmente.
Passeando, sozinho, a guardar umas cabras ou a fazer circular as cautelas de lotaria - sua mais habitual ocupação, por isso também chamado "poeta cauteleiro" ou acompanhado por amigos, numa ceia ou num café, o poeta está presente e alerta e lá vem a quadra ou a sextilha, a fixar um pensamento, a finalizar uma discussão, a apreciar um dito ou a refinar uma troça. E, normalmente, a forma é lapidar, o conceito incisivo e o vocabulário justo e preciso.
O que caracteriza a poesia de António Aleixo é o tom dorido, irónico, um pouco puritano de moralista, com que aprecia os acontecimentos e as acções dos homens.

Joaquim Magalhães, In Este Livro que vos deixo...

Uma dúzia de quadras muito conhecidas:

Eu não tenho vistas largas
Nem grande sabedoria
Mas dão-me as horas amargas
Lições de Filosofia.

Embora os meus olhos sejam,
Os mais pequenos do Mundo
O que importa é que eles vejam
O que os homens são no fundo.

P'ra mentira ser segura
E atingir profundidade
Tem de trazer à mistura
Qualquer coisa de verdade.

Que importa perder a vida
Em luta contra a traição,
Se a Razão mesmo vencida,
Não deixa de ser Razão

Tu, que tanto prometeste
Enquanto nada podias,
Hoje que podes - esqueceste
Tudo o que prometias...

O mundo só pode ser
Melhor do que até aqui,
Quando consigas fazer
Mais p'los outros que por ti!

Os novos que se envaidecem
Pelo muito que querem ser
São frutos bons que apodrecem
Mal começam a nascer.

Uma mosca sem valor
Poisa c'o a mesma alegria
Na careca de um doutor
Como em qualquer porcaria.

Se os homens chegam a ver
Por que razão se consomem,
O homem deixa de ser
O lobo do outro homem.

Os que bons conselhos dão
Às vezes fazem-me rir
Por ver que eles mesmos são
Incapazes de os seguir.

Para triunfar depressa
Cala contigo o que vejas
Finge que não te interessa
Aquilo que mais desejas.

São parvos, não rias deles,
Deixa-os ser, que não são sós:
Às vezes rimos daqueles,
Que valem mais do que nós.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Aqui, há português (in)correto... (30)


Neste recinto, provido de pinheiros, carvalhos, amieiros, castanheiros e eucaliptos, todos devem ter o prurido de só entrar com permissão, pois a todos é exigida probidade perante o direito de propriedade onde - o letreiro não deixa quaisquer dúvidas - entrar é "Proibido".

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Terras de Bouro no rolo das memórias: equipa de futebol de Souto (com alguns reforços).

Equipa do Grupo Desportivo de Souto (reforçada por Antero Soares, Fernando Rodrigues e Adolfo Leite, de Covas, e por Mesquita, guarda-redes, da Ribeira) num jogo com o G. D. de Lanhas.

A contar da esq.  -  em pé: 1 - Tero, 2 - Augusto Inácio, 3 - Adriano Chaves, 4 - Fernando Rodrigues (meu tio, marido da minha tia Verónica), 5 - Zé Esteves, 6 - Mesquita (g-r)
em baixo: 1 - Armando Sousa, 2 - Adolfo Leite, 3 - Zé Gago, 4 - António Silva (Ferramenta), 5 - Fausto Dias

No comentário que se segue, o Sr. Armando Sousa informa que "Esta foto foi tirada em Souto, no Campo Zé Maia no ano de 1958, durante a disputa do torneio Taça Rio Homem organizado pela equipa de Souto. Neste torneio a taça era disputada pela equipa anfitriã, Lanhas, Covas e Caldelas, sendo Covas a vencedora."

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

POPNPG - Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês


Não estranho nada as reações de indignação dos povos e suas comunidades (proprietários de mais de 90% do território onde está instalado o parque) perante o Plano de Ordenamento do PNPG, publicado no dia 4 de fevereiro, p.p.

Como ainda não tive oportunidade de o ler e de refletir sobre o seu conteúdo, remeto para os blogues/links que se seguem, para que se possa fazer uma ideia das posições já assumidas:

http://pnpg-comgente.blogspot.com/

http://terrasbouro.blogspot.com/2011/02/presidente-da-camara-municipal-toma.html

http://terrasbouro.blogspot.com/2011/02/movimento-ameaca-impugnar-plano-de.html

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

"Que parva que eu sou", Deolinda!

A canção que está a fazer furor pelo ciberespaço:



Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração "casinha dos pais",
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou!
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração "vou queixar-me pra quê?"
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração "eu já não posso mais!"
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A propósito da "cabra do Gerês": mais um embuste do PNPG

Foto retirada daqui

Numa visita ao blogue com mais informação sobre Terras de Bouro, deparei com o post http://terrasbouro.blogspot.com/2011/02/eram-75-e-agora-ja-sao-450-cabras-do.html. Hesitante entre o comentário e a postagem no "pass'Aarão", decidi-me por esta, para referir o seguinte:

Aí por volta de 1994/95 (o erro não pode ser grande), eu, um colega meu e um responsável do PNPG, de quem esse colega era amigo, fomos visitar a cerca, em Torneros (Lobios), Espanha, onde estavam em estudo e adaptação alguns exemplares da “capra pyrenaica victoriae”, trazidos precisamente de centros de recuperação espanhóis. (1)
O que recordo dessa visita são, sobretudo, as críticas - profunda, ecológica e cientificamente sentidas - do sr. engenheiro que nos acompanhava, acusando os nossos vizinhos galegos de insensibilidade ambiental, de ignorância e de trapalhice, por introduzirem (nas proximidades do santuário geresiano, deus nosso!) uma espécie trazida dos Pirenéus, parente mais ou menos afastada da autóctone cabra do Gerês, é certo, mas exógena às caractrerísticas florestais, ambientais, climáticas... desta região, e que viria, por certo (na sua mui douta sapiência), provocar desequilíbrios no ecossitema presente!

Podeis estar absolutamente seguros de que aquilo que, inicialmente, foi malquisto pelo purismo ambientalista do PNPG é, agora, a menina dos seus olhos, a pérola mais valiosa, o único troféu que tem para exibir em 40 anos de existência... afinal, fruto de um "crime" ambiental dos nossos amigos galegos.

A introdução - animal, planta ou calhau - jamais poderia ter acontecido por iniciativa do Parque Nacional, cuja política se tem cingido a não intervir, mesmo que a intervenção seja de valorização, a não mexer, a não fazer nada... São dezenas e dezenas de técnicos, entre biólogos, zoólogos, botânicos... engenheiros ambientais, florestais, paisagísticos... só para proibir, proibir, proibir...

No referido post, citando o Correio do Minho, é dito que o estudo da revista National Geographic conclui que: “a população está segura e o futuro parece garantido” para a cabra do Gerês no vale onde corre a ribeira dos Fornos e vai pastar ao Pitão da Carvalhosa". Trata-se, pois, de mais um embuste com que o PNPG "nos" quer iludir: as cabras introduzidas não são "cabras do Gerês", da subespécie "capra pyrenaica lusitanica", extinta em finais do séc. XIX, cujo último exemplar terá sido avistado e capturado em 20-IX-1890.

Desafio o "biólogo Armando Loureiro (que) revela à revista (National Geographic deste mês) a existência de três núcleos de cabras, um a poente com a Serra Amarela-Cabril, outro nos picos mais altos do Gerês e outro a nascente, em Pitões das Júnias" que venha, aqui ou onde entender, desenganar-me e dizer, com rigor científico, se as cabras que andam nas ditas serras são, de facto, descendentes da genuína cabra do Gerês... ou são, antes, cabras dos Pirenéus a pastarem no Gerês.

(1) - Segundo um dos comentários de Frederico V: "As pyrenaica victoriae que existem no Gerês vieram da serra de Gredos no centro de Espanha. A última pyrenaica dos Pireneus (uma terceira sub espécie: pyrenaica pyrenaica) também está extinta.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Um texto interessante sobre o acordo ortográfico*

"Um cê a mais", Manuel Halpern

"Quando eu escrevo a palavra ação, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o c na pretensão de me ensinar a nova grafia. De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa. Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim. São muitos anos de convívio. Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes cês e pês me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância. Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora: não te esqueças de mim! Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí. E agora as palavras já nem parecem as mesmas. O que é ser proativo? Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.
Depois há os intrusos, sobretudo o erre, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato. Caíram hifenes e entraram erres que andavam errantes. É uma união de facto. Para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem. Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os és passaram a ser gémeos, nenhum usa chapéu. E os meses perderam importância e dignidade, não havia motivo para terem privilégios, janeiro, fevereiro, março são tão importantes como peixe, flor, avião. Não sei se estou a ser suscetível, mas sem p algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.
As palavras transformam-nos. Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos. Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do cê não me faça perder a direção, nem me fracione, nem quero tropeçar em algum objeto abjeto. Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um cê a atrapalhar."

Agradeço este texto à minha irmã Zi (a mais "comprometida" e assídua seguidora do pass'Aarão), que mo deu a conhecer via e-mail.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Aqui, há português (in)correto... (29)

Já há bastante tempo que, neste cruzamento, foi colocada esta placa. Ora, como uma Festa Cigana, normalmente, decorre durante vários dias, siga na estrada... pode ser que ainda vá a tempo!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

"Coração de Algodão", de João Luís Dias, o poeta... da minha terra.

A mesa que presidiu à apresentação
Hoje, na apresentação do seu livro de poemas "Coração de Algodão", o João Luís proporcionou-me mais um fascinante momento de cultura, levando-me a mergulhar na alma da sua poesia!
O João tem vindo a construir-se um poeta profundo... do Amor e da Paixão.

Vários Exemplares
A grandeza de um poeta, de um "Poeta Maior" (como lhe chamou Pedro Barroso), avalia-se sempre pela vivência interior das suas construções com palavras. E, hoje, em Terras de Bouro, sentiu-se a poesia do João Luís, palavras construídas numa arquitetura de melodia e sentimento.

O Poeta, João Luís Dias
Creio que, naturalmente, caro João, já todos nos deixamos seduzir pela beleza das palavras que escreves e não pelo facto de seres tu a escrevê-las (entendes-me?);  tens já a maturidade de um poeta emancipado que cresceu nos encontros e desencontros das metáforas, da vida... do Amor.

Os artistas do dia, com o Trovador Pedro Barroso
Uma referência também ao trovador Pedro Barroso (que já aqui lembrei): sempre ENORME!
Maravilhado pela poesia do João Luís, Pedro Barroso privilegiou os presentes com o anúncio de que, no seu próximo album de canções, que se chamará "Itinerários da Paixão e da Revolta" (peço desculpa se cometo alguma inconfidência, mas não resisto a ser eu a anunciá-lo em primeira mão, a nível mundial), incluirá uma parceria poética com o João Luís, reconstruindo o poema "Noite", o último da edição hoje apresentada, que (conforme aqui é público) ficará assim:

In nominae

Dei comigo                     
ao vidro baço e lento da janela     
no palpebrar                  
cadente e moreno           
dos teus olhos                                
a noite é apenas noite                    
e o silêncio                     
mudo                                              
e apenas se ouve o sussurro
dos versos que te chamam…
em nome de tudo            
e de todos                                                    
os que ainda amam         

E o sorriso                      
foi dormir antes de mim               
querendo-me a cama                     
morna                                         
Se ausente te sei                            
mesmo que só um pouco              
todo eu parto de mim     
para regressar-te                            
aos meus braços             
louco                                   
até que acorde                 
de tudo o que sonhei      
nos beijos esquivos        
que me chamam                             
e me sinta poeta do sentir
eu que nada sei               
em nome de tudo e todos
os que ainda                                  
amam


Os parabéns à "Banda" da Calidum, que tão brilhantemente musicou e interpretou quatro poemas do João Luís.


A obra do João Luís Dias fala por si. Leia-a quem se quiser maravilhar.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Não morro de paixão pelo romantismo, mas Almeida Garrett é incontornável na nossa literatura.

Para o conhecer melhor,
clique na imagem
"João Baptista da Silva Leitão de Almeida e mais tarde visconde de Almeida Garrett, (Porto, 4 de Fevereiro de 1799 — Lisboa, 9 de Dezembro de 1854) foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, Par do Reino, ministro e secretário de Estado honorário português.
Grande impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática." (wikipédia)



Os Cinco Sentidos

São belas - bem o sei, essas estrelas,
Mil cores - divinais têm essas flores;
Mas eu não tenho, amor, olhos para elas:
Em toda a natureza
Não vejo outra beleza
Senão a ti - a ti!

Divina - ai! sim, será a voz que afina
Saudosa - na ramagem densa, umbrosa.
será; mas eu do rouxinol que trina
Não oiço a melodia,
Nem sinto outra harmonia
Senão a ti - a ti!

Respira - n'aura que entre as flores gira,
Celeste - incenso de perfume agreste,
Sei... não sinto: minha alma não aspira,
Não percebe, não toma
Senão o doce aroma
Que vem de ti - de ti!

Formosos - são os pomos saborosos,
É um mimo - de néctar o racimo:
E eu tenho fome e sede... sequiosos,
Famintos meus desejos
Estão... mas é de beijos,
É só de ti - de ti!

Macia - deve a relva luzidia
Do leito - ser por certo em que me deito.
Mas quem, ao pé de ti, quem poderia
Sentir outras carícias,
Tocar noutras delícias
Senão em ti! - em ti!

A ti! ai, a ti só os meus sentidos
Todos num confundidos,
Sentem, ouvem, respiram;
Em ti, por ti deliram.
Em ti a minha sorte,
A minha vida em ti;
E quando venha a morte,
Será morrer por ti.

Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas'

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

As 35 (ou mesmo 40) horas de trabalho na escola, já!


Leia-se antes assim:
"Mais de 30 mil professores vão para o desemprego..."

Do que o ministério está à espera, como sempre, é da resignação dos professores (que são espetaculares nas manifestações, mas divididos na hora da luta) e da fraqueza dos sindicatos (que, preocupados com o folclore mediático, esbanjam oportunidades históricas na defesa efetiva da dignidade profissional docente). O ministério já conta com a aceitação resignada da sobrecarga de horas e mais horas que os professores "colocados" cumprirão, sem que isso lhes seja reconhecido.
Já há muito tempo (naquela altura, diziam-me: "não sejas parvo, pá!") que eu defendo que nós, os professores, deveríamos exigir o cumprimento completo do horário de trabalho nas escolas. Sempre defendi as 35 horas na escola. Hoje, até digo mais: mesmo que me tenham roubado 148,10 € por mês, estou disposto (pela pátria faço tudo!) a dar mais uma horinha diária, de boooorla... mas tudo na escola. Quero cumprir um horário de 8 horas diárias... na escola.

Muito gostava de ver os sindicatos a reivindicarem isto!
Seria mesmo giro vermos a opinião pública: "Então eles querem trabalhar mais, até estão dispostos a dar mais uma hora por dia, e o governo não deixa?! Tá tudo doido, ou quê?!"

Se assim fosse, fora do meu horário: não construía materiais, não fazia fichas, não corrigia testes ou exames (muito menos aos fins de semana), não tinha reuniões (a maior parte delas inúteis), não fazia relatórios, não participava em visitas de estudo, não avaliava os colegas (esse regabofe de promíscuas vaidades), não dinamizava os clubes, não promovia concursos pedagógicos, não programava apoios, não organizava exposições, não dinamizava o jornal, não me envolvia no desporto escolar (aos sábados, com deslocações às minhas custas)... e a pátria precisaria, não de despedir 30 mil, mas de admitir outros 30 mil.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Canção que me fica no ouvido: "Vida Tão Estranha", de Rodrigo Leão


São de veludo as palavras
Daquele que finge que ama
Ao desengano levo a vida
A sorte a mim já não me chama

Vida tão só
Vida tão estranha
Meu coração tão maltratado
Já nem chorar
Me traz consolo
Resta-me só um triste fado

A gente vive na mentira
Já não dá conta do que sente
Antes sozinha toda a vida
Que ter um coração que mente