terça-feira, 31 de agosto de 2010

Todo o dia uma tristeza profunda, uma angústia inexplicável!...


Senhor doutor, será que também estou com depressão pós-férias? Que hei de eu fazer?
- Atira-te ao Rio, Homem, e luta contra a corrente!...

Hoje, proponho este poema: "Surdo, Subterrâneo Rio", Eugénio de Andrade

Surdo, Subterrâneo Rio

Surdo, subterrâneo rio de palavras
me corre lento pelo corpo todo;
amor sem margens onde a lua rompe
e nimba de luar o próprio lodo.

Correr do tempo ou só rumor do frio
onde o amor se perde e a razão de amar
-surdo, subterrâneo, impiedoso rio,
para onde vais, sem eu poder ficar?

Eugénio de Andrade

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Aqui, há português (in)correto... (3)


Santa Eufêmea (Eufêmia ou Eufémia) era uma das nove irmãs gêmeas, filhas de Calsia, esposa de Lúcio Catelo Severo, governador romano do noroeste da Península Ibérica, no ano de 122 d.C., que, segundo a lenda, está na origem das Termas do Gerês:
"Calsia deu à luz nove meninas de um só parto. Por serem em número excessivo, só poderiam ser fruto de relações múltiplas ou filhas do próprio diabo. Temendo a reacção do marido que se encontrava numa missão no exterior, Calsia deu ordem a uma serva de sua confiança, Sila, para as afogar num rio. Sila, cristã, desobedeceu e entregou as crianças a algumas mulheres cristãs da vizinhança que as batizaram e educaram no Cristianismo. Foram chamadas de Eufêmea, Quitéria, Margarida, Vitória, Genebra, Márcia, Germana, Basilisa e Liberata.
Mais tarde foram reconhecidas pelo governador romano, Lúcio Severo, como suas filhas e este obrigou-as a renunciarem ao Cristianismo e a casarem com oficiais romanos. Como elas se recusaram, foram aprisionadas numa Torre. Entretanto, conseguiram fugir e, com mais cristãos da região, refugiaram-se nas montanhas e nelas travaram uma guerrilha que se estendeu por um amplo território durante vários anos. Contudo, o poderio romano era muito forte e, ao longo dos anos, todas as outras irmãs foram sendo mortas. No caso de Eufêmea, diz-se que, durante uma fuga aos soldados que a perseguiam, passou por Covide, cujas pegadinhas (que lá podem ser "claramente vistas") ficaram marcadas no "Penedo de Stª Eufêmea" e, chegando ao Gerês, atirou-se de um enorme penhasco abaixo. No momento em que se ía esborrachar no chão, um penedo abriu uma fenda e engoliu-a... e dali brotou uma fonte de águas curativas: as Termas do Gerês"
...e os soldados não conseguiram, assim, "levar a carta a Garcia"

Canção que me fica no ouvido: "Chamaram-me Cigano" - Zeca Afonso

domingo, 29 de agosto de 2010

Vídeo da RTP promove Terras de Bouro - "um dos concelhos do PNPG" ?!...


Numa consulta ao blogue "Terras de Bouro" (que recomendo a quem procurar notícias sobre o concelho), deparei com o seguinte post:
Terras de Bouro no "Portugal Em Directo"
Trata-se, sem dúvida, de um vídeo promocional interessante!
Mas atentem na ideia há muito instalada e que reflete a submissão das autarquias ao PNPG, que nos levou à presente situação: sem voz, sem poder, sem capacidade de decisão...
Ouça-se atentamente a apresentadora Dina Aguiar (minuto 23): "Terras de Bouro, um dos concelhos que faz parte do Parque Nacional da Peneda-Gerês" - ora o concelho não faz parte do PNPG, antes pelo contrário: áreas importantes do PNPG é que fazem parte do concelho de TERRAS DE BOURO.
Hoje, o PNPG dita todas as leis nas áreas em que está instalado (sem aspas)!
Espero que haja da parte dos atuais autarcas* os maiores esforços para que se inverta este estatuto de submissão do poder democrático, verdadeiramente representativo das populações, ao poder tecnocrata, que, incapaz de planear e "fazer", proíbe... proíbe... proíbe...
É fundamental que o Homem respeite a Natureza, mas é igualmente fundamental que, em nome da Natureza, não se desrespeite o Homem.
Nunca confundi o alto valor e interesse da ÁREA NATURAL (criada com as populações durante milhares de anos e que defendo afincadamente) com a instituição PNPG, fundada há cerca de 40 anos, da qual não conheço quaisquer acções significativas de ordenamento da floresta, de valorização da biodiversidade e, sobretudo, de promoção da qualidade de vida das populações.

 * - Declaração de Interesses: fui presidente da Assembleia Municipal de Terras de Bouro, no mandato de 2001/05, e o atual presidente da Câmara Municipal, Joaquim Cracel Viana, é meu irmão.

sábado, 28 de agosto de 2010

Hoje, proponho este poema: "Poeta Castrado, Não!", Ary dos Santos

Poeta Castrado, Não!

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado, não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah... não me venham dizer
que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado, não!

José Carlos Ary dos Santos

Aqui, há português (in)correto... (2)


Se a Escola fosse como era há décadas, integrada em aldeias polvilhadas de crianças, primaria pela alegria e pela vitalidade infantil. Infelizmente, descaracterizadas pela desertificação provocada por políticas de ordenamento do território completamente falhadas, as aldeias sofreram o abandono de dezenas e dezenas de famílias e a "Escola Primária" ficou sem alunos, sem mesas e sem assentos...
...neste caso, porém, o acento deverá ser mantido ou, então, que seja removida a placa com indicação enganosa!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Simplificada contratação a prazo na Função Pública


"Vai ser mais simples contratar trabalhadores a termo para os serviços públicos. Segundo dá conta o jornal Público na sua edição de hoje, em vez de passarem por uma prova de conhecimentos, avaliação psicológica e, em alguns casos, entrevista, os candidatos vão poder, desde que o responsável máximo do serviço o entenda, ser seleccionados unicamente com base no currículo apresentado."
Fonte: http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?t=Simplificada-contratacao-a-prazo-na-Funcao-Publica.rtp&article=370626&visual=3&layout=10&tm=6

Leia-se: "desde que tenham uma boa 'cunha'..." ou, em alternativa, "desde que o cartão partidário seja do agrado do chefe"

Carro em contramão na cidade de Braga...


Pode parecer estranho, mas o polícia até foi um tipo porreiro: se entra em acção, toma conta da ocorrência; tomando conta da ocorrência, há um condutor com o veículo em contramão; havendo um veículo em contramão, lá teria de multar o desgraçado!...
Acreditem, foi por bondade que o agente não interveio.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

1... 2... 3... p'ra cima - SPOOORTIIING - sem parar!...

Dedicado ao Djaló, por aquele 3º golo!

Aqui, há português (in)correto...* (1)



Neste aviso, a regra da concordância anda muito... discordante!
"...as inscrições ...decorrerá (ão)..."

Se isto acontecesse na "mini-escola do meu Mega-Agrupamento", seria motivo de inspeção.

* - Com os "posts" que agora inicio sobre esta temática, pretendo sinalizar o erro e não acusar as pessoas ou as instituições que erram.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

"Maylson e Salvio" quem puder... até "Doni"!...

Já AQUI referi os duvidosos critérios do Record, que agora volta a menorizar o extraordinário feito desportivo do S.C.Braga - são mais importantes as putativas contratações benfiquistas!...

"Se há que desobedecer, prefiro que seja a uma ordem dos homens do que a uma ordem de Deus" - Aristides de Sousa Mendes

Museu Virtual
(clique no nome com o lado direito do rato e vá a "Abrir numa Janela Nova")


Se quer conhecer melhor este extraordinário humanista português que salvou dos campos de concentração milhares de pessoas, abra a Wikipedia  (clicando com o lado direito do rato e "Abrir numa Janela Nova")

Agradeço à minha amiga Sónia Coura o e-mail com este interessantíssimo museu virtual.

Por sugestão das minhas filhas, chegadas de Taizé...


Mas o que é Taizé? 

Há mais de sessenta anos, o irmão Roger começava a fundação da Comunidade de Taizé. Através da sua própria existência, ela é uma «parábola de comunidade»: um sinal concreto de reconciliação entre cristãos divididos e entre povos separados, recebendo jovens de todo o mundo que se encontram com uma questão existencial: “Onde posso encontrar um sentido para a minha vida?”.
O quotidiano de Taizé baseia-se na oração em comum, onde milhares de jovens entoam cânticos seguidos de períodos de silêncio, e no trabalho voluntário de toda a comunidade. Taizé é o local ideal para que, através da oração, reflexão e partilha, se (re)encontre o verdadeiro "eu" e se descubra o que pode ser feito para melhorar a vida dos que nos rodeiam.
(Texto: Isabel)
Ouça alguns dos cânticos de Taizé:

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Hoje, proponho este poema: "Os Meus Amigos", Camilo Castelo Branco

Os Meus Amigos

Amigos cento e dez ou talvez mais,
eu já contei! Vaidades que eu sentia!
Pensei que sobre a terra não havia
mais ditoso mortal entre os mortais.

Amigos cento e dez, tão serviçais,
tão zelosos das leis da cortesia,
que eu já farto de os ver, me escapulia
às suas curvaturas vertebrais.

Um dia adoeci profundamente,
ceguei. Dos cento e dez houve um somente
que não desfez os laços quase rotos.

Que vamos nós (diziam) lá fazer?
Se ele está cego, não nos pode ver...
Que cento e nove impávidos marotos!

de Camilo Castelo Branco

... e esta canção que me fica no ouvido: "Monotone" - A Naifa

domingo, 22 de agosto de 2010

Aos meus amigos "dragões"...

Não, não me esqueci do fêquêpê, mas compreenderão que...
"o que é ordinário não é notícia"

Sporting - vitória conquistada com "paixão"...

Espelho meu, espelho meu... haverá alguém mais forte do que eu?!...


Clique e ouça o tenebroso e assustador rugido do leão:

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Oh! Pr'a mim é indiferente, eu até nem gosto nada de futebol!...



Na verdade... NUNCA gostei!



(viv'ó spooortiiing!...)

Canção que me fica no ouvido: "Quer Eu Queira, Quer Não" - Xaile

Hoje, proponho este poema: "As pessoas sensíveis", Sophia de Mello Breyner

As pessoas sensíveis

As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas

O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra

"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão."

Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito

Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto

Os duvidosos critérios de certo jornalismo desportivo...


Depois de uma fantástica vitória do S.C.BRAGA sobre o Sevilha, o Record apenas faz uma envergonhada chamada no fundo da página. Por momentos, julguei estar a ler "O Crime"!...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

No rescaldo dos incêndios...

(com o lado direito do rato e vá a "Abrir numa Janela Nova")


Nos últimos dias, as imagens da tragédia dos fogos dominaram a comunicação social. Então em Terras de Bouro foi um descalabro: ardeu em Valdosende e Rio Caldo, em Souto, na Ribeira e na Balança, em Chorense e em Moimenta, em Sta Isabel do Monte e em Covide, no Campo de Gerês, em Chamoím e Carvalheira, Vilar, Gondoriz, Brufe, Cibões e Vilar da Veiga!...
Nenhuma terrinha escapou!...
Porém, há já vários anos que o discurso se repete: falta de acessos, matas por limpar, necessidade de maior investimento na prevenção... blá...blá...blá...; blá... blá... blá...
Os mais devastadores, à exceção do que ocorreu no Formigueiro, aconteceram nas áreas integradas no PNPG: Calcedónia e Vilarinho da Furna (coincidência ou talvez não...).

"Nota de Imprensa":   há fogo na Ponte da Barca - o Gerês está a arder!...
                                    há fogo nos Arcos de Valdevez - o Gerês em chamas!...
                                    em Melgaço - o Gerês devorado pelo fogo!...
                                    em Vieira do Minho - o Gerês reduzido a cinzas!...
                                    na Póvoa de lanhoso - o Gerês num manto negro!...
                                    arde em Montalegre - acudam ao Gerês!...
                                    ...
Reconhece-se que, de facto, é magnífica a Serra de Gerês, mas não devem ser esquecidas as Serras da Peneda, do Soajo, a Amarela; a Serra do Carvalho, da Cabreira, do Larouco...

OBS: Se pretende uma perpetiva muito completa sobre os incêndios deste verão, clique com o lado direito em: http://terrasbouro.blogspot.com/  e vá a "Abrir numa Janela Nova".

Canção que me fica no ouvido: "O Romance de Diogo Soares" - Fausto


do álbum "Por Este Rio Acima"
Fausto Bordalo Dias

com dedicatória implícita

Hoje, proponho este poema: "Cântico Negro", José Régio

Cântico Negro   (Clique aqui para ouvir João Villaret)

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces

Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

José Régio

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Canção que me fica no ouvido: "A Gente Vai Continuar" - Jorge Palma

Depois de fazer play, clique no título da música com o lado direito do rato e vá a "Abrir numa Janela Nova" para acompanhar a letra e os acordes de viola:

Jorge Palma

Hoje, proponho este poema: "Liberdade", Miguel Torga

Liberdade


- Liberdade, que estais no céu...
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pio de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.

- Liberdade, que estais na terra...
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.

Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
- Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.

Miguel Torga, in 'Diário XII'

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Hoje, proponho estes poemas: "Odes", Ricardo Reis

Em amena cavaqueira com Fernando Pessoa* na "Brazileira", do Chiado:

Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.
Por que tão longe ir pôr o que está perto -
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.
Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele.

*******

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada coisa a Lua toda
Brilha, porque alta vive.

Ricardo Reis, Odes

* ou terá sido com Ricardo Reis?!...