segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Hoje, proponho este poema: "Os Meus Amigos", Camilo Castelo Branco

Os Meus Amigos

Amigos cento e dez ou talvez mais,
eu já contei! Vaidades que eu sentia!
Pensei que sobre a terra não havia
mais ditoso mortal entre os mortais.

Amigos cento e dez, tão serviçais,
tão zelosos das leis da cortesia,
que eu já farto de os ver, me escapulia
às suas curvaturas vertebrais.

Um dia adoeci profundamente,
ceguei. Dos cento e dez houve um somente
que não desfez os laços quase rotos.

Que vamos nós (diziam) lá fazer?
Se ele está cego, não nos pode ver...
Que cento e nove impávidos marotos!

de Camilo Castelo Branco

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