segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Hoje, proponho estes poemas: "Odes", Ricardo Reis

Em amena cavaqueira com Fernando Pessoa* na "Brazileira", do Chiado:

Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.
Por que tão longe ir pôr o que está perto -
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.
Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele.

*******

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada coisa a Lua toda
Brilha, porque alta vive.

Ricardo Reis, Odes

* ou terá sido com Ricardo Reis?!...

2 comentários:

  1. Cá estou eu, aceitando o desafio de te vir visitar! Um espaço interessante,tal como seria de esperar. Por muito que goste de Pessoa gosto mais de ti:) Beijinho e saudações filosóficas... Berta

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  2. Vim, vi e gostei. Obrigado pelo convite e muito mais por estar no rol dos teus amigos. Estarei atento a este espaço, porque vindo de quem vem, terá qualidade.
    Abraço, amigão.
    António Sousa

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