Mostrar mensagens com a etiqueta canções em português. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta canções em português. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O Cante Alentejano - Património Cultural Imaterial da Humanidade

O cante alentejano, um canto coletivo que adoro ouvir, foi hoje classificado como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco - Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.


(adaptado do vídeo promocional da candidatura, de Sérgio Tréfaut)

Parabéns, amigos alentejanos!...

domingo, 16 de novembro de 2014

Meu Amigo Está Longe!

Ary dos Santos e Alain Oulman
por Gisela João



                                Nem um poema, nem um verso, nem um canto
                                Tudo raso de ausência, tudo liso de espanto
                                Amiga, noiva, mãe, irmã, amante
                                Meu amigo está longe
                                E a distância é tão grande!...

                                Nem um som, nem um grito, nem um ai
                                Tudo calado, todos sem mãe nem pai
                                Amiga, noiva, mãe, irmã, amante
                                Meu amigo está longe
                                E a tristeza é tão grande!...

                                Ai esta mágoa, ai este pranto, ai esta dor
                                Dor do amor sozinho, do amor maior
                                Amiga, noiva, mãe, irmã, amante
                                Meu amigo está longe
                                E a saudade é tão grande!...

domingo, 1 de julho de 2012

1º Domingo de Julho: Festa da Senhora do Livramento

No dia da Festa da Senhora do Livramento, em Vilar, Terras de Bouro, recordo estes dois lindos fados: um, cantado por Amália, aí pelos anos 60, faz referência subtil à guerra colonial; o outro é interpretado por Camané e Maria da Fé.



Senhora do Livramento,
Livrai o meu namorado
Que me vai deixar sozinha,
Ai, meu Jesus!
Ai, meu Jesus!
Pela vida de soldado!
Pela vida de soldado!
As vossas tranças, Senhora,
São loiras como as espigas!
Senhora do Livramento,
Ai, meu Jesus!
Ai, meu Jesus!
Ajudai as raparigas!
Ajudai as raparigas

Senhora do Livramento 
Livrai-me deste tormento 
De a não ver há tantos dias 
Partiu zangada comigo 
Deixou-me um retrato antigo 
Que me aquece as noites frias
Senhora que o pensamento 
Corre veloz como o vento 
Rumando estradas ao céu 
Fazei crescer os meus dedos 
P´ra desvendar os segredos 
Num céu que não é só meu
Senhora do céu das dores 
Infernos, prantos, amores 
A castigar tanto norte 
Porque é que partiste um dia 
Sofrendo a minha agonia 
E não me roubaste a morte

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Canção que trago no ouvido: "No teu poema", de José Luís Tinoco

Não podendo estar presente, na biblioteca da minha escola, numa sessão de leitura de "Poesia ao entardecer..." promovida por um grupo de colegas, deixo aqui este lindo poema de José Luís Tinoco, que também o musicou, num tempo bastante criativo para a música portuguesa, interpretado por Carlos do Carmo:


No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida

No teu poema
Existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E aberta uma varanda para o mundo

Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da Senhora d'Agonia e o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria

Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco a raiva e a luta
De quem cai ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte

No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inquietos de quem fala

No teu poema
Existe um cantochão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano

 Existe um rio
O canto em vozes juntas, vezes certas
Canção de uma só letra e um só destino a embarcar
No cais da nova nau das descobertas

Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco a raiva e a luta
De quem cai ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte

No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do mundo
Existe tudo mais que ainda me escapa
É um verso em branco à espera
Do futuro

quarta-feira, 28 de março de 2012

Pedro Barroso: o último dos trovadores...

Ontem, tive um sarau futebolístico. Dos quatro "onzes" em confronto na liga dos campeões, só não tinha portugueses... o português! E perdeu!
Hoje, deu-me p'ra ouvir "Cantos da Paixão e da Revolta", o último álbum de Pedro Barroso.
Gosto muito, sobretudo de "In nominae", cuja letra-poema é do meu conterrâneo e amigo, poeta da montanha, João Luís Dias (que já AQUI anunciara), e "Dá-me uma gota de ti":


Dei comigo
ao vidro baço e lento da janela
no palpebrar
cadente e moreno
dos teus olhos
a noite é apenas noite
e o silêncio
mudo
e apenas se ouve o sussurro
dos versos que te chamam…
em nome de tudo e de todos
os que ainda
amam


E o sorriso
foi dormir antes de mim
querendo-me a cama
morna
Se ausente te sei
mesmo que só um pouco
todo eu parto de mim
p’ra regressar-te
aos meus braços
louco
até que acorde
de tudo o que sonhei
nos beijos esquivos
que me chamam
e me sinta poeta do sentir
eu que nada sei
em nome de tudo e todos
os que ainda
amam


Dá-me uma gota de ti
Uma palavra que seja
Despida de todos os sinais
Vestida noutro lugar
Onde apitem vendavais
E gaivotas a cantar

Dá-me uma flor desfolhada
Com seiva de água na boca
E lonjuras de moinhos
Como alquimias de vento
A rasgar céus em pedaços
Como estilhaços do tempo

Dá-me um chá preto das cinco
E o Bolero de Ravel
Com a pauta sussurrada
Entre beijos no meu peito
Lábios carnudos que eu sinto
E o sabor da tua pele

Dá-me um trago de ti mesma
Em copo de ouro e cristal
P'ra que escondidos na noite
Celebremos o teu corpo
Com excessos soletrados
Num desrespeito total

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Tô vendo tudo, tô vendo tudo... mas, bico calado, faz de conta que sou mudo


C
                   F                      C
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
                      F7                                        C
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo
                 F                      C
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
                     F7                                         C
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

         F7
Um país que crianças elimina
Que não ouve o clamor dos esquecidos
                                                G7
Onde nunca os humildes são ouvidos
                                                  C
E uma elite sem Deus é quem domina
              C7                                      F
Que permite um estupro em cada esquina
                                       C
E a certeza da dúvida infeliz
                                                    F
Onde quem tem razão baixa a cerviz
                                                Am
E massacram-se o negro e a mulher
          C                                F
Pode ser o país de quem quiser
              G                                 C
Mas não é, com certeza, o meu país

       F7
Um país onde as leis são descartáveis
Por ausência de códigos corretos
                                                G7
Com quarenta milhões de analfabetos
                                       C
E maior multidão de miseráveis
        C7                                  F
Um país onde os homens confiáveis
                                                       C
Não têm voz, não têm vez, nem diretriz
                                                F
Mas corruptos têm voz e vez e bis
                                                Am
E o respaldo de estímulo em comum
          C                               F
Pode ser o país de qualquer um
              G                                 C
Mas não é, com certeza, o meu país

F       C      F7    Am     F      C       F7     C 
uh uh uh  /  uh uh uh   /  uh uh uh   / uh uh uh

        F7
Um país que perdeu a identidade
Sepultou o idioma português
                                       G7
Aprendeu a falar pornofonês
                                       C
Aderindo à global vulgaridade
        C7                               F
Um país que não tem capacidade
                                               C
De saber o que pensa e o que diz
                                               F
Que não pode esconder a cicatriz
                                             Am
De um povo de bem que vive mal
          C                          F
Pode ser o país do carnaval
              G                                 C
Mas não é, com certeza, o meu país

        F7
Um país que seus índios discrimina
E as ciências e as artes não respeita
                                                G7
Um país que ainda morre de maleita
                                     C
Por atraso geral da medicina
       C7                                  F
Um país onde a escola não ensina
                                              C
E hospital não dispõe de raios-x
                                             F
Onde a gente dos morros é feliz
                                               Am
Se tem água de chuva e luz do sol
          C                        F
Pode ser o país do futebol
              G                                 C
Mas não é, com certeza, o meu país

F        C   F7    Am   F      C     F7    C
uh uh uh / uh uh uh /  uh uh uh / uh uh uh

                  F                     C
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
                     F7                                         C
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo
                  F                      C
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
                     F7                                         C
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

        F7
Um país que é doente e não se cura
Quer ficar sempre no terceiro mundo
                                             G7
Que do poço fatal chegou ao fundo
                                              C
Sem saber emergir da noite escura
       C7                                   F
Um país que engoliu a compostura
                                     C
Atendendo a políticos sutis
                                                 F
Que dividem o Brasil em mil brasis
                                               Am
Prá melhor assaltar de ponta a ponta
                                          F
Pode ser o país do faz-de-conta
              G                                 C
Mas não é, com certeza, o meu país.

F       C    F7    Am   F       C    F7     C
uh uh uh / uh uh uh  /  uh uh uh / uh uh uh

                  F                     C
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
                     F7                                         C
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo
                  F                     C
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
                     F7                                         C
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo
                      F7                                           C
(Mas, bico calado... calado, mas tô vendo tudo)

quarta-feira, 25 de maio de 2011

"Fala do Homem Nascido", um poema de António Gedeão, cantado por Adriano Correia de Oliveira



Sol     Dó     Ré+ 

Sol                              Dó
Venho da terra assombrada,
                              Ré+
do ventre da minha mãe;
Sol                           Dó
não pretendo roubar nada
          Ré+              Sol
nem fazer mal a ninguém.
                                    Ré+
Só quero o que me é devido
Sol                      Lá+
por me trazerem aqui,
Sol                                 Dó
que eu nem sequer fui ouvido
       Ré+              Sol
no acto de que nasci.

Trago boca para comer
e olhos para desejar.
Com licença, quero passar,
tenho pressa de viver.
Com licença! Com licença!
Que a vida é água a correr.
Venho do fundo do tempo;
não tenho tempo a perder.

Minha barca aparelhada
solta o pano rumo ao norte;
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada.
Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham,
nem forças que me molestem,
correntes que me detenham.
Quero eu e a Natureza,
que a Natureza sou eu,
e as forças da natureza
nunca ninguém as venceu.

Com licença! Com licença!
Que a barca se faz ao mar.
Não há poder que me vença.
Mesmo morto hei-de passar.
Com licença! Com licença!
Com rumo à estrela polar.

Poema: António Gedeão
Música: José Niza
Interpretação: Adriano Correia de Oliveira

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Tens razão, Sérgio, há muito que por "cá se vai andando c'o a cabeça entre as orelhas"!


Ia eu pelo concelho de Caminha
quando vi sentada ao sol uma velhinha
curioso, uma conversa entabulei
como se diz nuns romances que eu cá sei

Chamo-me Adozinha, disse, e tenho já
os meus 84 anos, feitos há
mês e meio, se a memória não me falha
mas inda vou durar uns anos, Deus me valha

Com esta da austeridade, meu senhor
nem sequer dá para ir desta pra melhor
os funerais estão por um preço do outro mundo
dá pra desistir de ser um moribundo

Rabugenta, eu? Não senhor
eu hei-de ir desta pra melhor
mas falo pelos que eu cá deixo
não é por mim que eu me queixo

Ó Felisbela, ó Felismina
ó Adelaide, ó Amelinha
ó Maria Berta, ó Zulmirinha
vamos cantar o coro das velhas?

Cá se vai andando
c'o a cabeça entre as orelhas

Não sei ler nem escrever mas não me ralo
alguns há que até a caneta lhes faz calo
é só assinar despachos e decretos
p'ra nos dar a ler a nós, analfabetos

E saúde, eu tenho p'ra dar e vender
não preciso de um ministro para ter
tudo o que ele anda a ver se me pode dar
pode ir ele p'ró hospital em meu lugar

E quanto a apertar o cinto, sinto muito
Filosofem os que sabem lá do assunto
Mas com esta cinturinha tão delgada
Inda posso ser de muitos namorada

Rabugenta, eu? Não senhor
eu hei-de ir desta pra melhor
mas falo pelos que eu cá deixo
não é por mim que eu me queixo

Ó Felisbela, ó Felismina
ó Adelaide, ó Amelinha
ó Maria Berta, ó Zulmirinha
vamos cantar o coro das velhas?

Cá se vai andando
c'o a cabeça entre as orelhas

E se a morte mafarrica, mesmo assim
me apartar das outras velhas, logo a mim
digo ao diabo, não te temo, ó camafeu
conheci piores infernos do que o teu

Rabugenta, eu? Não senhor
eu hei-de ir desta pra melhor
mas falo pelos que eu cá deixo
não é por mim que eu me queixo

Ó Felisbela, ó Felismina
ó Adelaide, ó Amelinha
ó Maria Berta, ó Zulmirinha
vamos cantar o coro das velhas?

Cá se vai andando
c'o a cabeça entre as orelhas

sexta-feira, 25 de março de 2011

"À força não hei de ir..." - Quadrilha


Corpo a rebentar p´la terra que nos quer salvar
E o mundo não entende esta canseira
Custa-me a entender que é mesmo assim que tem de ser
E mandam-me aceitar queira ou não queira
Tanto hei de dizer que alguém há de entender
Que à força não hei de ir, eu
À força não hei-de ir
Não há de haver ninguém que dite o mal e o bem
Que à força não hei de ir, eu
À força não hei de ir

De pedra na mão se trava a força de um canhão
Batalha desigual que dói na alma
Força de um querer que o mundo afasta p’ra não ver
Mas sobra-me a razão que não se acalma
O tempo a passar, ouço a terra a gritar
À força não hei de ir, eu
À força não hei de ir
Não há tempo a perder que o mundo há de entender
Que à força não hei de ir, eu
À força não hei de ir

terça-feira, 8 de março de 2011

"Share ou não share"-TGV, de Paco Bandeira, na linha de outras canções de revolta

Repito: este "share ou não share"-TGV, do Paco Bandeira, a canção "Que parva que eu sou", dos Deolinda, e a recentíssima vitória festivaleira de "A Luta é Alegria", dos Homens da Luta (post anterior), são, entre outros, três sinais claros de um fervilhar de revolta popular, prenunciadores de uma cada vez mais provável explosão do caldeirão... A ver vamos!


Viva Portugal do "deixa andar"
Viva o futebol cada vez mais
Viva a liberdade,
Viva a impunidade
Dos aldrabões, quejandos e que tais

Viva o tribunal, viva o juíz
E paga o justo pelo pecador
Viva a incompetência,
Viva a arrogância
Viva Portugal no seu melhor

Viva a notícia
Da chafúrdia social
De que o povo tanto gosta
O espectáculo da devassa
Viva o delator sem fuça
- É a morte do artista!

Viva a "petineira" do show-off
Dos apresentadores de televisão
Viva a voz do tacho
De quem vem de baixo
Do chefe, do ministro, do patrão

E viva a vilanagem financeira
A licenciatura virtual
Viva a corretagem
Viva a roubalheira
Viva a edição do "Tal & Qual"

Viva a notícia...

E viva a inveja nacional
Viva o fausto, viva a exibição
A dívida calada
Que hoje não se paga
Mas amanhã os outros pagarão

Viva a moda, viva o carnaval
Ó larilas, ó larilolé
Viva a tatuagem
O brinco à "bedolagem"
Que vai na internet e na tv

Viva a notícia...

Calem-se o Cravinho e o Bastonário
O Medina, o Neto e sempre o Zé
Viva o foguetório
O conto do vigário
Que dá p'ra aeroporto e tgv

Viva o mundo da publicidade
"Share" ou não "share": eis a questão
O esperto da sondagem
O assessor de imagem
Viva o fazedor de opinião

Viva a notícia...

domingo, 6 de março de 2011

Homens da Luta, com "Luta é Alegria", vencem festival RTP da canção

Uma canção de protesto, ao estilo de outros tempos, com uma votação também de protesto. Foi o povo, pá! Isto é mais um claro sinal dos tempos, camaradas!

"O último lugar ninguém nos tira, mas isso que importa, camaradas? O que importa, camaradas, pá, é a alegria do povo, pá!"
Concordo, camaradas, o que verdadeiramente importa é a alegria, pá, "a canção é uma arma", pá, viva a alegria na luta, camaradas!...


Por vezes dás contigo desanimado
Por vezes dás contigo a desconfiar
Por vezes dás contigo sobressaltado
Por vezes dás contigo a desesperar

De noite ou de dia
A luta é alegria
De um povo a dança é na rua a gritar

De pouco vale o cinto sempre apertado
De pouco vale andar a lamuriar
De pouco vale o ar sempre carregado
De pouco vale a raiva p'ra te ajudar

De noite ou de dia
A luta é alegria
De um povo a dança é na rua a gritar

E traz o pão e traz o queijo e traz o vinho
E vem o velho e vem o novo e o menino (bis)
Vem celebrar esta situação
E vamos cantar contra a reação (bis)

Não falta quem te avise: "vai com cuidado!"
Não falta quem te queira mandar calar
Não falta quem te deixe ressabiado
Não falta quem te venda o próprio ar

De noite ou de dia
A luta é alegria
De um povo a dança é na rua a gritar

E traz o pão e traz o queijo e traz o vinho
E vem o velho e vem o novo e o menino (bis)
Vem celebrar esta situação
E vamos cantar contra a reação (bis)

A luta continua quando o povo sai à rua!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

"Que parva que eu sou", Deolinda!

A canção que está a fazer furor pelo ciberespaço:



Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração "casinha dos pais",
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou!
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração "vou queixar-me pra quê?"
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração "eu já não posso mais!"
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Canção que me fica no ouvido: "Vida Tão Estranha", de Rodrigo Leão


São de veludo as palavras
Daquele que finge que ama
Ao desengano levo a vida
A sorte a mim já não me chama

Vida tão só
Vida tão estranha
Meu coração tão maltratado
Já nem chorar
Me traz consolo
Resta-me só um triste fado

A gente vive na mentira
Já não dá conta do que sente
Antes sozinha toda a vida
Que ter um coração que mente

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

"É Tão Bom! Uma amizade assim... Ai faz tão bem!

Aumentem o volume e cantem comigo, em voz alta, esta canção do Sérgio Godinho:


Vale a pena ver
castelos no mar alto
Vale a pena dar o salto
pra dentro do barco
rumo à maravilha
e pé ante pé desembarcar na ilha
Pássaros de cores que eu nunca vi
que o arco-íris queria para si
eu vi
o que quis ver afinal

É tão bom!
uma amizade assim
Ai, faz tão bem!
saber com quem contar
Eu quero ir
ver quem me quer assim
É bom pra mim
e é bom pra quem tão bem me quer

Vale a pena ver
o mundo aqui do alto
vale a pena dar o salto
Daqui vê-se tudo
às mil maravilhas
na terra as montanhas e no mar as ilhas
Queremos ir à lua mas voltar
convém dar a curva
sem se derrapar
na avenida do luar

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

"Pedra Filosofal", um poema de António Gedeão, com música e interpretação de Manuel Freire


A                               D
eles não sabem que o sonho
                             F#7
é uma constante da vida
                              G
tão concreta e definida
                                    A
como outra coisa qualquer

como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos

como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam
como estas árvores que gritam
em bebedeiras de azul

eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento
bichinho alacre e sedento
de focinho pontiagudo
                             Em A7
que fuça através de tudo
                            D
no perpétuo movimento

eles não sabem que o sonho
é tela é cor é pincel
base, fuste ou capitel
arco em ogiva, vitral

pináculo de catedral
contraponto, sinfonia
máscara grega, magia
que é retorta de alquimista

mapa do mundo distante
Rosa dos Ventos Infante
caravela quinhentista
que é cabo da Boa-Esperança

ouro, canela, marfim
florete de espadachim
bastidor, passo de dança
Columbina e Arlequim

passarola voadora
pára-raios, locomotiva
barco de proa festiva
alto-forno, geradora

cisão do átomo, radar
ultra-som, televisão
desembarque em foguetão
na superfície lunar

eles não sabem nem sonham
que o sonho comanda a vida
e que sempre que o homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos duma criança

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Canção que me fica no ouvido: "Cavaleiro Monge" (um poema de Fernando Pessoa), por Mariza


Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por casas, por prados,
Por quinta e por fonte,
Caminhais aliados.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por penhascos pretos,
Atrás e defronte,
Caminhais secretos.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por plainos desertos
Sem ter horizontes,
Caminhais libertos.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por ínvios caminhos,
Por rios sem ponte,
Caminhais sozinhos.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por quanto é sem fim,
Sem ninguém que o conte,
Caminhais em mim.

Fernando Pessoa, Cancioneiro - 24/17/1932

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Canção que me fica no ouvido: "Traz outro amigo também", de José Afonso

Pelo grupo "acapella", com António Ataíde e Vitorino


Am                                   D
Amigo maior que o pensamento
C                                 Am
Por essa estrada amigo vem
C                                 Am
Por essa estrada amigo vem
D                                    Am
Não percas tempo que o vento
C           E           Am
É meu amigo também

Em terras em todas as fronteiras
Seja bem vindo quem vier por bem
Seja bem vindo quem vier por bem
Se houver alguém que não queira
Trá-lo contigo também

E aqueles, aqueles que ficaram
Em toda a parte todo o mundo tem
Em toda a parte todo o mundo tem
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Canção que me fica no ouvido: "Arranja-me um emprego", de Sérgio Godinho


Tu precisas tanto de amor e de sossego,
- Eu preciso dum emprego.
Se mo arranjares, eu dou-te o que é preciso,
- Por exemplo, o Paraíso.
Ando ao Deus-dará, perdido nestas ruas,
Vou ser mais sincero, sinto que ando às arrecuas.
Preciso de galgar as escadas do sucesso
E por isso é que eu te peço:

Arranja-me um emprego!
Arranja-me um emprego, pode ser na tua empresa, com certeza,
Que eu dava conta do recado e pra ti era um sossego.

Se meto os pés para dentro, a partir de agora
Eu meto-os para fora.
Se dizia o que penso, eu posso estar atento
E pensar para dentro.
Se queres que seja duro, muito bem eu serei duro.
Se queres que seja doce, serei doce, ai isso juro.
Eu quero é ser o tal
E como o tal reconhecido.
Assim, digo-te ao ouvido:

Arranja-me um emprego!
Arranja-me um emprego, pode ser na tua empresa, com certeza,
Que eu dava conta do recado e pra ti era um sossego.

Sabendo que as minhas intenções são das mais sérias,
Partamos para férias.
Mas para ter férias é preciso ter emprego,
- Espera aí que eu já lá chego.
Agora penso numa casa com o mar ali ao pé
E nós os dois a brindarmos com rosé.
Esqueço-me de tudo com um por-do-sol assim,
- Chega aqui ao pé de mim:

Arranja-me um emprego!
Arranja-me um emprego, pode ser na tua empresa, com certeza,
Que eu dava conta do recado e pra ti era um sossego.

Se eu mandasse neles, os teus trabalhadores
Seriam uns amores.
Greves era só das seis e meia às sete
Em frente ao cacetete.
Primeiro de Maio só de quinze em quinze anos,
Feriado em Abril só no dia dos enganos.
Reivindicações quanto baste mas non tropo.
- Anda beber mais um copo.

Arranja-me um emprego!
Arranja-me um emprego, pode ser na tua empresa, com certeza,
Que eu dava conta do recado e pra ti era um sossego.

Tu precisas tanto de amor e de sossego,
- Eu preciso de um emprego...
Arranja-me um emprego!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Canção que me fica no ouvido: "Queixa das Almas Jovens Censuradas", José Mário Branco


C
Dão-nos um lírio e um canivete
C/B
e uma alma para ir à escola
Am
mais um letreiro que promete
Am/G Dm
raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
Dm/C
que tem a forma de uma cidade
G7/B
mais um relógio e um calendário
G
onde não vem a nossa idade

Am
Dão-nos a honra de manequim
Am/G
para dar corda à nossa ausência.
Am/F#
Dão-nos um prémio de ser assim
Amsus Am
sem pecado e sem inocência

Dm
Dão-nos um barco e um chapéu
Dm/C
para tirarmos o retrato
Dm
Dão-nos bilhetes para o céu
Gsus G
levado à cena num teatro

Am
Penteiam-nos os crâneos ermos
Am/G
com as cabeleiras dos avós
Am/F#
para jamais nos parecermos
Dm
connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
Dm/C
da nossa história sem enredo
G7/B
e não nos soa na memória
E Am
outra palavra para o medo

C
Temos fantasmas tão educados
C/B
que adormecemos no seu ombro
Am
sonos vazios despovoados
Am/G Dm
de personagens do assombro

Dão-nos a capa do evangelho
Dm/C
e um pacote de tabaco
G7/B
dão-nos um pente e um espelho
G
pra pentearmos um macaco

Am
Dão-nos um cravo preso à cabeça
Am/G
e uma cabeça presa à cintura
Am/F#
para que o corpo não pareça
Amsus Am
a forma da alma que o procura

Dm
Dão-nos um esquife feito de ferro
Dm/C
com embutidos de diamante
Dm
para organizar já o enterro
Gsus G
do nosso corpo mais adiante

Am
Dão-nos um nome e um jornal
Am/G
um avião e um violino
Am/F#
mas não nos dão o animal
Dm
que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
Dm/C
com carimbo no passaporte
E
por isso a nossa dimensão
E Am
não é a vida, nem é a morte