domingo, 31 de outubro de 2010
sábado, 30 de outubro de 2010
Diego Maradona: o melhor futebolista de todos os tempos perfaz, hoje, 50 anos. Parabéns!...
Três vídeos para vermos (ou revermos) "o melhor de sempre":
Finalmente, um acordo com registo para a posteridade!
Antes de qualquer comentário, uma constatação: José Sócrates ainda não deu a cara. A máquina do marketing político ter-lhe-á recomendado que se afastasse, tê-lo-á convencido de que a imagem (e ele vive sobretudo da imagem) de um governante com perfil infalível e determinado sairá menorizada deste acordo: um homem com um rumo tão definido, firme e inflexível, não faz cedências desta natureza... Há dias que não o vejo, nem nas televisões, nem nos jornais. A última vez que o vi, sorridente e defensor dos interesses pátrios, foi ao lado de Hugo Chávez...
Para mim, no entanto, este acordo não passou de um espetáculo para português ver, semelhante a uma rixa entre noivos que já têm o casamento combinado, mas que ainda não decidiram qual a quinta para a boda...
Já há muito que eu desconfiei (veja este post) que a decisão final do PSD seria a abstenção. Repito: lamentavelmente. A decisão patriótica não é estender a mão e dar oportunidade a quem, de forma tão despudorada, usou todas as oportunidades para iludir e enganar os portugueses, falseando a verdade e promovendo o não-trabalho; postura patriótica é fazer com que quem nos desgoverna há, pelo menos, cinco anos consecutivos, caia pelo seu próprio desequilíbrio. Os deuses do "MERCADO", que tanta aflição provocam aos financeiros, que venham para as fábricas, para os campos, para as oficinas, para os hospitais, para as escolas... que, de certeza, produzirão mais riqueza para o país e mais fácil e justamente se reduzirá o défice.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Terras de Bouro no rolo das memórias: a Câmara Municipal
Algumas fotografias com o edifício da Câmara Municipal em plano:
| A Câmara Municipal ainda em construção (ao fundo, detrás da capela, veem-se os sinos no carvalho) |
| Numa cerimónia que não me foi possível identificar - este senhor de costas é o meu avô, Joaquim Viana, e com a bandeira vai o Sr. Domingos Dias (o Dias ou Minguinhos do Grémio) |
![]() |
| Uma panorâmica geral, com o chafariz no meio. |
O meu avô é autor de uma cantiga (que oportunamente aqui postarei) que diz assim:
Vila de Covas
És pequena mas tens graça,
Tens um chafariz no meio,
Está sempre cheio,
Bebe quem passa.
![]() |
| Em frente à Câmara - a contar da esq: o Carlos Leite, o José Amaro, um miúdo que não identifico, o Luís Matos e o Zeca do Sousa (estes dois últimos já falecidos, eram ainda muito jovens!) |
| Num dia de nevão, em 1969 |
![]() |
| O edifício como se encontra atualmente, em fase de construção. |
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Canção que me fica no ouvido: "Com que voz" - Amália Rodrigues
Fm Bbm Com que voz chorarei meu triste fado, C7 Fm que em tão dura paixão me sepultou. F A Dm Que mor não seja a dor que me deixou o tempo, Bb que me deixou o tempo Fm Bbm de meu bem desenganado C7 de meu bem desenganado. Fm Bbm Mas chorar não se estima neste estado C7 Fm aonde suspirar nunca aproveitou. F A Dm Triste quero viver, pois se mudou em tristeza, Bb pois se mudou em tristeza Fm Bbm a alegria do passado. C7 a alegria do passado. (...) Bbm C7 De tanto mal, a causa é amor puro, Bbm Fm devido a quem de mim tenho ausente, Bbm Eb Ab por quem a vida e bens dele aventuro, Bbm C C7 por quem a vida e bens dele aventuro.
Aqui, há português (in)correto... (15)
O cartaz não foi sujeito a teste computadorizado; se o fosse, o corretor ortográfico assinalaria irregularidade "mecânica" na acentuação.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Registo civil de um "minino" angolano
No Registo Civil, um angolano residente em Portugal quer registar o seu filho recém-nascido:
- Bô dia! Eu quer registrar meu minino que nasceu otem.
- Muito bem. O seu filho nasceu ontem, é do sexo masculino... e qual é o nome?
- Marmequer Bicicreta.
- Desculpe! Quer chamar ao seu filho Malmequer Bicicleta?
- É.
- Desculpe, mas não posso aceitar esse nome.
- Não pode, porque tu é racista! Si meu minino fosse branco, tu punha.
- Não tem nada a ver com racismo. Esse não é um nome admitido em Portugal.
- Tu é racista. Si meu minino fosse branco, tu punha esse nome a ele. Tu não põe, porque meu minino é preto.
- Já lhe disse que não tem nada a ver com racismo. Malmequer Bicicleta não é nome de gente.
- Ai não! Então porque é que tu tem uma branca chamada Rosa Mota?
- Bô dia! Eu quer registrar meu minino que nasceu otem.
- Muito bem. O seu filho nasceu ontem, é do sexo masculino... e qual é o nome?
- Marmequer Bicicreta.
- Desculpe! Quer chamar ao seu filho Malmequer Bicicleta?
- É.
- Desculpe, mas não posso aceitar esse nome.
- Não pode, porque tu é racista! Si meu minino fosse branco, tu punha.
- Não tem nada a ver com racismo. Esse não é um nome admitido em Portugal.
- Tu é racista. Si meu minino fosse branco, tu punha esse nome a ele. Tu não põe, porque meu minino é preto.
- Já lhe disse que não tem nada a ver com racismo. Malmequer Bicicleta não é nome de gente.
- Ai não! Então porque é que tu tem uma branca chamada Rosa Mota?
Um beijinho para a enorme Rosa Mota
...aqui, rodeada pelas moças lá de casa.
Hoje, proponho este poema: "Um Amor", Nuno Júdice
Um Amor
Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão,
puxaste-me para os teus olhos
transparentes como o fundo do mar para os afogados. Depois, na rua,
ainda apanhámos o crepúsculo.
As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar
diferente inundava a cidade. Sentei-me
nos degraus do cais, em silêncio.
Lembro-me do som dos teus passos,
uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas,
e a tua figura luminosa atravessando a praça
até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é,
o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali,
continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha
essa doente sensação que
me deixaste como amada
recordação.
Nuno Júdice, in "A Partilha dos Mitos"
Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão,
puxaste-me para os teus olhos
transparentes como o fundo do mar para os afogados. Depois, na rua,
ainda apanhámos o crepúsculo.
As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar
diferente inundava a cidade. Sentei-me
nos degraus do cais, em silêncio.
Lembro-me do som dos teus passos,
uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas,
e a tua figura luminosa atravessando a praça
até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é,
o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali,
continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha
essa doente sensação que
me deixaste como amada
recordação.
Nuno Júdice, in "A Partilha dos Mitos"
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Elucubrações... pretensamente poéticas: rio
a fonte do teu brotar
não é gota delicada
não é gota delicada
(como diz o poeta)
mas um lameiro sedento
de se libertar pela serra
rasgando o chão granítico
do trilho do destino
enfrentas os muros
que te barram o caminho
avolumando a ânsia
de prosseguir
(inchado,
disfarças jazer
na paz de um charco
de memórias afogadas!...)
e renasces logo adiante
sob as fragas
com o ímpeto renovado
e retomas
- arroio insubmisso -
a raiz do teu pulsar:
Homem determinado
pelo fim comunitário
de ser mar
macviana
26.10.10
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Aqui, há português (in)correto... (14)
É verdade que aquele "túnel" dá acesso a uma (hiper)garrafeira, mas os variados vinhos lá disponíveis já há muito que foram trasfegados do tonel para as garrafas.
domingo, 24 de outubro de 2010
Pela Serra Amarela - de Brufe às Casarotas
Todo este colorido viçoso e reconfortante está transformado em cinza e carvão!...
Sítios com história(s): as Casarotas da Serra Amarela
A única casarota que eu consegui encontrar com inscrição - será que está inscrita a palavra "Vergaço"? No alto da Serra Amarela, na Chã do Salgueiral, existem mais de duas dezenas de construções em pedra, às quais foi dado o nome de Casarotas. Há quem defenda que são construções pré-históricas, fazendo lembrar antas ou dólmenes; outros defendem que serão antigas cabanas de pastores; outros ainda que a sua construção e utilização estará associada à defesa da fronteira da Portela do Homem (privilégio - assim se designava no tempo - que AQUI referimos atribuído ao povo de Terras de Bouro). Algumas destas Casarotas apresentam inscrições dificilmente decifráveis, provavelmente referências a lugares vizinhos, como será (?) o caso da inscrição acima. |
sábado, 23 de outubro de 2010
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Canção que me fica no ouvido: "Estrela do Mar" - Jorge Palma
Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte
F# E
E em que o sonho parecia disposto a não vir
B A E
Fui estender-me na praia sozinho ao relento
B A E
E ali longe do tempo acabei por dormir
Acordei com um toque suave de um beijo
E uma cara sardenta encheu-me o olhar
Ainda meio a sonhar perguntei-lhe quem era
Ela riu-se e disse baixinho: estrela do mar F#
G C
Sou a estrela do mar só a ele obedeço
B Am
Só ele me conhece só ele sabe quem sou
C G
No princípio e no fim
C B D
Só a ele sou fiel e é ele que me protege
Am B
Quando alguém quer à força ser dono de mim E
Não sei se era maior o desejo ou o espanto
Só sei que por instantes deixei de pensar
Uma chama invisível incendiou-me o peito
Qualquer coisa impossível fez-me acreditar
Em silêncio trocamos segredos e abraços
Inscrevemos no espaço um novo alfabeto
Já passaram mil anos sobre o nosso encontro
Mas mil anos são pouco ou nada p'ra estrela do mar
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Elucubrações... pretensamente poéticas: viagem
desterrado
atiro-me ao teu convés
e disputo
folha a folha
a viagem
com os ventos
e navego
por caminhos de água
enquanto os deuses
disputam invejas
arreio a vela
e acosto à ilha
dos desejos
(Leonardo cavaleiro
e namorado!)
sedento de glória
e de beijos…
macviana
21.10.10
atiro-me ao teu convés
e disputo
folha a folha
a viagem
com os ventos
e navego
por caminhos de água
enquanto os deuses
disputam invejas
arreio a vela
e acosto à ilha
dos desejos
(Leonardo cavaleiro
e namorado!)
sedento de glória
e de beijos…
macviana
21.10.10
Aqui, há português (in)correto... (13)
Há automóveis tão rápidos, tão rápidos, que o próprio acento não consegue travar na sílaba adequada e derrapa para a seguinte!
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
"Terras de Bouro - cem anos de adversidades"
Cheguei há pouco a casa depois de ter estado nas comemorações do Dia do Município, na Câmara Municipal de Terras de Bouro, onde foi lançado o livro "Terras de Bouro - cem anos de adversidades", da autoria do ex-presidente do câmara, Dr. José de Araújo.
Venho de alma satisfeita por ter testemunhado o gesto cívico e democrático do atual presidente, Joaquim Cracel Viana, meu irmão, pelo reconhecimento público há muito devido ao homem e terrabourense extraordinário que é o Dr. José Araújo.
Sinto também uma enorme vontade em "devorar" o livro agora publicado, cujo título nos aponta para aquilo que foram os mais de 20 anos do Dr. Araújo à frente dos desígnios de Terras de Bouro: uma incessante luta pelos direitos deste povo e uma exigência permanente de respeito pela sua dignidade.
Seguiu-se mais um fantástico concerto pela Banda de Música de Carvalheira, em frente aos Paços do Concelho.
Eis algumas fotos:
Venho de alma satisfeita por ter testemunhado o gesto cívico e democrático do atual presidente, Joaquim Cracel Viana, meu irmão, pelo reconhecimento público há muito devido ao homem e terrabourense extraordinário que é o Dr. José Araújo.
Sinto também uma enorme vontade em "devorar" o livro agora publicado, cujo título nos aponta para aquilo que foram os mais de 20 anos do Dr. Araújo à frente dos desígnios de Terras de Bouro: uma incessante luta pelos direitos deste povo e uma exigência permanente de respeito pela sua dignidade.
Eis o livro (com a dedicatória que diz: "... com um grande abraço e o pedido para que continue por cá"):
e a Mesa que presidiu à apresentação: |
| Professor Doutor José Viriato Capela (apresentador da obra), Dr. José de Araújo (autor), Dr. Fernando Moniz (governador civil) e Dr. Joaquim Viana (presidente da câmara) |
| O autor autografando a obra |
Quero ainda dar os parabéns à Câmara Municipal pela forma simples (exigível nos tempos de austeridade que vivemos) e, talvez por isso mesmo, emblemática e honrosa das comemorações: pela manhã, na Vila do Gerês, a apresentação de uma obra sobre uma grande figura geresiana,"Recordando o Professor Emídio Ribeiro", da autoria de António Elísio de Carvalho Costa; pela tarde, na Vila de Terras de Bouro, a apresentação da obra do Dr. Araújo, acima referida.
Seguiu-se mais um fantástico concerto pela Banda de Música de Carvalheira, em frente aos Paços do Concelho.
Eis algumas fotos:
| Estas três fotos mostram bem a juventude que compõe esta centenária banda, orgulho da nossa Terra. |
| O Maestro António Luís, que veio trazer à banda um rigor e uma "esperança" maiores. |
| O Maestro e o Presidente da Câmara |
20 de Outubro: feriado municipal em Terras de Bouro
Por volta de 1220, o Julgado de Bouro detinha uma importância capital, sendo a sede de 70 freguesias, organizadas em coutos e honras. Os habitantes das terras de Boyro, como então se designava esta região de Entre Homem e Cávado, tinham por missão defender a Portela do Homem e a Serra Amarela dos povos invasores, bem como guarnecer o Castelo de Bouro. Durante o reinado de D. Dinis, esta região recebeu bastantes benifícios, tendo sido constituído um contrato oneroso que isentava os seus habitantes do pagamento do qualquer tributo à coroa e da prestação do serviço militar. Em contrapartida, estes deveriam permanecer nas suas terras e defender, à própria custa, a Portela do Homem - contrato que foi cumprido durante mais de 500 anos.
Reconhecendo a importância destes povos e da região, o rei D. Manuel I concedeu a Carta de Foral a Terras de Bouro, a 20 de Outubro de 1514.
O concelho viria, em 1895, por Decreto de 14 de Agosto do mesmo ano, a ser extinto, tendo sido restaurado a 13 de Janeiro de 1898.
Reconhecendo a importância destes povos e da região, o rei D. Manuel I concedeu a Carta de Foral a Terras de Bouro, a 20 de Outubro de 1514.
![]() |
| A Carta de Foral concedida por D. Manuel I a Terras de Boyro |
Terras de Bouro não tinha feriado próprio a condizer com a sua especificidade histórica - o feriado municipal era coincidente com o feriado distrital, a 24 de junho, dia de S. João - e, em face disso, os órgãos municipais aprovaram, há cerca de 4 anos, o dia 20 de outubro como "Dia do Município", feriado municipal.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Sócrates versus Sócrates - um espetáculo!!!!!!!!
Confesso que hesitei bastante sobre que "etiqueta" colocar neste post:
se opinião e cidadania ou humor e divertimento - mas como a situação não está para graças!...
Nota - agradeço ao António Sousa (enfermeiro Vicente, para os amigos) o envio destes vídeos com a recomendação explícita de que os veja antes que sejam censurados.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Sosseguem, almas cordatas e amigas da nação! Mesmo sem FMI, seremos nós a pagar as favas… e os favores!
Pedro Passos Coelho não tem coragem!
Se o governo iludiu os portugueses (ou aqueles que se quiseram deixar iludir); se deveria ter tomado medidas a tempo e horas, em vez de se preocupar com a propaganda; se deveria ter há muito consolidadas políticas económico-financeiras que reduzissem sustentavelmente o défice; se as SCUT tivessem sido portajadas desde há 10 anos (na altura, os agora tão zelosos defensores do interesse público e do estado social andaram a distribuir benesses por autarcas e quejandos); se muitos institutos públicos e empresas municipais tivessem sido extintos ou fundidos; se a reforma da organização política e administrativa da nação estivesse já pensada e implementada; se não nos entretivessem com o folclore das escolas e dos múltiplos pseudo-cursos em curso; se não teimassem na mitificação dos planos energéticos e tecnológicos e outras muitas coisas mais sem planos…
se um orçamento é mau… vota-se CONTRA.
Pedro Passos Coelho não assumirá o dever patriótico de chumbar este orçamento! Assustou-se com a ameaça dos banqueiros e com os apelos catastrofistas dos "instalados"! Não terá a coragem de arcar com a responsabilidade de desmascarar e encostar à parede um governo incompetente e, sobretudo, um 1º ministro arrogante, malabarista e aldrabão.
Viva a coerência comunista!
Canção que me fica no ouvido - Menino d'Ouro - Zeca Afonso, pelo grupo "De Outra Margem"
Dedicada ao meu irmão Filipe, à Vanuza e à Filipinha (beijinhos do "paínho"),
pelo seu menino d'ouro que hoje nasceu.
"Menino d'Ouro", de Zeca Afonso
Pelo Grupo "De Outra Margem"
pelo seu menino d'ouro que hoje nasceu.
"Menino d'Ouro", de Zeca Afonso
Pelo Grupo "De Outra Margem"
Que soberba interpretação!...
O Abílio Santos (Bilão) é uma daquelas pessoas que se cruzam connosco e jamais se esquecem, tem uma alma do tamanho do mundo, uma inteligência e uma cultura fora do comum. Tive o privilégio de conviver com ele, no ano letivo de 1985/86, em Montalegre. Já então tocava cavaquinho e braguesa que era um assombro! Ainda tenho o cavaquinho que ele me ajudou a comprar ao famoso "artesão" Domingos Machado, de Tebosa - agora é a minha filha Isabel Cristina que o toca nas "Mondeguinas", Tuna Feminina da Universidade de Coimbra.
Aquelas noites frias de "entre Gralhas e Meixedo, Padornelos e Padroso", junto a uma grande lareira (no Barroso é tudo em grande), com presunto, chouriço e maduro da melhor escolha... violas, cavaquinhos e gargantas afinadas: são das noites que recordo com mais saudade!
Eu e o Bilão cantávamos muitas vezes, "a capella", estas duas cantigas:
"FIM - Quando eu morrer", poema de Mário de Sá Carneiro, pelo grupo "Trovante"
(que já aqui postei na 6ª feira, p.p.)
"Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro."
"Eu hei-de amar uma pedra", canção popular alentejana, interpretada por Vitorino e Janita Salomé.
"Eu hei-de amar uma pedra
deixar o teu coração
uma pedra sempre é mais firme
tu és falsa e sem razão
Tu és falsa e sem razão
eu hei-de amar uma pedra
eu hei-de amar uma pedra
deixar o teu coração
Quando eu estava de abalada
meu amor para te ver
armou-se uma trovada
mais tarde deu em chover
Mais tarde deu em chover
sem fazer frio nem nada
meu amor para te ver
quando eu estava de abalada"
Mais uma atuação do grupo "De Outra Margem"... em que o cavaquinho do Bilão até fala!
domingo, 17 de outubro de 2010
Venha o FMI, porra! Venha!... Não seremos mais enganados e roubados!
Ah, José Mário Branco! Como és atual, Pá!
Quem faz parte do problema... não pode estar na solução!
(nem mesmo com as habituais artes de malabarismo)
sábado, 16 de outubro de 2010
Quem foi o Dr. Paulo Marcelino?
![]() |
| Foto retirada de: José Araújo, Terras de Bouro - cem anos de adversidades, Edição CMTB, 2010. |
Paulo Marcelino Dias de Freitas nasceu em Paredes, Carvalheira, concelho de Terras de Bouro, a "vinte e coatro do mês de Outubro de mil e octo centos e quarenta e nove"(conforme registo de batismo), e está sepultado no cemitério de Agramonte, Porto (não me foi ainda possível apurar a data da morte). É filho de António Manuel Dias de Freitas, magistrado do ministério público do julgado local, foi médico no Porto e viveu em Vila Nova de Gaia (cidade que tem uma rua com o seu nome).
"Fez distintamente o curso preparatório no liceu de Braga, em 1870 entrou para a Academia Politécnica do Porto e em 1871 para a Escola Médico Cirúrgica da mesma cidade. Fez rapidamente o curso, tirando em 1876 o diploma de médico com as mais honrosas referências. Começou então a exercer clínica, tornando-se muito afamado, dando consultas no consultório do Dr. Arnaldo Braga, e no do Dr. Corte Real. Mais tarde dedicou-se à política e saiu deputado pelo círculo de Póvoa de Lanhoso, em 1879, sendo depois nomeado vogal da Junta Geral do Distrito do Porto, e eleito pelos colegas presidente do mesmo corpo administrativo. Aborrecendo-se da política, abandonou-a completamente. Em 1887, foi provido no lugar de lente da 6.ª cadeira, cuja disciplina é Tecnologia Geral, História do Progresso das Industrias, Higiene Geral e Colonial, tendo assumindo, no ano de 1899, o cargo de director do Instituto Industrial e Comercial do Porto. Foi depois nomeado provedor da Misericórdia, cargo que exerceu até 1901, e que sempre desempenhou com o maior zelo."
Fonte: Dicionário Histórico de Portugal
Dr. Paulo Marcelino e as Termas do Gerês (com o famoso Dr. Ricardo Jorge)
“A 7 de Dezembro de 1888, o governo adjudicou por contrato provisório as águas medicinais do Gerês a uma empresa formada por Ricardo de Almeida Jorge e Paulo Marcelino Dias de Freitas, “distintíssimos médicos e eminentes professores”, pelo prazo de 50 anos. Esse contrato necessitava da aprovação das Cortes para se efectivar, e foi apresentado a 30 de Janeiro de 1889. Esteve em discussão nas sessões de 2 e 22 de Junho e 5 de Julho desse ano, e depois de agitados debates foi aprovado o texto inicial do contrato com algumas emendas.
O contrato definitivo foi publicado no Diário do Governo a 25 de Julho de 1889, e assinado a 16 de Setembro. A 10 de Março do ano seguinte por escritura lavrada no Porto, esta concessão foi vendida a uma sociedade anónima, a Companhia das Caldas do Gerez, de que foram sócios fundadores Ricardo Jorge e o capitalista bracarense Manuel Joaquim Gomes, afastando-se assim Paulo Marcelino do processo de exploração hidromedicinal das Caldas do Gerês.”
Fonte: “Das termas aos "spas": reconfigurações de uma prática terapêutica” - Projecto POCTI/ ANT/47274/2002 - Centro de Estudos de Antropologia Social e Instituto de Ciências Sociais
"Ricardo Jorge procurou obter a concessão oficial do Gerês e «organizar uma sociedade que dispusesse de capitais para transformar a pobre Estância de 1735, numa «hidrópole moderna e grandiosa». Associa-se a Sousa Reis (químico), Manuel Joaquim Gomes (capitalista) e ao médico Paulo Marcelino Dias de Freitas (político, amigo do então presidente do Conselho de Ministros, José Luciano de Castro).
Em 20 de Junho de 1887, apresentaram o requerimento para concessão de exploração das águas do Gerês, nos seguintes termos: - «SENHOR: Os signatários Paulo Marcelino Dias de Freitas, médico e professor, Adolfo de Sousa Reis, químico, Manuel Joaqquim Gomes, proprietário e capitalista, Ricardo de Almeida Jorge, médico e professor, vêm perante Vossa Majestade, rogar que haja por bem conferir-lhes a concessão das águas medicinais das Caldas do Gerês e autorizar-lhes a criação de instalações termais adequadas, onde as preciosas águas sejam utilizadas, como merecem, a bem da saúde e da ciência, realizando assim um melhoramento de alto alcance económico e médico, de há muito instantemente reclamado por todos quantos têm transitado pelas Caldas e reconhecido."
Fonte: site “vidas lusófonas.pt/rjorge”
Dr. Paulo Marcelino e a fundação do Hospital Maria Pia
"O Hospital Maria Pia foi inaugurado a 1 de Janeiro de 1883.
Os fundadores foram:
-Conde de Samudães, Francisco José de Araújo
-Henrique Carlos de Meirelles Kendall
-Rodrigo António Machado Guimarães
-D. Joaquim de Carvalho Azevedo Mello e Faro
-Eduardo da Costa Correia Leite
-António Bernardino Pires
-Conde da Silva Monteiro, Fulgêncio José Pereira
-José António Barbosa
-Alberto Borges de Castro
-Conselheiro Arnaldo Anselmo Ferreira Braga
-António Augusto de Mello
-Paulo Marcelino Dias de Freitas
-José Luciano Alves Quintella
-Augusto Carlos Chaves de Oliveira
-Augusto Sebastião Guerra"
Fonte: J.P. de Almeida Brandão, pp 98/99, in Guia do Forasteiro no Porto e Província do Minho, Editado F. Lopes, Porto.
“Voltando agora ao Hospital Maria Pia, ele foi fundado em 1881 sob patrocínio régio por um grupo de cidadãos entre os quais avultava o influente médico e político Conselheiro Arnaldo Braga, o Dr. Paulo Marcelino Dias de Freitas que depois foi provedor da Misericórdia de 1896 a 1901”
Fonte: António Coimbra, A Modernização Da Medicina Portuense Na Primeira Metade Do Século XX
Dr. Paulo Marcelino e o Instituto Industrial e Comercial do Porto
Também A. Álvaro Dória, filho do ilustre Professor Raúl Dória, escreve na obra “O Professor Raúl Dória e a sua Escola”, Porto, 1968:
“… desde muito novo sentiu meu Pai decidida vocação pelos assuntos ligados ao comércio, o que o levou à matrícula no antigo Curso Superior de Comércio do Instituto Industrial e Comercial, onde teve por mestre, entre outros, o Dr. Paulo Marcelino Dias de Freitas, mais tarde Director daquele estabelecimento, e por quem meu Pai nutriu sempre grande admiração e estima. Por diversas vezes me recordo eu de ter visto o ilustre Professor, com o seu porte elevado, a sua ampla testa e o seu sorriso cativante, a presidir às sessões solenes comemorativas do aniversário da Escola Raúl Dória.”
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Terras de Bouro no rolo das memórias: a Av. Dr. Paulo Marcelino
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| A imagem que mais se aproxima da ideia mais remota que tenho do fundo da avenida (a célebre cabina - por detrás da qual dei as primeiras "puxas" num cigarro) |
![]() |
| A Prazeres da Lídia - espreitando da Eira |
![]() |
| As bombas de gasolina ("em frente" ao café do Tero), o eido do Morgado e os correios |
![]() |
| Um cortejo nupcial vindo da Capela de S. Brás (quem seriam os noivos?) |
![]() |
| A avenida ainda com o "stick" |
![]() |
| Na homenagem ao Dr. Artur Arantes e ao Dr. Xavier de Araújo, cujos bustos foram mais tarde "sticados" para junto da capela de S. Brás |
![]() |
| Uma perspetiva moderna da avenida, ainda sem "risco ao meio" (sem "stick") |
![]() |
| Descansando nos bancos laterais da avenida (o Sr. Manuel Martins, o "Mudo do Barreiro" - falecido) |
![]() |
| Descansando nos bancos da avenida (o Sr. Machado ? - falecido) |
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