domingo, 25 de setembro de 2011

Hoje, proponho este poema: "As pessoas sensíveis", de Sophia de Mello Breyner Andresen

As pessoas sensíveis

As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas

O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra

"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão.

"Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito

Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.

Sophia de Mello Breyner Andresen (Livro sexto)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Fojos do Lobo da Serra Amarela: Vilarinho da Furna e Brufe

Ontem, estiquei um pouco as pernas pelas encostas de Brufe e, caçador desenganado, cintei algumas fotos do fojo do lobo, na encosta da Amarela, sobranceira ao Rio Homem.
Como, em Dezembro próximo passado, capturara também imagens do fojo de Vilarinho da Furna, achei ter argumento para me estrear como "realizador" e fazer este pequeno filme, cuja temática já AQUI abordara:

domingo, 11 de setembro de 2011

Pico da Nevosa: o topo da Serra do Gerês

Com uma altitude de 1548 metros, o Pico da Nevosa é o ponto mais alto da Serra do Gerês e, consequentemente, o segundo mais alto de Portugal Continental.
Há dias, acompanhado por três amigos (António Cunha, Víctor Cunha e Pedro Arantes) que ainda não precisam do pau de apoio, calcorreei a serra pelo lado espanhol, desde a Ermida de Nossa Señora do Xurês, pelas Minas das Sombras, até aos Carris e Pico da Nevosa, estes já em serra portuguesa.
O António Cunha, companheiro desta e de outras caminhadas, produziu este lindíssimo slideshow:

sábado, 3 de setembro de 2011

Elucubrações... pretensamente poéticas: sombras






superadas as sombras
rompemos o muro dos limites
e guiados por mariolas de vontades incrustadas
seguimos a rota
envolta em horizontes de névoas
até à conquista
marco a marco
do destino

e no pico mais alto
de granítica nudez
entranhamos o mais íntimo
desta nossa condição
de humana pequenez

macviana
03.09.2011