Sol Dó Ré+
Sol Dó
Venho da terra assombrada,
Ré+
do ventre da minha mãe;
Sol Dó
não pretendo roubar nada
Ré+ Sol
nem fazer mal a ninguém.
Ré+
Só quero o que me é devido
Sol Lá+
por me trazerem aqui,
Sol Dó
que eu nem sequer fui ouvido
Ré+ Sol
no acto de que nasci.
Trago boca para comer
e olhos para desejar.
Com licença, quero passar,
tenho pressa de viver.
Com licença! Com licença!
Que a vida é água a correr.
Venho do fundo do tempo;
não tenho tempo a perder.
Minha barca aparelhada
solta o pano rumo ao norte;
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada.
Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham,
nem forças que me molestem,
correntes que me detenham.
Quero eu e a Natureza,
que a Natureza sou eu,
e as forças da natureza
nunca ninguém as venceu.
Com licença! Com licença!
Que a barca se faz ao mar.
Não há poder que me vença.
Mesmo morto hei-de passar.
Com licença! Com licença!
Com rumo à estrela polar.
Poema: António Gedeão
Música: José Niza
Interpretação: Adriano Correia de Oliveira
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