quarta-feira, 25 de maio de 2011

"Fala do Homem Nascido", um poema de António Gedeão, cantado por Adriano Correia de Oliveira



Sol     Dó     Ré+ 

Sol                              Dó
Venho da terra assombrada,
                              Ré+
do ventre da minha mãe;
Sol                           Dó
não pretendo roubar nada
          Ré+              Sol
nem fazer mal a ninguém.
                                    Ré+
Só quero o que me é devido
Sol                      Lá+
por me trazerem aqui,
Sol                                 Dó
que eu nem sequer fui ouvido
       Ré+              Sol
no acto de que nasci.

Trago boca para comer
e olhos para desejar.
Com licença, quero passar,
tenho pressa de viver.
Com licença! Com licença!
Que a vida é água a correr.
Venho do fundo do tempo;
não tenho tempo a perder.

Minha barca aparelhada
solta o pano rumo ao norte;
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada.
Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham,
nem forças que me molestem,
correntes que me detenham.
Quero eu e a Natureza,
que a Natureza sou eu,
e as forças da natureza
nunca ninguém as venceu.

Com licença! Com licença!
Que a barca se faz ao mar.
Não há poder que me vença.
Mesmo morto hei-de passar.
Com licença! Com licença!
Com rumo à estrela polar.

Poema: António Gedeão
Música: José Niza
Interpretação: Adriano Correia de Oliveira

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