Leia-se antes assim:
"Mais de 30 mil professores vão para o desemprego..."
Do que o ministério está à espera, como sempre, é da resignação dos professores (que são espetaculares nas manifestações, mas divididos na hora da luta) e da fraqueza dos sindicatos (que, preocupados com o folclore mediático, esbanjam oportunidades históricas na defesa efetiva da dignidade profissional docente). O ministério já conta com a aceitação resignada da sobrecarga de horas e mais horas que os professores "colocados" cumprirão, sem que isso lhes seja reconhecido.
Já há muito tempo (naquela altura, diziam-me: "não sejas parvo, pá!") que eu defendo que nós, os professores, deveríamos exigir o cumprimento completo do horário de trabalho nas escolas. Sempre defendi as 35 horas na escola. Hoje, até digo mais: mesmo que me tenham roubado 148,10 € por mês, estou disposto (pela pátria faço tudo!) a dar mais uma horinha diária, de boooorla... mas tudo na escola. Quero cumprir um horário de 8 horas diárias... na escola.
Muito gostava de ver os sindicatos a reivindicarem isto!
Seria mesmo giro vermos a opinião pública: "Então eles querem trabalhar mais, até estão dispostos a dar mais uma hora por dia, e o governo não deixa?! Tá tudo doido, ou quê?!"
Se assim fosse, fora do meu horário: não construía materiais, não fazia fichas, não corrigia testes ou exames (muito menos aos fins de semana), não tinha reuniões (a maior parte delas inúteis), não fazia relatórios, não participava em visitas de estudo, não avaliava os colegas (esse regabofe de promíscuas vaidades), não dinamizava os clubes, não promovia concursos pedagógicos, não programava apoios, não organizava exposições, não dinamizava o jornal, não me envolvia no desporto escolar (aos sábados, com deslocações às minhas custas)... e a pátria precisaria, não de despedir 30 mil, mas de admitir outros 30 mil.

Sem comentários:
Enviar um comentário