domingo, 14 de novembro de 2010

Sítios com história(s): a Via Nova - "GEIRA"


A Via Nova ou Via XVIII do Itinerário de Antonino, conhecida entre nós por Estrada da Geira, é uma estrada romana que ligava duas importantes cidades do Noroeste da Península Ibérica: Bracara Augusta, actual cidade de Braga, em Portugal, e a cidade de Asturica Augusta, hoje Astorga, em Espanha.
Esta Via romana ligava estas duas importantes cidades num trajecto de CCXV milhas, aproximadamente 318 km. Foi inaugurada, provavelmente, no final do século I d.C., por volta do ano 80, sob a égide de Tito e Domiciano.
A construção da Via Nova veio reforçar a rede viária romana, conferiu maior mobilidade aos exércitos, permitiu um reordenamento do território e possibilitou uma mais rápida transição de bens.

Características

O traçado da Via Nova liga o triângulo político-administrativo e viário estabelecido por Augusto, com vértices nas três cidades: Bracara Augusta, Lucus Augusti (Lugo) e Asturica Augusta.
A Geira saía de Bracara Augusta, passando pela que é hoje a zona do Areal, seguindo por Adaúfe, entrava no concelho de Amares com a travessia do Rio Cávado em Barca de Âncede, e seguia pelas localidade de Caires e Paredes Secas e, ao chegar ao Lugar de Santa Cruz, entrava no concelho de Terras de Bouro. Neste concelho, a Geira está muito bem conservada ao nível do seu traçado e dos seus vestígios arqueológicos. Em Terras de Bouro, a Geira percorre as freguesias de Souto, Balança, Chorense, Moimenta, Vilar, Chamoim, Carvalheira, Covide, Campo do Gerês e chega, por fim, à Portela do Homem, seguindo depois em território espanhol.

Arqueologia

Em Terras de Bouro, os vestígios arqueológicos são impressionantes: existem mais de 150 miliários, que assinalavam as milhas na Via e davam a conhecer, ao viajante, a distância até à cidade mais próxima. Além dos miliários, é possível vislumbrar vestígios das Pontes Romanas (sobre o Ribeiro da Maceira, Ribeira do Forno, Ribeiro de Monção e a Ponte de S. Miguel, sobre o Rio Homem, na que é hoje a Mata de Albergaria), calçadas com marcas de rodados, pedreiras de onde foram extraídos miliários e blocos de pedra para construir as pontes.

Aspeto atual da Ponte de S. Miguel
Por esta Via estar muito bem preservada, o Município de Terras de Bouro está a desenvolver, conjuntamente com dez outros parceiros, onde se incluem municípios, universidades e regiões de turismo, um projecto de recuperação e valorização da Via Nova. Espera-se que, após as diversas acções de recuperação, o processo de candidatura esteja totalmente instruído e, assim, seja possível classificar como Património Mundial da Humanidade este conjunto arqueológico inserido numa das mais belas paisagens europeias: o Parque Nacional da Peneda-Gerês.

O nome original da Via Nova (que pode ser lido em vários miliários que conservam esta inscrição) advém de já haver uma outra via que seguia também de Bracara Augusta para Asturica Augusta. Contudo o seu traçado era bastante diferente, seguindo por Aquae Flaviae (Chaves). Esta Via, com mais milhas do que a Geira, foi catalogada como Via XVII no Itinerário de Antonino.

Fonte: Wikipédia (com adaptações)

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