Sem pretender fazer biografia, e muito menos história, estes “post” são apenas o testemunho do meu apreço por aqueles que, fazendo parte da memória de várias gerações, são referências coletivas da comunidade terrabourense.
Já aqui foi referido o Dr. Paulo Marcelino como figura proeminente de um período específico da história de Terras de Bouro. Mais proximamente, porém, entre os homens dignos de relevo por terem intervindo na cultura ou na arte, no associativismo ou no voluntariado, na etnografia ou no autarcismo da minha “aldeia”, estão, segundo critério pessoal, o maestro e compositor Joaquim Martins Viana (que já aqui postei) e Joaquim dos Santos Martins, também músico, letrista e compositor.
Conhecido entre nós como o “Organista”, Joaquim dos Santos Martins é credor do nosso reconhecimento pela sua vida de serviço a Santa Cecília (nome que deu a uma das filhas), padroeira dos músicos, não só pela autoria de letras e músicas de marchas e temas do folclore e pelas diversas instrumentações que fez, mas também por toda uma vida de dedicação aos grupos corais juvenis e aos cânticos religiosos.
De facto, é absolutamente impossível à minha geração (e a muitas outras) reviver quaisquer manifestações religiosas em Covas, Terras de Bouro, sem se ouvir o harmónio do Sr. Martins!...
Há dias, tive acesso a alguns dos seus “papéis”, gentilmente facultados pela filha Lurdes, que revelam a sua componente artística musical e poética:
Marcha de Terras de Bouro
“Somos de Terras de Bouro
Uma Vila pequenina
Onde produz um bom milho
De espiga amarelinha!
Nós louvamos o Senhor
Por este lindo cantinho
Salve, oh Terras de Bouro!
És terra de pão e vinho.”
Outra composição:
Coro:
Ribeira do rio Homem
És rainha das ribeiras!
Tu és bela e formosa
Por baixo das laranjeiras
I II
À tua margem direita Vêm pescadores de fora
Fica Cibões, Gondoriz. Em busca da bela truta
Tu possuis a bela truta Respirar os nosos ares
Fazes o homem feliz! Saborear nossa fruta
III IV
Margem esquerda Vilar, Abaixo fica Pesqueiras
Senhora do Livramento. Donde sai a pescaria
Oh! Ribeira, rio Homem, Ribeira do Rio Homem
Não me sais do pensamento. A todos dás alegria.
V VI
No extremo fica Campo, Oh! Ribeira, o teu rio
Covide e Carvalheira; Nasce junto do Gerês
Dando dois passos em frente Este vira tão bonito
Atravessamos fronteira. É o vira português
(ou: Dancemo-lo outra vez)
Entre papéis do meu avô, encontrei estes que referem:
“Instrumentado / Instrumentação pelo organista Joaquim dos Santos Martins”
Algumas fotos:
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| Tocando harmónio na Capela de S. Brás |
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| O Sr. Martins "Organista" e esposa, com o genro Sebastião (também já falecido), alguns filhos e netos |








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