Sombra dos mortos, maldição dos vivos.
Também nós... Também nós... E o sol recua.
Apenas o teu rosto continua
A sorrir como dantes,
Liberdade!
Liberdade do homem sobre a terra,
Ou debaixo da terra.
Liberdade!
O não inconformado que se diz
A Deus, à tirania, à eternidade.
Sepultos, insepultos,
Vivos amortalhados,
Passados e presentes cidadãos:
Temos nas nossas mãos
O terrível poder de recusar!
E é essa flor que nunca desespera
No jardim da perpétua primavera.
Miguel Torga, in "Orfeu Rebelde", 1958
domingo, 27 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Só eu seeeiiii porque não fiiiico em casa!...
Apesar do fervor clubístico deste adepto, a situação é mesmo trágica: a mulher foi a enterrar, agora é o clube que está moribundo!...
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Recordando António Aleixo
António Fernandes Aleixo
(Vila Real de Santo António, 18 de Fevereiro de 1899 - Loulé, 16 de Novembro de 1949)
O poeta António Aleixo, cauteleiro e pastor de rebanhos, cantor popular de feira em feira, pelas redondezas de Loulé (Algarve - Portugal) é um caso singular, bem digno de atenção de quantos se interessam pela poesia.
Não sendo totalmente analfabeto, sabe ler e leu meia dúzia de bons livros - não é porém capaz de escrever com correcção e a sua preparação intelectual não lhe deu qualificação para poder ser considerado um poeta culto. Mas ficou sendo conhecido por o maior poeta popular, o poeta do povo. Todavia, há nos versos que fazem parte do seu livro "Este livro que vos deixo", uma correcção de linguagem e sobretudo, uma expressão concisa e original de uma amarga filosofia, aprendida na escola impiedosa da vida, que não deixa de impressionar.
António Aleixo compõe e improvisa nas mais diversas situações e oportunidades. Umas vezes cantando numa feira ou festa de aldeia, outras, a pedido de amigos que lhe beliscam a veia; ora aproveitando traços caricaturais de pessoas conhecidas, ora sugestionado por uma conversa de tom mais elevado e a cuja altura sobe facilmente.
Passeando, sozinho, a guardar umas cabras ou a fazer circular as cautelas de lotaria - sua mais habitual ocupação, por isso também chamado "poeta cauteleiro" ou acompanhado por amigos, numa ceia ou num café, o poeta está presente e alerta e lá vem a quadra ou a sextilha, a fixar um pensamento, a finalizar uma discussão, a apreciar um dito ou a refinar uma troça. E, normalmente, a forma é lapidar, o conceito incisivo e o vocabulário justo e preciso.
O que caracteriza a poesia de António Aleixo é o tom dorido, irónico, um pouco puritano de moralista, com que aprecia os acontecimentos e as acções dos homens.
Joaquim Magalhães, In Este Livro que vos deixo...
Uma dúzia de quadras muito conhecidas:
Eu não tenho vistas largas
Nem grande sabedoria
Mas dão-me as horas amargas
Lições de Filosofia.
Embora os meus olhos sejam,
Os mais pequenos do Mundo
O que importa é que eles vejamO que os homens são no fundo.
P'ra mentira ser segura
E atingir profundidade
Tem de trazer à mistura
Qualquer coisa de verdade.
Que importa perder a vida
Em luta contra a traição,
Se a Razão mesmo vencida,
Não deixa de ser Razão
Tu, que tanto prometeste
Enquanto nada podias,
Hoje que podes - esqueceste
Tudo o que prometias...
O mundo só pode ser
Melhor do que até aqui,
Quando consigas fazer
Mais p'los outros que por ti!
Os novos que se envaidecem
Pelo muito que querem ser
São frutos bons que apodrecem
Mal começam a nascer.
Uma mosca sem valor
Poisa c'o a mesma alegria
Na careca de um doutor
Como em qualquer porcaria.
Se os homens chegam a ver
Por que razão se consomem,
O homem deixa de ser
O lobo do outro homem.
Os que bons conselhos dão
Às vezes fazem-me rir
Por ver que eles mesmos são
Incapazes de os seguir.
Para triunfar depressa
Cala contigo o que vejas
Finge que não te interessa
Aquilo que mais desejas.
São parvos, não rias deles,
Deixa-os ser, que não são sós:
Às vezes rimos daqueles,
Que valem mais do que nós.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Aqui, há português (in)correto... (30)
Neste recinto, provido de pinheiros, carvalhos, amieiros, castanheiros e eucaliptos, todos devem ter o prurido de só entrar com permissão, pois a todos é exigida probidade perante o direito de propriedade onde - o letreiro não deixa quaisquer dúvidas - entrar é "Proibido".
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Terras de Bouro no rolo das memórias: equipa de futebol de Souto (com alguns reforços).
Equipa do Grupo Desportivo de Souto (reforçada por Antero Soares, Fernando Rodrigues e Adolfo Leite, de Covas, e por Mesquita, guarda-redes, da Ribeira) num jogo com o G. D. de Lanhas.
A contar da esq. - em pé: 1 - Tero, 2 - Augusto Inácio, 3 - Adriano Chaves, 4 - Fernando Rodrigues (meu tio, marido da minha tia Verónica), 5 - Zé Esteves, 6 - Mesquita (g-r)
em baixo: 1 - Armando Sousa, 2 - Adolfo Leite, 3 - Zé Gago, 4 - António Silva (Ferramenta), 5 - Fausto Dias
No comentário que se segue, o Sr. Armando Sousa informa que "Esta foto foi tirada em Souto, no Campo Zé Maia no ano de 1958, durante a disputa do torneio Taça Rio Homem organizado pela equipa de Souto. Neste torneio a taça era disputada pela equipa anfitriã, Lanhas, Covas e Caldelas, sendo Covas a vencedora."
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
POPNPG - Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês
Não estranho nada as reações de indignação dos povos e suas comunidades (proprietários de mais de 90% do território onde está instalado o parque) perante o Plano de Ordenamento do PNPG, publicado no dia 4 de fevereiro, p.p.
Como ainda não tive oportunidade de o ler e de refletir sobre o seu conteúdo, remeto para os blogues/links que se seguem, para que se possa fazer uma ideia das posições já assumidas:
http://pnpg-comgente.blogspot.com/
http://terrasbouro.blogspot.com/2011/02/presidente-da-camara-municipal-toma.html
http://terrasbouro.blogspot.com/2011/02/movimento-ameaca-impugnar-plano-de.html
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
"Que parva que eu sou", Deolinda!
A canção que está a fazer furor pelo ciberespaço:
Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração "casinha dos pais",
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou!
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração "vou queixar-me pra quê?"
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração "eu já não posso mais!"
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
A propósito da "cabra do Gerês": mais um embuste do PNPG
![]() |
| Foto retirada daqui |
Numa visita ao blogue com mais informação sobre Terras de Bouro, deparei com o post http://terrasbouro.blogspot.com/2011/02/eram-75-e-agora-ja-sao-450-cabras-do.html. Hesitante entre o comentário e a postagem no "pass'Aarão", decidi-me por esta, para referir o seguinte:
Aí por volta de 1994/95 (o erro não pode ser grande), eu, um colega meu e um responsável do PNPG, de quem esse colega era amigo, fomos visitar a cerca, em Torneros (Lobios), Espanha, onde estavam em estudo e adaptação alguns exemplares da “capra pyrenaica victoriae”, trazidos precisamente de centros de recuperação espanhóis. (1)
O que recordo dessa visita são, sobretudo, as críticas - profunda, ecológica e cientificamente sentidas - do sr. engenheiro que nos acompanhava, acusando os nossos vizinhos galegos de insensibilidade ambiental, de ignorância e de trapalhice, por introduzirem (nas proximidades do santuário geresiano, deus nosso!) uma espécie trazida dos Pirenéus, parente mais ou menos afastada da autóctone cabra do Gerês, é certo, mas exógena às caractrerísticas florestais, ambientais, climáticas... desta região, e que viria, por certo (na sua mui douta sapiência), provocar desequilíbrios no ecossitema presente!
Podeis estar absolutamente seguros de que aquilo que, inicialmente, foi malquisto pelo purismo ambientalista do PNPG é, agora, a menina dos seus olhos, a pérola mais valiosa, o único troféu que tem para exibir em 40 anos de existência... afinal, fruto de um "crime" ambiental dos nossos amigos galegos.
A introdução - animal, planta ou calhau - jamais poderia ter acontecido por iniciativa do Parque Nacional, cuja política se tem cingido a não intervir, mesmo que a intervenção seja de valorização, a não mexer, a não fazer nada... São dezenas e dezenas de técnicos, entre biólogos, zoólogos, botânicos... engenheiros ambientais, florestais, paisagísticos... só para proibir, proibir, proibir...
No referido post, citando o Correio do Minho, é dito que o estudo da revista National Geographic conclui que: “a população está segura e o futuro parece garantido” para a cabra do Gerês no vale onde corre a ribeira dos Fornos e vai pastar ao Pitão da Carvalhosa". Trata-se, pois, de mais um embuste com que o PNPG "nos" quer iludir: as cabras introduzidas não são "cabras do Gerês", da subespécie "capra pyrenaica lusitanica", extinta em finais do séc. XIX, cujo último exemplar terá sido avistado e capturado em 20-IX-1890.
Desafio o "biólogo Armando Loureiro (que) revela à revista (National Geographic deste mês) a existência de três núcleos de cabras, um a poente com a Serra Amarela-Cabril, outro nos picos mais altos do Gerês e outro a nascente, em Pitões das Júnias" que venha, aqui ou onde entender, desenganar-me e dizer, com rigor científico, se as cabras que andam nas ditas serras são, de facto, descendentes da genuína cabra do Gerês... ou são, antes, cabras dos Pirenéus a pastarem no Gerês.
(1) - Segundo um dos comentários de Frederico V: "As pyrenaica victoriae que existem no Gerês vieram da serra de Gredos no centro de Espanha. A última pyrenaica dos Pireneus (uma terceira sub espécie: pyrenaica pyrenaica) também está extinta.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Um texto interessante sobre o acordo ortográfico*
"Um cê a mais", Manuel Halpern
"Quando eu escrevo a palavra ação, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o c na pretensão de me ensinar a nova grafia. De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa. Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim. São muitos anos de convívio. Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes cês e pês me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância. Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora: não te esqueças de mim! Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí. E agora as palavras já nem parecem as mesmas. O que é ser proativo? Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.
Depois há os intrusos, sobretudo o erre, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato. Caíram hifenes e entraram erres que andavam errantes. É uma união de facto. Para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem. Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os és passaram a ser gémeos, nenhum usa chapéu. E os meses perderam importância e dignidade, não havia motivo para terem privilégios, janeiro, fevereiro, março são tão importantes como peixe, flor, avião. Não sei se estou a ser suscetível, mas sem p algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.
As palavras transformam-nos. Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos. Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do cê não me faça perder a direção, nem me fracione, nem quero tropeçar em algum objeto abjeto. Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um cê a atrapalhar."
* Agradeço este texto à minha irmã Zi (a mais "comprometida" e assídua seguidora do pass'Aarão), que mo deu a conhecer via e-mail.
"Quando eu escrevo a palavra ação, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o c na pretensão de me ensinar a nova grafia. De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa. Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim. São muitos anos de convívio. Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes cês e pês me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância. Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora: não te esqueças de mim! Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí. E agora as palavras já nem parecem as mesmas. O que é ser proativo? Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.
Depois há os intrusos, sobretudo o erre, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato. Caíram hifenes e entraram erres que andavam errantes. É uma união de facto. Para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem. Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os és passaram a ser gémeos, nenhum usa chapéu. E os meses perderam importância e dignidade, não havia motivo para terem privilégios, janeiro, fevereiro, março são tão importantes como peixe, flor, avião. Não sei se estou a ser suscetível, mas sem p algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.
As palavras transformam-nos. Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos. Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do cê não me faça perder a direção, nem me fracione, nem quero tropeçar em algum objeto abjeto. Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um cê a atrapalhar."
* Agradeço este texto à minha irmã Zi (a mais "comprometida" e assídua seguidora do pass'Aarão), que mo deu a conhecer via e-mail.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Aqui, há português (in)correto... (29)
Já há bastante tempo que, neste cruzamento, foi colocada esta placa. Ora, como uma Festa Cigana, normalmente, decorre durante vários dias, siga na estrada... pode ser que ainda vá a tempo!
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
"Coração de Algodão", de João Luís Dias, o poeta... da minha terra.
| A mesa que presidiu à apresentação |
O João tem vindo a construir-se um poeta profundo... do Amor e da Paixão.
| Vários Exemplares |
| O Poeta, João Luís Dias |
| Os artistas do dia, com o Trovador Pedro Barroso |
Maravilhado pela poesia do João Luís, Pedro Barroso privilegiou os presentes com o anúncio de que, no seu próximo album de canções, que se chamará "Itinerários da Paixão e da Revolta" (peço desculpa se cometo alguma inconfidência, mas não resisto a ser eu a anunciá-lo em primeira mão, a nível mundial), incluirá uma parceria poética com o João Luís, reconstruindo o poema "Noite", o último da edição hoje apresentada, que (conforme aqui é público) ficará assim:
In nominae
Dei comigo
ao vidro baço e lento da janela
no palpebrar
cadente e moreno
dos teus olhos
a noite é apenas noite
e o silêncio
mudo
e apenas se ouve o sussurro
dos versos que te chamam…
em nome de tudo
e de todos
os que ainda amam
E o sorriso
foi dormir antes de mim
querendo-me a cama
morna
Se ausente te sei
mesmo que só um pouco
todo eu parto de mim
para regressar-te
aos meus braços
louco
até que acorde
de tudo o que sonhei
nos beijos esquivos
que me chamam
e me sinta poeta do sentir
eu que nada sei
em nome de tudo e todos
os que ainda
amam
Os parabéns à "Banda" da Calidum, que tão brilhantemente musicou e interpretou quatro poemas do João Luís.
A obra do João Luís Dias fala por si. Leia-a quem se quiser maravilhar.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Não morro de paixão pelo romantismo, mas Almeida Garrett é incontornável na nossa literatura.
![]() |
| Para o conhecer melhor, clique na imagem |
"João Baptista da Silva Leitão de Almeida e mais tarde visconde de Almeida Garrett, (Porto, 4 de Fevereiro de 1799 — Lisboa, 9 de Dezembro de 1854) foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, Par do Reino, ministro e secretário de Estado honorário português.
Grande impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática." (wikipédia)
Os Cinco Sentidos
São belas - bem o sei, essas estrelas,
Mil cores - divinais têm essas flores;
Mas eu não tenho, amor, olhos para elas:
Em toda a natureza
Não vejo outra beleza
Senão a ti - a ti!
Divina - ai! sim, será a voz que afina
Saudosa - na ramagem densa, umbrosa.
será; mas eu do rouxinol que trina
Não oiço a melodia,
Nem sinto outra harmonia
Senão a ti - a ti!
Respira - n'aura que entre as flores gira,
Celeste - incenso de perfume agreste,
Sei... não sinto: minha alma não aspira,
Não percebe, não toma
Senão o doce aroma
Que vem de ti - de ti!
É um mimo - de néctar o racimo:
E eu tenho fome e sede... sequiosos,
Famintos meus desejos
Estão... mas é de beijos,
É só de ti - de ti!
Macia - deve a relva luzidia
Do leito - ser por certo em que me deito.
Mas quem, ao pé de ti, quem poderia
Sentir outras carícias,
Tocar noutras delícias
Senão em ti! - em ti!A ti! ai, a ti só os meus sentidos
Todos num confundidos,
Sentem, ouvem, respiram;Em ti, por ti deliram.
Em ti a minha sorte,
A minha vida em ti;
E quando venha a morte,Será morrer por ti.
Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas'
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
As 35 (ou mesmo 40) horas de trabalho na escola, já!
Leia-se antes assim:
"Mais de 30 mil professores vão para o desemprego..."
Do que o ministério está à espera, como sempre, é da resignação dos professores (que são espetaculares nas manifestações, mas divididos na hora da luta) e da fraqueza dos sindicatos (que, preocupados com o folclore mediático, esbanjam oportunidades históricas na defesa efetiva da dignidade profissional docente). O ministério já conta com a aceitação resignada da sobrecarga de horas e mais horas que os professores "colocados" cumprirão, sem que isso lhes seja reconhecido.
Já há muito tempo (naquela altura, diziam-me: "não sejas parvo, pá!") que eu defendo que nós, os professores, deveríamos exigir o cumprimento completo do horário de trabalho nas escolas. Sempre defendi as 35 horas na escola. Hoje, até digo mais: mesmo que me tenham roubado 148,10 € por mês, estou disposto (pela pátria faço tudo!) a dar mais uma horinha diária, de boooorla... mas tudo na escola. Quero cumprir um horário de 8 horas diárias... na escola.
Muito gostava de ver os sindicatos a reivindicarem isto!
Seria mesmo giro vermos a opinião pública: "Então eles querem trabalhar mais, até estão dispostos a dar mais uma hora por dia, e o governo não deixa?! Tá tudo doido, ou quê?!"
Se assim fosse, fora do meu horário: não construía materiais, não fazia fichas, não corrigia testes ou exames (muito menos aos fins de semana), não tinha reuniões (a maior parte delas inúteis), não fazia relatórios, não participava em visitas de estudo, não avaliava os colegas (esse regabofe de promíscuas vaidades), não dinamizava os clubes, não promovia concursos pedagógicos, não programava apoios, não organizava exposições, não dinamizava o jornal, não me envolvia no desporto escolar (aos sábados, com deslocações às minhas custas)... e a pátria precisaria, não de despedir 30 mil, mas de admitir outros 30 mil.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Canção que me fica no ouvido: "Vida Tão Estranha", de Rodrigo Leão
São de veludo as palavras
Daquele que finge que ama
Ao desengano levo a vida
A sorte a mim já não me chama
Vida tão só
Vida tão estranha
Meu coração tão maltratado
Já nem chorar
Me traz consolo
Resta-me só um triste fado
A gente vive na mentira
Já não dá conta do que sente
Antes sozinha toda a vida
Que ter um coração que mente
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Aqui, há português (in)correto... (28)
Quando visitar o concelho, siga este conselho: "não fume, não faça fogo, não deixe garrafas vazias ou qualquer tipo de lixo"... a Natureza agradece.
domingo, 30 de janeiro de 2011
"O confronto de civilizações" - que se passa nos países árabes/muçulmanos?
![]() |
| (Iémen) Onde é que eu já vi isto? |
Algo de extraordinariamente libertador terá vindo a acontecer no mundo muçulmano para alguém, digo, para uma mulher ter a coragem de dizer isto desta maneira!
sábado, 29 de janeiro de 2011
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Já rolaram cabeças e outras mais rolarão...
Se isto tivesse acontecido num qualquer país africano em que o ato eleitoral fosse supervisionado pela ONU, os zeladores do mundo exigiriam a repetição das eleições...
ou
Que pena que eu tenho que não estejamos com o governo do Santana Lopes! Teríamos o carnaval antecipado... e o governo demitido.
Garanto-vos que nenhum dos defensores das "amplas conquistas de abril" se calaria perante a sonegação de um direito básico em democracia: o direito de voto.
Garanto-vos que nenhum dos defensores das "amplas conquistas de abril" se calaria perante a sonegação de um direito básico em democracia: o direito de voto.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Sítios com história(s): as mamoas
Mamoas
"Trata-se de monumentos megalíticos a que se atribui uma função funerária, apresentando similitudes formais com inúmeros conjuntos dispersos pelas serras do Noroeste e aos quais se atribui uma cronologia situada entre os IV.º e III.º milénios a.C..
A Chã da Nave (ou Chã do Návia) é um amplo alvéolo aplanado encravado na vertente meridional do maciço do Piorneiro. [...] Bem irrigada, apresenta zonas húmidas com abundância de erva, mesmo no Verão. A cobertura vegetal dominante são matos rasteiros e herbáceas, sendo frequentes rebanhos de caprinos e manadas de bovinos a pastar.
No topo Nordeste da Chã, nas proximidades de uma nascente de água, conservam-se duas mamoas, bem perceptíveis na linha de superfície do solo e distantes uma da outra cerca de 50 metros.
Uma localiza-se a Oeste e trata-se de um tumulus de terra, cascalho e calhaus de granito, compactado, recoberto por tojo e fetos. Com cerca de 15 metros de diâmetro e 1 metro de altura, apresenta uma depressão central bem marcada, no interior da qual se observam 5 esteios de granito, tipo laje, 3 deles tombados e 2, aparentemente, in situ.
Outra Mamoa localiza-se a Este. É um tumulus de terra, calhaus e cascalho de granito, compactado, recoberto por tojo e fetos. Tem cerca de 14 metros de diâmetro e 1,5 metros de altura, apresentando uma pequena depressão central onde são visíveis, in situ, o topo de 5 esteios de granito, configurando uma câmara poligonal." - in site da CMTB
"Trata-se de monumentos megalíticos a que se atribui uma função funerária, apresentando similitudes formais com inúmeros conjuntos dispersos pelas serras do Noroeste e aos quais se atribui uma cronologia situada entre os IV.º e III.º milénios a.C..
A Chã da Nave (ou Chã do Návia) é um amplo alvéolo aplanado encravado na vertente meridional do maciço do Piorneiro. [...] Bem irrigada, apresenta zonas húmidas com abundância de erva, mesmo no Verão. A cobertura vegetal dominante são matos rasteiros e herbáceas, sendo frequentes rebanhos de caprinos e manadas de bovinos a pastar.
No topo Nordeste da Chã, nas proximidades de uma nascente de água, conservam-se duas mamoas, bem perceptíveis na linha de superfície do solo e distantes uma da outra cerca de 50 metros.
Uma localiza-se a Oeste e trata-se de um tumulus de terra, cascalho e calhaus de granito, compactado, recoberto por tojo e fetos. Com cerca de 15 metros de diâmetro e 1 metro de altura, apresenta uma depressão central bem marcada, no interior da qual se observam 5 esteios de granito, tipo laje, 3 deles tombados e 2, aparentemente, in situ.
Outra Mamoa localiza-se a Este. É um tumulus de terra, calhaus e cascalho de granito, compactado, recoberto por tojo e fetos. Tem cerca de 14 metros de diâmetro e 1,5 metros de altura, apresentando uma pequena depressão central onde são visíveis, in situ, o topo de 5 esteios de granito, configurando uma câmara poligonal." - in site da CMTB
Na mesma freguesia de Santa Isabel do Monte, no sítio conhecido por "Alminhas", encontram-se também três mamoas, uma das quais destruída pela estrada e outra totalmente escavada (imagem seguinte):
Mais duas mamoas, em Porta Cerdeiros, também em Santa Isabel do Monte:
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Aqui, há português (in)correto... (27)
Que "todas as pessoas que lerem isto percebam" que o "á" das expressões relativas ao tempo decorrido (tempo havido) se escreve com agá. Assim: há momentos; há segundos, há minutos, há horas ou há dias; há milénios ou há séculos; há pouco ou há muito tempo... mesmo com frio.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Nem tudo ficou resolvido...
o Cartão de Cidadão ainda vai dar que falar!
Exigirei a impugnação das eleições: o "pass'Aarão" não foi inscrito em nenhuma assembleia de voto - parece que a alcateia não tolera intrusos!
sábado, 22 de janeiro de 2011
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
"É Tão Bom! Uma amizade assim... Ai faz tão bem!
Aumentem o volume e cantem comigo, em voz alta, esta canção do Sérgio Godinho:
Vale a pena ver
castelos no mar alto
Vale a pena dar o salto
pra dentro do barco
rumo à maravilha
e pé ante pé desembarcar na ilha
Pássaros de cores que eu nunca vi
que o arco-íris queria para si
eu vi
o que quis ver afinal
É tão bom!
uma amizade assim
Ai, faz tão bem!
saber com quem contar
Eu quero ir
ver quem me quer assim
É bom pra mim
e é bom pra quem tão bem me quer
Vale a pena ver
o mundo aqui do alto
vale a pena dar o salto
Daqui vê-se tudo
às mil maravilhas
na terra as montanhas e no mar as ilhas
Queremos ir à lua mas voltar
convém dar a curva
sem se derrapar
na avenida do luar
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Hoje proponho este "Pequeno Poema", de Sebastião da Gama
Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...
P'ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...
Sebastião da Gama, Serra Mãe
ficou tudo como estava.
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...
P'ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...
Sebastião da Gama, Serra Mãe
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
domingo, 16 de janeiro de 2011
sábado, 15 de janeiro de 2011
Os sindicatos de professores muito gostam de "entupidelas"!...
- todos às "manifs" contra a avaliação... para entupir!
- todos contra o modelo de gestão... para entupir!
- todos a exigirem o pagamento das substituições... para entupir!
- todos a requererem observação de aulas... para entupir!
- todos a exigirem o excelente... para entupir!
- todos a recusarem a correção dos exames... para entupir!
- todos contra os mega-agrupamentos... para entupir!
- todos, agora, com providências nos tribunais... para entupir!
e, no entanto, a porcaria continua a (es)correr...
pois há sempre, nas escolas, desentupidores disponíveis!...
Quando é que os professores se deixam do folclore sindical e de divisionismos e passam à ação reivindicativa, séria e corajosa, na defesa da qualidade do ensino e da sua dignidade profissional?
Eu respondo: NUNCA.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
No morro... eu morro, tu morres, eles morrem!*
É impressionante a força destrutiva das águas como emocionante é a vontade de a vencer!
Na hora em que coloco este post, 450 pessoas morreram e mais de 200 mil estão desalojadas!
A minha solidariedade para com todos os que sofrem com esta brutalidade da natureza!
A minha solidariedade para com todos os que sofrem com esta brutalidade da natureza!
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Ninguém para o Benfica, olé!
Um na mira, outro a caminho, aqueloutro a ser avaliado... e Jardel, homónimo de marcador de golos, já cá está para os evitar!
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
"Pedra Filosofal", um poema de António Gedeão, com música e interpretação de Manuel Freire
A D
eles não sabem que o sonho
F#7
é uma constante da vida
G
tão concreta e definida
A
como outra coisa qualquer
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam
como estas árvores que gritam
em bebedeiras de azul
eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento
bichinho alacre e sedento
de focinho pontiagudo
Em A7
que fuça através de tudo
D
no perpétuo movimento
eles não sabem que o sonho
é tela é cor é pincel
base, fuste ou capitel
arco em ogiva, vitral
pináculo de catedral
contraponto, sinfonia
máscara grega, magia
que é retorta de alquimista
mapa do mundo distante
Rosa dos Ventos Infante
caravela quinhentista
que é cabo da Boa-Esperança
ouro, canela, marfim
florete de espadachim
bastidor, passo de dança
Columbina e Arlequim
passarola voadora
pára-raios, locomotiva
barco de proa festiva
alto-forno, geradora
cisão do átomo, radar
ultra-som, televisão
desembarque em foguetão
na superfície lunar
eles não sabem nem sonham
que o sonho comanda a vida
e que sempre que o homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos duma criança
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Aqui, há português (in)correto... (26)
- Senti que errei menos a representar do que o gestor do canal do YouTube da RTP a escrever português. E tu, como te sentiste no papel de entrevistador?
sábado, 8 de janeiro de 2011
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Mea Culpa, por Antero de Quental
Gire suspenso e volva em harmonia;
Que o homem suba e vá da noite ao dia,
E o homem vá subindo insecto o seixo.
Não chamo a Deus tirano, nem me queixo,
Não chamo a Deus tirano, nem me queixo,
Nem chamo ao céu da vida noite fria;
Não chamo à existência hora sombria;
Acaso, à ordem; nem à lei desleixo.
A Natureza é minha mãe ainda...
É minha mãe... Ah, se eu à face linda
Não sei sorrir: se estou desesperado;
Se nada há que me aqueça esta frieza;
Se estou cheio de fel e de tristeza...
É de crer que só eu seja o culpado!
Antero de Quental, in "Sonetos"
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
E assim se faz Portugal: uns vão bem e outros mal!...
Entretanto, vá escutando esta cantiga do Fausto:
Este SUCH - Serviço de Utilização Comum dos Hospitais - é que é um verdadeiro "suchesso"!...
Se conquistaste o direito ao trabalho de uma forma honesta, legítima, concursal, e o exerces com dedicação e competência... terás de pagar os transportes, os consumíveis do próprio serviço, a formação; aguentar os repetitivos congelamentos, o aumento de impostos, a redução do salário...
Mas a um "boy" amigo, convidado para tacho de nomeação política, é-lhe oferecido carro de alta gama sem limites de quilometragem, prémios chorudos pelos bons serviços e, se o ano só tiver 12 meses, não há qualquer pejo, para que possa gastar à tripa-forra, passa a ter 14!...
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Poeminha do Contra, de Mário Quintana
Todos estes que aí estão
Atravacando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!
Mário Quintana
Atravacando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!
Mário Quintana
domingo, 2 de janeiro de 2011
sábado, 1 de janeiro de 2011
Ano Novo… Vida Nova!
Iniciado a 16 de Agosto, p.p., o “pass’Aarão” tem merecido a simpática fidelidade diária de algumas dezenas de visitantes.
Devo confessar que não é fácil marcar presença, ininterruptamente, num espaço como este, que pretendo de recordações, música, poesia, património, divertimento, opinião, formação, informação…
Com o Novo Ano, um Novo Ciclo se inicia. O “pass’Aarão” continuará vivo; no entanto, não me é possível assumir o “compromisso” de uma presença quotidiana. Às exigências da vida (profissional, familiar, social, cívica, cultural, associativa, desportiva...) sobra muito pouco tempo!...
Mas, como digo num dos meus “remoques”:
“o caminho faz-se caminhando
com passos que aproximam
cada horizonte vislumbrado
se alcanço a definida linha
logo outras ao longe
imprecisas
me atraem
sedutoras"
Bom Ano!
Devo confessar que não é fácil marcar presença, ininterruptamente, num espaço como este, que pretendo de recordações, música, poesia, património, divertimento, opinião, formação, informação…
Com o Novo Ano, um Novo Ciclo se inicia. O “pass’Aarão” continuará vivo; no entanto, não me é possível assumir o “compromisso” de uma presença quotidiana. Às exigências da vida (profissional, familiar, social, cívica, cultural, associativa, desportiva...) sobra muito pouco tempo!...
Mas, como digo num dos meus “remoques”:
“o caminho faz-se caminhando
com passos que aproximam
cada horizonte vislumbrado
se alcanço a definida linha
logo outras ao longe
imprecisas
me atraem
sedutoras"
Bom Ano!
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Canção que me fica no ouvido: "Cavaleiro Monge" (um poema de Fernando Pessoa), por Mariza
Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por casas, por prados,
Por quinta e por fonte,
Caminhais aliados.
Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por penhascos pretos,
Atrás e defronte,
Caminhais secretos.
Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por plainos desertos
Sem ter horizontes,
Caminhais libertos.
Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por ínvios caminhos,
Por rios sem ponte,
Caminhais sozinhos.
Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por quanto é sem fim,
Sem ninguém que o conte,
Caminhais em mim.
Fernando Pessoa, Cancioneiro - 24/17/1932
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Aqui, há português (in)correto...(25)
O que verdadeiramente importa é que a chama da solidariedade e da amizade nunca se apague e que, de facto, ilumine a vida de todos!...
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Sítios com história(s): o fojo do lobo de Vilarinho da Furna*
Os fojos são armadilhas para a captura de lobos, formadas por dois paredões em pedra, com comprimento que, nalguns casos, chega a atingir várias centenas de metros e cerca de 2 metros de altura, que convergem para um fosso, configurando uma planta em V.
Estas construções, dadas as suas dimensões, terão exigido um enorme esforço e envolvido um grande número de pessoas das comunidades agro-pastoris.
As fotos que aqui apresento foram obtidas ontem e são do fojo de Vilarinho da Furna, nas encostas mais altas da antiga aldeia, perto das casarotas da Serra Amarela:
| As paredes do fojo nas encostas ainda com alguma neve |
| Vilarinho ao fundo |
| O fosso do fojo - praticamente destruído |
| O fosso e o alinhamento de uma das paredes |
domingo, 26 de dezembro de 2010
sábado, 25 de dezembro de 2010
Hoje, proponho este poema: "Kyrie", de José Carlos Ary dos Santos*
Em nome dos que choram,
Dos que sofrem,
Dos que acendem na noite o facho da revolta
E que de noite morrem,
Com esperança nos olhos e arames em volta.
Dos que sofrem,
Dos que acendem na noite o facho da revolta
E que de noite morrem,
Com esperança nos olhos e arames em volta.
De amor e paz que nunca foram ditas,
Em nome dos que rezam em silêncio
E falam em silêncio
E estendem em silêncio as duas mãos aflitas.Em nome dos que pedem em segredo
A esmola que os humilha e os destróiE devoram as lágrimas e o medo
Quando a fome lhes dói.
Em nome dos que dormem ao relento
Numa cama de chuva com lençóis de vento
O sono da miséria, terrível e profundo.
Em nome dos teus filhos que esqueceste,
Filho de Deus que nunca mais nasceste,
Volta outra vez ao mundo!
José Carlos Ary dos Santos, Kyrie
* - por sugestão da minha irmã Zi.
* - por sugestão da minha irmã Zi.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



























