Não há dúvida, fazem autênticos milagres!...
sábado, 30 de abril de 2011
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Tens razão, Sérgio, há muito que por "cá se vai andando c'o a cabeça entre as orelhas"!
Ia eu pelo concelho de Caminha
quando vi sentada ao sol uma velhinha
curioso, uma conversa entabulei
como se diz nuns romances que eu cá sei
Chamo-me Adozinha, disse, e tenho já
os meus 84 anos, feitos há
mês e meio, se a memória não me falha
mas inda vou durar uns anos, Deus me valha
Com esta da austeridade, meu senhor
nem sequer dá para ir desta pra melhor
os funerais estão por um preço do outro mundo
dá pra desistir de ser um moribundo
Rabugenta, eu? Não senhor
eu hei-de ir desta pra melhor
mas falo pelos que eu cá deixo
não é por mim que eu me queixo
Ó Felisbela, ó Felismina
ó Adelaide, ó Amelinha
ó Maria Berta, ó Zulmirinha
vamos cantar o coro das velhas?
Cá se vai andando
c'o a cabeça entre as orelhas
Não sei ler nem escrever mas não me ralo
alguns há que até a caneta lhes faz calo
é só assinar despachos e decretos
p'ra nos dar a ler a nós, analfabetos
E saúde, eu tenho p'ra dar e vender
não preciso de um ministro para ter
tudo o que ele anda a ver se me pode dar
pode ir ele p'ró hospital em meu lugar
E quanto a apertar o cinto, sinto muito
Filosofem os que sabem lá do assunto
Mas com esta cinturinha tão delgada
Inda posso ser de muitos namorada
Rabugenta, eu? Não senhor
eu hei-de ir desta pra melhor
mas falo pelos que eu cá deixo
não é por mim que eu me queixo
Ó Felisbela, ó Felismina
ó Adelaide, ó Amelinha
ó Maria Berta, ó Zulmirinha
vamos cantar o coro das velhas?
Cá se vai andando
c'o a cabeça entre as orelhas
E se a morte mafarrica, mesmo assim
me apartar das outras velhas, logo a mim
digo ao diabo, não te temo, ó camafeu
conheci piores infernos do que o teu
Rabugenta, eu? Não senhor
eu hei-de ir desta pra melhor
mas falo pelos que eu cá deixo
não é por mim que eu me queixo
Ó Felisbela, ó Felismina
ó Adelaide, ó Amelinha
ó Maria Berta, ó Zulmirinha
vamos cantar o coro das velhas?
Cá se vai andando
c'o a cabeça entre as orelhas
quarta-feira, 27 de abril de 2011
(Im)pertinências: O défice de memória
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| 24 de Abr de 2011# publicado Domingo, Abril 24, 2011 por O Impertinente |
"17-12-2008
O ministro das Finanças (MF) diz que o défice em 2009 será de 3% do PIB e não 2,2% .05-02-2009
É aprovado pelo PS o Orçamento suplementar com uma previsão 3,9% do défice.
21-04-2009
O MF diz que «a despesa está perfeitamente controlada» e que o défice se mantém (3,9%)
15-05-2009
O MF diz que o défice será 5,9% em vez de 3,9%
04-07-2009
O MF mantém que o défice será 5,9%.
22-07-2009
José Sócrates diz que «está para nascer um primeiro-ministro que faça melhor no défice do que eu».
09-10-2009
O MF mantém a previsão de 5,9%.
03-11-2009
A CE anuncia uma previsão de 8% e o MF admite a revisão da estimativa anterior (5,9%).
24-11-2009
Défice do Estado dispara para 8,4% do PIB em 2009, em resultado do orçamento rectificativo redistributivo apresentado à AR.
12-01-2010
O ministro admitiu que o défice de 2009 será superior a 8% do PIB.
26-01-2010
Responsáveis do PSD, que tiveram com o Governo negociações sobre o OE, garantiam que o défice iria passar de um valor próximo de 8,7 por cento em 2009.
27-01-2010
Teixeira dos Santos revelou ... que o défice de 2009 atingiu o valor histórico de 9,3% do PIB.
01-02-2010
«Decidimos aumentar o nosso défice não por descontrolo, mas para ajudar a economia, as empresas e as famílias», disse José Sócrates, sem explicar porque não tinha o governo sido capaz de antecipar o défice que resultou das suas decisões, nem como tendo as ajudas sido de menos de 2% do PIB causam um aumento do défice de 2,2% para 9,3%.
27-10-2010
«Sim, sou inflexível. O défice de 2011 tem de ser 4,6%» disse Teixeira dos Santos justificando a ruptura da negociação do OE 2010 com o PSD.
31-03-2011
Em consequência da inclusão no perímetro do OE dos défices das empresas públicas que cobrem os custos com menos de 50% de receitas próprias, segundo os critérios do Eurostat desde há vários anos não cumpridos pelo governo socrático, o INE corrigiu os défices de vários anos:
2009 - 10,0%
2010 - 8,6%
23-04-2011
«Défice de 2010 revisto em alta para 9,1 por cento do PIB»
Recorde-se que o défice de 2010 ainda recentemente tinha sido milagrosamente reduzido de 7,3% para 6,9%.
Surpreendido? Só se não é um dos pouquíssimos frequentadores regulares do (Im)pertinências, onde pode ser encontrada uma lista de aldrabices contabilísticas, vasta mas longe, muito longe, de ser exaustiva. Tudo isto é um grande insulto à inteligência e, lamentavelmente, sou forçado a reconhecer que o terço dos portugueses, segundo as sondagens, ainda com opinião positiva do primeiro-ministro, ou gostam de ser insultados ou não são inteligentes."
Aqui, há português (in)correto...* (34)
Os cabeleireiros lidam, habitualmente, com problemas de queda de cabelo; neste caso, há também problemas de queda de letras...
* - enviado por Catarina Pereira (10ºA)
sábado, 23 de abril de 2011
Terras de Bouro no rolo das memórias: uma equipa de Covas, num jogo em Valdreu
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Uma interessante ópera-bufa da política à portuguesa!...
A primeira regra é "não dizer mentiras..."
"O que o sr. disse é uma mentira. E o sr. utiliza a mentira pr'atacar... e, depois, faz-se de vítima!..."
quarta-feira, 13 de abril de 2011
O pass'arão virou consultório sexual...
Minha amiga, você ainda se queixa?!...
Olhe um conselho: não diga nada às suas amigas! É precisamente para a proteger que não torno públicos o nome e o local onde vivem...
sábado, 9 de abril de 2011
Equipa do G. D. de Terras de Bouro que inaugurou o Campo da Minhoteira, em Gondoriz, em 1979
quinta-feira, 31 de março de 2011
"Não pagamos!... Não pagamos!..."
Uma maneira expedita de passar sem pagar, nas portagens das autoestradas!...
segunda-feira, 28 de março de 2011
Mais memórias do Grupo Desportivo de Covas...
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| Em cima: Rolando, Flor, Casimiro, Adelino Cunha, Zé Bacharel, Manuel Quinta e ? Em baixo: Manuel Janela, Júlio Viana, Correia, Diamantino Viana e ? |
Também o "diretor-técnico" foi substituído por alguém que, aqui, não identifico.
sábado, 26 de março de 2011
"Limpar Portuga!..." - campanha 2011
Rebanhos limpam os espaços públicos...
Varas limpam a economia e as finanças!
Isto sim, isto é que são verdadeiras medidas de um PEC4,
para, com sustentabilidade...
LIMPAR PORTUGAL!

sexta-feira, 25 de março de 2011
"À força não hei de ir..." - Quadrilha
Corpo a rebentar p´la terra que nos quer salvar
E o mundo não entende esta canseira
Custa-me a entender que é mesmo assim que tem de ser
E mandam-me aceitar queira ou não queira
Tanto hei de dizer que alguém há de entender
Que à força não hei de ir, eu
À força não hei-de ir
Não há de haver ninguém que dite o mal e o bem
Que à força não hei de ir, eu
À força não hei de ir
De pedra na mão se trava a força de um canhão
Batalha desigual que dói na alma
Força de um querer que o mundo afasta p’ra não ver
Mas sobra-me a razão que não se acalma
O tempo a passar, ouço a terra a gritar
À força não hei de ir, eu
À força não hei de ir
À força não hei de ir
Não há tempo a perder que o mundo há de entender
Que à força não hei de ir, eu
À força não hei de ir
quinta-feira, 24 de março de 2011
O CDS já está no próximo governo
Não sou analista, muito menos adivinho, mas aposto que:
- ganhando o PSD, será feita coligação com o CDS;
- ganhando o PS, haverá acordo com o CDS.
A ver vamos...
quarta-feira, 23 de março de 2011
...e Sócrates virou costas.
Até parece que nos queria dar um chocolate, coitadinho, e os outros, maus, não lhe permitiram esse miminho!...
Ora, com o PEC 4:
Sócrates continuava... e a economia apontaria para uma queda de 0,9 % do PIB.
Sócrates continuava... e a taxa de desemprego passaria de 10,8 para 11,2.
Sócrates continuava... e seriam congeladas as pensões.
Sócrates continuava... e o salário mínimo não seria aumentado.
Sócrates continuava... e as deduções fiscais seriam penalizadas.
Sócrates continuava... e seriam revistas as listas anexas ao Código do IVA.
Sócrates continuava... e continuariam a roubar-nos no salário.
Sócrates continuava... e os créditos à habitação perderiam os benefícios fiscais.
Sócrates continuava... e haveria um corte das pensões acima dos 1500 euros.
Sócrates continuava... e mais de 400 escolas seriam fechadas.
Sócrates continuava... e algumas urgências seriam encerradas.
Sócrates continuava... e seria revista a rede de tribunais.
Sócrates continuava... e serviços públicos de transporte seriam anulados.
Sócrates continuava... e precisaríamos de um PEC 5.
Sócrates continuava... e viria o FMI.
Então, já que teremos que gramar com estas medidas e com o FMI, com ou sem Sócrates e por causa de Sócrates, que já aplicou e falhou o PEC 1, o PEC 2 e o PEC 3, ao menos não sejamos continuamente iludidos e enganados!
Já há muito que eu digo: Voz ao Povo!
Francisco Mendes da Silva
segunda-feira, 21 de março de 2011
Terras de Bouro no rolo das memórias: Grupo Desportivo de Covas, em 1947
terça-feira, 15 de março de 2011
Aqui, há português (in)correto...(32)
Quando despertos para o amor, os cinco sentidos (como aqui diz Almeida Garrett) fazem-nos delirar ou mesmo morrer... de tanto gozo! Imagine o que um sexto sentido nos proporciona!...
domingo, 13 de março de 2011
"A prova provada de que ele vive fora da realidade" ou "mesmo perante a mais clara das evidências continua a querer iludir-nos" ?
Vejam só: José Sócrates considera que as "políticas de modernidade" que são verdadeiras "políticas de futuro" em "defesa dos jovens" são a legalização do aborto, a paridade na política, a facilidade do divórcio e o casamento entre homossexuais.
A juventude portuguesa tem, então, o problema resolvido e o futuro garantido... Para quê estes "sobressaltos cívicos"?!
São todos uns ingratos!... Comunistas!...
quinta-feira, 10 de março de 2011
Terras de Bouro no rolo das memórias: outra equipa do G. D. de Souto
Em cima: Manuel Cracel (meu tio, assessor técnico), Augusto Inácio, Tero, António Ferramenta, Faísca, ?, Mesquita (g-r)
Em baixo: Júlio Cunha, ?, Zé Gago, Adolfo Leite, ?
Naquela altura, não havia chuteiras, muito menos de marca. Não era como agora em que alguns meninos mimados mal sabem pôr o pé numa bola, mas estão preocupados com a marca do equipamento e dos ténis que usam. Reparem no guarda-redes, o meu amigo Mesquita, com as chuteiras que sua mãe lhe deu quando nasceu!... Homens de outra têmpera, que não de hoje!
terça-feira, 8 de março de 2011
"Share ou não share"-TGV, de Paco Bandeira, na linha de outras canções de revolta
Repito: este "share ou não share"-TGV, do Paco Bandeira, a canção "Que parva que eu sou", dos Deolinda, e a recentíssima vitória festivaleira de "A Luta é Alegria", dos Homens da Luta (post anterior), são, entre outros, três sinais claros de um fervilhar de revolta popular, prenunciadores de uma cada vez mais provável explosão do caldeirão... A ver vamos!
Viva Portugal do "deixa andar"
Viva o futebol cada vez mais
Viva a liberdade,
Viva a impunidade
Dos aldrabões, quejandos e que tais
Viva o tribunal, viva o juíz
E paga o justo pelo pecador
Viva a incompetência,
Viva a arrogância
Viva Portugal no seu melhor
Viva a notícia
Da chafúrdia social
De que o povo tanto gosta
O espectáculo da devassa
Viva o delator sem fuça
- É a morte do artista!
Viva a "petineira" do show-off
Dos apresentadores de televisão
Viva a voz do tacho
De quem vem de baixo
Do chefe, do ministro, do patrão
E viva a vilanagem financeira
A licenciatura virtual
Viva a corretagem
Viva a roubalheira
Viva a edição do "Tal & Qual"
Viva a notícia...
Viva o fausto, viva a exibição
A dívida calada
Que hoje não se paga
Mas amanhã os outros pagarão
Viva a moda, viva o carnaval
Ó larilas, ó larilolé
Viva a tatuagem
O brinco à "bedolagem"
Que vai na internet e na tv
Viva a notícia...
Calem-se o Cravinho e o Bastonário
O Medina, o Neto e sempre o Zé
Viva o foguetório
O conto do vigário
Que dá p'ra aeroporto e tgv
Viva o mundo da publicidade
"Share" ou não "share": eis a questão
O esperto da sondagem
O assessor de imagem
Viva o fazedor de opinião
Viva a notícia...
domingo, 6 de março de 2011
Homens da Luta, com "Luta é Alegria", vencem festival RTP da canção
Uma canção de protesto, ao estilo de outros tempos, com uma votação também de protesto. Foi o povo, pá! Isto é mais um claro sinal dos tempos, camaradas!
"O último lugar ninguém nos tira, mas isso que importa, camaradas? O que importa, camaradas, pá, é a alegria do povo, pá!"
Concordo, camaradas, o que verdadeiramente importa é a alegria, pá, "a canção é uma arma", pá, viva a alegria na luta, camaradas!...
Por vezes dás contigo desanimado
Por vezes dás contigo desanimado
Por vezes dás contigo a desconfiar
Por vezes dás contigo sobressaltado
Por vezes dás contigo a desesperar
De noite ou de dia
A luta é alegria
De um povo a dança é na rua a gritar
De pouco vale o cinto sempre apertado
De pouco vale andar a lamuriar
De pouco vale o ar sempre carregado
De pouco vale a raiva p'ra te ajudar
De noite ou de dia
A luta é alegria
De um povo a dança é na rua a gritar
E traz o pão e traz o queijo e traz o vinho
De noite ou de dia
A luta é alegria
De um povo a dança é na rua a gritar
E traz o pão e traz o queijo e traz o vinho
E vem o velho e vem o novo e o menino (bis)
Vem celebrar esta situação
E vamos cantar contra a reação (bis)
Não falta quem te avise: "vai com cuidado!"
Não falta quem te queira mandar calar
Não falta quem te deixe ressabiado
Não falta quem te venda o próprio ar
De noite ou de dia
A luta é alegria
De um povo a dança é na rua a gritar
E traz o pão e traz o queijo e traz o vinho
E vem o velho e vem o novo e o menino (bis)
Vem celebrar esta situação
E vamos cantar contra a reação (bis)
A luta continua quando o povo sai à rua!
Não falta quem te avise: "vai com cuidado!"
Não falta quem te queira mandar calar
Não falta quem te deixe ressabiado
Não falta quem te venda o próprio ar
De noite ou de dia
A luta é alegria
De um povo a dança é na rua a gritar
E traz o pão e traz o queijo e traz o vinho
E vem o velho e vem o novo e o menino (bis)
Vem celebrar esta situação
E vamos cantar contra a reação (bis)
A luta continua quando o povo sai à rua!
sexta-feira, 4 de março de 2011
Desfile de Carnaval das Escolas e Jardins de Terras de Bouro
O Desfile de Carnaval das Escolas e Jardins de Infância de Terras de Bouro, cuja edição deste ano se realizou hoje, é já um acontecimento com tradição para as crianças, jovens e suas famílias. Partindo da Escola P.e Martins Capela, o cortejo carnavalesco percorreu as ruas centrais da Vila e acabou na Praça de Espetáculos, onde houve animadas exibições de dança, ao ritmo frenético do Samba. Este ano, as Escolas e Jardins de Infância do Vale do Cávado também se associaram ao cortejo, o que o tornou ainda mais criativo, variado e participado. Os Centros de Dia e Lares de Idosos também não se quiseram alhear desta grande manifestação de cor, juventude e boa disposição.
Jorge Sampaio sempre foi um "bom falante"!...
quarta-feira, 2 de março de 2011
Aqui, há português (in)correto... (31)
- Pois, Pinto de Sousa, tu propuseste um tão mau e tão injusto que qualquer alteração só poderia ser para melhor!...
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Flor da Liberdade, de Miguel Torga
Sombra dos mortos, maldição dos vivos.
Também nós... Também nós... E o sol recua.
Apenas o teu rosto continua
A sorrir como dantes,
Liberdade!
Liberdade do homem sobre a terra,
Ou debaixo da terra.
Liberdade!
O não inconformado que se diz
A Deus, à tirania, à eternidade.
Sepultos, insepultos,
Vivos amortalhados,
Passados e presentes cidadãos:
Temos nas nossas mãos
O terrível poder de recusar!
E é essa flor que nunca desespera
No jardim da perpétua primavera.
Miguel Torga, in "Orfeu Rebelde", 1958
Também nós... Também nós... E o sol recua.
Apenas o teu rosto continua
A sorrir como dantes,
Liberdade!
Liberdade do homem sobre a terra,
Ou debaixo da terra.
Liberdade!
O não inconformado que se diz
A Deus, à tirania, à eternidade.
Sepultos, insepultos,
Vivos amortalhados,
Passados e presentes cidadãos:
Temos nas nossas mãos
O terrível poder de recusar!
E é essa flor que nunca desespera
No jardim da perpétua primavera.
Miguel Torga, in "Orfeu Rebelde", 1958
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Só eu seeeiiii porque não fiiiico em casa!...
Apesar do fervor clubístico deste adepto, a situação é mesmo trágica: a mulher foi a enterrar, agora é o clube que está moribundo!...
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Recordando António Aleixo
António Fernandes Aleixo
(Vila Real de Santo António, 18 de Fevereiro de 1899 - Loulé, 16 de Novembro de 1949)
O poeta António Aleixo, cauteleiro e pastor de rebanhos, cantor popular de feira em feira, pelas redondezas de Loulé (Algarve - Portugal) é um caso singular, bem digno de atenção de quantos se interessam pela poesia.
Não sendo totalmente analfabeto, sabe ler e leu meia dúzia de bons livros - não é porém capaz de escrever com correcção e a sua preparação intelectual não lhe deu qualificação para poder ser considerado um poeta culto. Mas ficou sendo conhecido por o maior poeta popular, o poeta do povo. Todavia, há nos versos que fazem parte do seu livro "Este livro que vos deixo", uma correcção de linguagem e sobretudo, uma expressão concisa e original de uma amarga filosofia, aprendida na escola impiedosa da vida, que não deixa de impressionar.
António Aleixo compõe e improvisa nas mais diversas situações e oportunidades. Umas vezes cantando numa feira ou festa de aldeia, outras, a pedido de amigos que lhe beliscam a veia; ora aproveitando traços caricaturais de pessoas conhecidas, ora sugestionado por uma conversa de tom mais elevado e a cuja altura sobe facilmente.
Passeando, sozinho, a guardar umas cabras ou a fazer circular as cautelas de lotaria - sua mais habitual ocupação, por isso também chamado "poeta cauteleiro" ou acompanhado por amigos, numa ceia ou num café, o poeta está presente e alerta e lá vem a quadra ou a sextilha, a fixar um pensamento, a finalizar uma discussão, a apreciar um dito ou a refinar uma troça. E, normalmente, a forma é lapidar, o conceito incisivo e o vocabulário justo e preciso.
O que caracteriza a poesia de António Aleixo é o tom dorido, irónico, um pouco puritano de moralista, com que aprecia os acontecimentos e as acções dos homens.
Joaquim Magalhães, In Este Livro que vos deixo...
Uma dúzia de quadras muito conhecidas:
Eu não tenho vistas largas
Nem grande sabedoria
Mas dão-me as horas amargas
Lições de Filosofia.
Embora os meus olhos sejam,
Os mais pequenos do Mundo
O que importa é que eles vejamO que os homens são no fundo.
P'ra mentira ser segura
E atingir profundidade
Tem de trazer à mistura
Qualquer coisa de verdade.
Que importa perder a vida
Em luta contra a traição,
Se a Razão mesmo vencida,
Não deixa de ser Razão
Tu, que tanto prometeste
Enquanto nada podias,
Hoje que podes - esqueceste
Tudo o que prometias...
O mundo só pode ser
Melhor do que até aqui,
Quando consigas fazer
Mais p'los outros que por ti!
Os novos que se envaidecem
Pelo muito que querem ser
São frutos bons que apodrecem
Mal começam a nascer.
Uma mosca sem valor
Poisa c'o a mesma alegria
Na careca de um doutor
Como em qualquer porcaria.
Se os homens chegam a ver
Por que razão se consomem,
O homem deixa de ser
O lobo do outro homem.
Os que bons conselhos dão
Às vezes fazem-me rir
Por ver que eles mesmos são
Incapazes de os seguir.
Para triunfar depressa
Cala contigo o que vejas
Finge que não te interessa
Aquilo que mais desejas.
São parvos, não rias deles,
Deixa-os ser, que não são sós:
Às vezes rimos daqueles,
Que valem mais do que nós.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Aqui, há português (in)correto... (30)
Neste recinto, provido de pinheiros, carvalhos, amieiros, castanheiros e eucaliptos, todos devem ter o prurido de só entrar com permissão, pois a todos é exigida probidade perante o direito de propriedade onde - o letreiro não deixa quaisquer dúvidas - entrar é "Proibido".
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Terras de Bouro no rolo das memórias: equipa de futebol de Souto (com alguns reforços).
Equipa do Grupo Desportivo de Souto (reforçada por Antero Soares, Fernando Rodrigues e Adolfo Leite, de Covas, e por Mesquita, guarda-redes, da Ribeira) num jogo com o G. D. de Lanhas.
A contar da esq. - em pé: 1 - Tero, 2 - Augusto Inácio, 3 - Adriano Chaves, 4 - Fernando Rodrigues (meu tio, marido da minha tia Verónica), 5 - Zé Esteves, 6 - Mesquita (g-r)
em baixo: 1 - Armando Sousa, 2 - Adolfo Leite, 3 - Zé Gago, 4 - António Silva (Ferramenta), 5 - Fausto Dias
No comentário que se segue, o Sr. Armando Sousa informa que "Esta foto foi tirada em Souto, no Campo Zé Maia no ano de 1958, durante a disputa do torneio Taça Rio Homem organizado pela equipa de Souto. Neste torneio a taça era disputada pela equipa anfitriã, Lanhas, Covas e Caldelas, sendo Covas a vencedora."
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
POPNPG - Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês
Não estranho nada as reações de indignação dos povos e suas comunidades (proprietários de mais de 90% do território onde está instalado o parque) perante o Plano de Ordenamento do PNPG, publicado no dia 4 de fevereiro, p.p.
Como ainda não tive oportunidade de o ler e de refletir sobre o seu conteúdo, remeto para os blogues/links que se seguem, para que se possa fazer uma ideia das posições já assumidas:
http://pnpg-comgente.blogspot.com/
http://terrasbouro.blogspot.com/2011/02/presidente-da-camara-municipal-toma.html
http://terrasbouro.blogspot.com/2011/02/movimento-ameaca-impugnar-plano-de.html
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
"Que parva que eu sou", Deolinda!
A canção que está a fazer furor pelo ciberespaço:
Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração "casinha dos pais",
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou!
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração "vou queixar-me pra quê?"
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração "eu já não posso mais!"
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
A propósito da "cabra do Gerês": mais um embuste do PNPG
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| Foto retirada daqui |
Numa visita ao blogue com mais informação sobre Terras de Bouro, deparei com o post http://terrasbouro.blogspot.com/2011/02/eram-75-e-agora-ja-sao-450-cabras-do.html. Hesitante entre o comentário e a postagem no "pass'Aarão", decidi-me por esta, para referir o seguinte:
Aí por volta de 1994/95 (o erro não pode ser grande), eu, um colega meu e um responsável do PNPG, de quem esse colega era amigo, fomos visitar a cerca, em Torneros (Lobios), Espanha, onde estavam em estudo e adaptação alguns exemplares da “capra pyrenaica victoriae”, trazidos precisamente de centros de recuperação espanhóis. (1)
O que recordo dessa visita são, sobretudo, as críticas - profunda, ecológica e cientificamente sentidas - do sr. engenheiro que nos acompanhava, acusando os nossos vizinhos galegos de insensibilidade ambiental, de ignorância e de trapalhice, por introduzirem (nas proximidades do santuário geresiano, deus nosso!) uma espécie trazida dos Pirenéus, parente mais ou menos afastada da autóctone cabra do Gerês, é certo, mas exógena às caractrerísticas florestais, ambientais, climáticas... desta região, e que viria, por certo (na sua mui douta sapiência), provocar desequilíbrios no ecossitema presente!
Podeis estar absolutamente seguros de que aquilo que, inicialmente, foi malquisto pelo purismo ambientalista do PNPG é, agora, a menina dos seus olhos, a pérola mais valiosa, o único troféu que tem para exibir em 40 anos de existência... afinal, fruto de um "crime" ambiental dos nossos amigos galegos.
A introdução - animal, planta ou calhau - jamais poderia ter acontecido por iniciativa do Parque Nacional, cuja política se tem cingido a não intervir, mesmo que a intervenção seja de valorização, a não mexer, a não fazer nada... São dezenas e dezenas de técnicos, entre biólogos, zoólogos, botânicos... engenheiros ambientais, florestais, paisagísticos... só para proibir, proibir, proibir...
No referido post, citando o Correio do Minho, é dito que o estudo da revista National Geographic conclui que: “a população está segura e o futuro parece garantido” para a cabra do Gerês no vale onde corre a ribeira dos Fornos e vai pastar ao Pitão da Carvalhosa". Trata-se, pois, de mais um embuste com que o PNPG "nos" quer iludir: as cabras introduzidas não são "cabras do Gerês", da subespécie "capra pyrenaica lusitanica", extinta em finais do séc. XIX, cujo último exemplar terá sido avistado e capturado em 20-IX-1890.
Desafio o "biólogo Armando Loureiro (que) revela à revista (National Geographic deste mês) a existência de três núcleos de cabras, um a poente com a Serra Amarela-Cabril, outro nos picos mais altos do Gerês e outro a nascente, em Pitões das Júnias" que venha, aqui ou onde entender, desenganar-me e dizer, com rigor científico, se as cabras que andam nas ditas serras são, de facto, descendentes da genuína cabra do Gerês... ou são, antes, cabras dos Pirenéus a pastarem no Gerês.
(1) - Segundo um dos comentários de Frederico V: "As pyrenaica victoriae que existem no Gerês vieram da serra de Gredos no centro de Espanha. A última pyrenaica dos Pireneus (uma terceira sub espécie: pyrenaica pyrenaica) também está extinta.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Um texto interessante sobre o acordo ortográfico*
"Um cê a mais", Manuel Halpern
"Quando eu escrevo a palavra ação, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o c na pretensão de me ensinar a nova grafia. De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa. Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim. São muitos anos de convívio. Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes cês e pês me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância. Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora: não te esqueças de mim! Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí. E agora as palavras já nem parecem as mesmas. O que é ser proativo? Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.
Depois há os intrusos, sobretudo o erre, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato. Caíram hifenes e entraram erres que andavam errantes. É uma união de facto. Para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem. Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os és passaram a ser gémeos, nenhum usa chapéu. E os meses perderam importância e dignidade, não havia motivo para terem privilégios, janeiro, fevereiro, março são tão importantes como peixe, flor, avião. Não sei se estou a ser suscetível, mas sem p algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.
As palavras transformam-nos. Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos. Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do cê não me faça perder a direção, nem me fracione, nem quero tropeçar em algum objeto abjeto. Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um cê a atrapalhar."
* Agradeço este texto à minha irmã Zi (a mais "comprometida" e assídua seguidora do pass'Aarão), que mo deu a conhecer via e-mail.
"Quando eu escrevo a palavra ação, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o c na pretensão de me ensinar a nova grafia. De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa. Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim. São muitos anos de convívio. Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes cês e pês me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância. Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora: não te esqueças de mim! Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí. E agora as palavras já nem parecem as mesmas. O que é ser proativo? Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.
Depois há os intrusos, sobretudo o erre, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato. Caíram hifenes e entraram erres que andavam errantes. É uma união de facto. Para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem. Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os és passaram a ser gémeos, nenhum usa chapéu. E os meses perderam importância e dignidade, não havia motivo para terem privilégios, janeiro, fevereiro, março são tão importantes como peixe, flor, avião. Não sei se estou a ser suscetível, mas sem p algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.
As palavras transformam-nos. Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos. Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do cê não me faça perder a direção, nem me fracione, nem quero tropeçar em algum objeto abjeto. Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um cê a atrapalhar."
* Agradeço este texto à minha irmã Zi (a mais "comprometida" e assídua seguidora do pass'Aarão), que mo deu a conhecer via e-mail.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Aqui, há português (in)correto... (29)
Já há bastante tempo que, neste cruzamento, foi colocada esta placa. Ora, como uma Festa Cigana, normalmente, decorre durante vários dias, siga na estrada... pode ser que ainda vá a tempo!
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
"Coração de Algodão", de João Luís Dias, o poeta... da minha terra.
| A mesa que presidiu à apresentação |
O João tem vindo a construir-se um poeta profundo... do Amor e da Paixão.
| Vários Exemplares |
| O Poeta, João Luís Dias |
| Os artistas do dia, com o Trovador Pedro Barroso |
Maravilhado pela poesia do João Luís, Pedro Barroso privilegiou os presentes com o anúncio de que, no seu próximo album de canções, que se chamará "Itinerários da Paixão e da Revolta" (peço desculpa se cometo alguma inconfidência, mas não resisto a ser eu a anunciá-lo em primeira mão, a nível mundial), incluirá uma parceria poética com o João Luís, reconstruindo o poema "Noite", o último da edição hoje apresentada, que (conforme aqui é público) ficará assim:
In nominae
Dei comigo
ao vidro baço e lento da janela
no palpebrar
cadente e moreno
dos teus olhos
a noite é apenas noite
e o silêncio
mudo
e apenas se ouve o sussurro
dos versos que te chamam…
em nome de tudo
e de todos
os que ainda amam
E o sorriso
foi dormir antes de mim
querendo-me a cama
morna
Se ausente te sei
mesmo que só um pouco
todo eu parto de mim
para regressar-te
aos meus braços
louco
até que acorde
de tudo o que sonhei
nos beijos esquivos
que me chamam
e me sinta poeta do sentir
eu que nada sei
em nome de tudo e todos
os que ainda
amam
Os parabéns à "Banda" da Calidum, que tão brilhantemente musicou e interpretou quatro poemas do João Luís.
A obra do João Luís Dias fala por si. Leia-a quem se quiser maravilhar.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Não morro de paixão pelo romantismo, mas Almeida Garrett é incontornável na nossa literatura.
![]() |
| Para o conhecer melhor, clique na imagem |
"João Baptista da Silva Leitão de Almeida e mais tarde visconde de Almeida Garrett, (Porto, 4 de Fevereiro de 1799 — Lisboa, 9 de Dezembro de 1854) foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, Par do Reino, ministro e secretário de Estado honorário português.
Grande impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática." (wikipédia)
Os Cinco Sentidos
São belas - bem o sei, essas estrelas,
Mil cores - divinais têm essas flores;
Mas eu não tenho, amor, olhos para elas:
Em toda a natureza
Não vejo outra beleza
Senão a ti - a ti!
Divina - ai! sim, será a voz que afina
Saudosa - na ramagem densa, umbrosa.
será; mas eu do rouxinol que trina
Não oiço a melodia,
Nem sinto outra harmonia
Senão a ti - a ti!
Respira - n'aura que entre as flores gira,
Celeste - incenso de perfume agreste,
Sei... não sinto: minha alma não aspira,
Não percebe, não toma
Senão o doce aroma
Que vem de ti - de ti!
É um mimo - de néctar o racimo:
E eu tenho fome e sede... sequiosos,
Famintos meus desejos
Estão... mas é de beijos,
É só de ti - de ti!
Macia - deve a relva luzidia
Do leito - ser por certo em que me deito.
Mas quem, ao pé de ti, quem poderia
Sentir outras carícias,
Tocar noutras delícias
Senão em ti! - em ti!A ti! ai, a ti só os meus sentidos
Todos num confundidos,
Sentem, ouvem, respiram;Em ti, por ti deliram.
Em ti a minha sorte,
A minha vida em ti;
E quando venha a morte,Será morrer por ti.
Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas'
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
As 35 (ou mesmo 40) horas de trabalho na escola, já!
Leia-se antes assim:
"Mais de 30 mil professores vão para o desemprego..."
Do que o ministério está à espera, como sempre, é da resignação dos professores (que são espetaculares nas manifestações, mas divididos na hora da luta) e da fraqueza dos sindicatos (que, preocupados com o folclore mediático, esbanjam oportunidades históricas na defesa efetiva da dignidade profissional docente). O ministério já conta com a aceitação resignada da sobrecarga de horas e mais horas que os professores "colocados" cumprirão, sem que isso lhes seja reconhecido.
Já há muito tempo (naquela altura, diziam-me: "não sejas parvo, pá!") que eu defendo que nós, os professores, deveríamos exigir o cumprimento completo do horário de trabalho nas escolas. Sempre defendi as 35 horas na escola. Hoje, até digo mais: mesmo que me tenham roubado 148,10 € por mês, estou disposto (pela pátria faço tudo!) a dar mais uma horinha diária, de boooorla... mas tudo na escola. Quero cumprir um horário de 8 horas diárias... na escola.
Muito gostava de ver os sindicatos a reivindicarem isto!
Seria mesmo giro vermos a opinião pública: "Então eles querem trabalhar mais, até estão dispostos a dar mais uma hora por dia, e o governo não deixa?! Tá tudo doido, ou quê?!"
Se assim fosse, fora do meu horário: não construía materiais, não fazia fichas, não corrigia testes ou exames (muito menos aos fins de semana), não tinha reuniões (a maior parte delas inúteis), não fazia relatórios, não participava em visitas de estudo, não avaliava os colegas (esse regabofe de promíscuas vaidades), não dinamizava os clubes, não promovia concursos pedagógicos, não programava apoios, não organizava exposições, não dinamizava o jornal, não me envolvia no desporto escolar (aos sábados, com deslocações às minhas custas)... e a pátria precisaria, não de despedir 30 mil, mas de admitir outros 30 mil.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Canção que me fica no ouvido: "Vida Tão Estranha", de Rodrigo Leão
São de veludo as palavras
Daquele que finge que ama
Ao desengano levo a vida
A sorte a mim já não me chama
Vida tão só
Vida tão estranha
Meu coração tão maltratado
Já nem chorar
Me traz consolo
Resta-me só um triste fado
A gente vive na mentira
Já não dá conta do que sente
Antes sozinha toda a vida
Que ter um coração que mente
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Aqui, há português (in)correto... (28)
Quando visitar o concelho, siga este conselho: "não fume, não faça fogo, não deixe garrafas vazias ou qualquer tipo de lixo"... a Natureza agradece.
domingo, 30 de janeiro de 2011
"O confronto de civilizações" - que se passa nos países árabes/muçulmanos?
![]() |
| (Iémen) Onde é que eu já vi isto? |
Algo de extraordinariamente libertador terá vindo a acontecer no mundo muçulmano para alguém, digo, para uma mulher ter a coragem de dizer isto desta maneira!
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